A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Jaime – sussurrou Brienne, tão baixo que pensou que sonhava. – Jaime, o que está fazendo?
– Estou morrendo – murmurou de volta.
– Não – disse ela –, não, tem de sobreviver.
Aquilo deu-lhe vontade de rir.
– Pare de me dizer o que fazer, garota. Eu morro se quiser.
– É assim tão covarde?
A palavra chocou-o. Ele era Jaime Lannister, um cavaleiro da Guarda Real, era o Regicida. Nunca homem algum o chamara de covarde. Chamavam-no de outras coisas, sim; perjuro, mentiroso, assassino. Diziam que era cruel, traiçoeiro, imprudente. Mas covarde, nunca.
– O que posso fazer além de morrer?
– Viver – disse ela –, viver, lutar e procurar vingança. – Mas falou alto demais. Rorge ouviu sua voz, embora não as palavras, e veio chutá-la, gritando-lhe que segurasse a língua se quisesse ficar com ela.
Covarde, pensou Jaime, enquanto Brienne lutava para abafar os gemidos. Será? Roubaram-me a mão da espada. Isso era tudo que eu era, uma mão de espada? Pela bondade dos deuses, será verdade?
A garota tinha razão. Não podia morrer. Cersei esperava-o. Devia sentir falta dele. E Tyrion, seu irmão mais novo, que o amava devido a uma mentira. E seus inimigos também esperavam; o Jovem Lobo, que o derrotara no Bosque dos Murmúrios e matara os homens que o rodeavam, Edmure Tully, que o mantivera em trevas e correntes, estes Bravos Companheiros.
Quando a manhã chegou, obrigou-se a comer. Deram-lhe ração de aveia, comida de cavalo, mas forçou-se a engolir todas as colheradas. Voltou a comer ao cair da noite, e no dia seguinte também. Viva, disse rudemente a si próprio quando a ração parecia prestes a levá-lo ao vômito, viva por Cersei, viva por Tyrion, viva para a vingança. Um Lannister sempre paga as suas dívidas. A mão que não tinha latejava, ardia e fedia. Quando chegar a Porto Real, mandarei forjar uma mão nova, uma mão de ouro, e um dia vou usá-la para rasgar a goela de Vargo Hoat.
Os dias e as noites fundiram-se num incêndio de dor. Dormia na sela, encostado em Brienne, com o nariz cheio do fedor da mão em putrefação, e depois à noite ficava desperto, deitado no chão duro, preso num pesadelo acordado. Apesar de muito fraco, prendiam-no sempre a uma árvore. Dava-lhe um certo consolo frio saber que o temiam tanto assim, mesmo agora.
Brienne ficava sempre amarrada a seu lado. Ficava deitada com as suas cordas como uma grande vaca morta, sem dizer uma palavra. A garota construiu uma fortaleza dentro de si. Devem estuprá-la em breve, mas não podem tocar nela atrás dessas muralhas. Porém, as muralhas de Jaime tinham desaparecido. Tinham-lhe tirado a mão, tinham-lhe tirado a mão da espada, e sem ela não era nada. A outra de nada lhe servia. Desde que aprendera a andar, seu braço esquerdo era o braço do escudo e nada mais. Era a mão direita que fazia dele um cavaleiro; o braço direito que tinha feito dele um homem.
Um dia, ouviu Urswyck dizer qualquer coisa a respeito de Harrenhal, e lembrou-se de que era esse o destino do grupo. Isso fez Jaime rir em voz alta, e isso fez com que Timeon golpeasse seu rosto com um chicote longo e estreito. O corte sangrou, mas comparado com a mão, quase não o sentiu.
– Por que você riu? – perguntou a mulher naquela noite, num sussurro.
– Foi em Harrenhal que me deram o manto branco – sussurrou em resposta. – No grande torneio do Whent. Quis mostrar a todos nós o seu grande castelo e os seus belos filhos. Eu também quis lhes mostrar umas coisas. Só tinha quinze anos, mas ninguém conseguiria me derrotar naquele dia. Aerys não me deixou participar da justa. – Voltou a rir. – Mandou-me embora. Mas agora estou de volta.
Eles ouviram o riso. Naquela noite foi Jaime quem recebeu os pontapés e murros. Também pouco os sentiu, até que Rorge avançou com a bota contra o coto, e então o prisioneiro desmaiou.
Foi na noite seguinte que finalmente apareceram os três piores; Shagwell, Rorge sem nariz e o gordo dothraki Zollo, aquele que tinha cortado sua mão. Zollo e Rorge discutiam sobre quem seria o primeiro enquanto se aproximavam; parecia não haver qualquer dúvida de que o bobo seria o último. Shagwell sugeriu que podiam ir os dois primeiro e tomá-la pela frente e por trás. Zollo e Rorge gostaram da ideia, mas então começaram a discutir sobre quem ficaria com a frente e quem iria por trás.
Também vão deixá-la mutilada, mas por dentro, onde não se vê.
– Garota – sussurrou enquanto Zollo e Rorge xingavam um ao outro –, deixe-os ficar com a carne, e vá para longe. Terminará mais depressa, e eles obterão menos prazer do ato.
– Eles não vão obter prazer nenhum daquilo que vou lhes dar – murmurou em resposta, desafiadora.
Estúpida cadela teimosa e corajosa. Sabia que ela ia acabar se levando à morte. E que me importa que morra? Se não tivesse sido tão cabeça-dura, eu ainda teria uma mão. E no entanto, ouviu-se sussurrando:
– Deixe que façam o que querem e retire-se para dentro. – Foi o que fizera quando os Stark morreram na sua frente, Lorde Rickard cozinhando dentro de sua armadura enquanto o filho Brandon se estrangulava na tentativa de salvá-lo. – Pense em Renly, se o amava. Pense em Tarth, em montanhas e mares, lagoas, cascatas, seja o que for que tenha na sua Ilha Safira, pense...
Mas, a essa altura, Rorge já tinha ganhado a discussão.
– É a mulher mais feia que eu já vi – disse a Brienne –, mas não ache que não posso deixá-la mais feia ainda. Quer um nariz como o meu? Lute, e fica com um. E dois olhos são demais. Um grito vindo de você e arranco um e obrigo você a comê-lo, e depois arranco a merda dos seus dentes um a um.
– Oh, faça isso, Rorge – pediu Shagwell. – Sem os dentes, ela fica bem parecida com a minha querida mãe. – Soltou um cacarejo. – E eu sempre quis foder a minha querida mãe pelo cu.
Jaime soltou uma risadinha.
– Ora, aí está um bobo engraçado. Tenho uma charada para você, Shagwell. Por que você se importa que ela grite? Ah, espere, eu sei. – E gritou o mais alto que pôde: – SAFIRAS.
Praguejando, Rorge voltou a chutar seu coto. Jaime soltou um uivo. Não fazia ideia de que havia no mundo uma agonia tão grande, foi a última coisa que se lembrava de ter pensado. Era difícil saber quanto tempo esteve desacordado, mas quando a dor o cuspiu, Urswyck estava lá, e o próprio Vargo Hoat também.
– Ela não deve fer tocada – gritou o bode, enchendo Zollo de perdigotos. – Ela tem de fer donfela, feuf idiotaf! Ela vale um faco de fafiraf! – E daí em diante, Hoat colocou guardas junto a eles todas as noites, para protegê-los de seus próprios homens.
Duas noites passaram em silêncio antes de a garota finalmente encontrar coragem para murmurar:
– Jaime? Por que gritou?
– Por que foi que gritei “safiras”, é isso que quer perguntar? Use a cabeça, garota. Acha que esses tipos teriam se importado se eu tivesse gritado “estupro”?
– Não precisava ter gritado nada.
– Já é suficientemente difícil olhar para você com nariz. Além disso, quis obrigar o bode a dizer “fafiraf”. – Soltou uma gargalhadinha. – Para você é bom que eu seja um grande mentiroso. Um homem honroso teria dito a verdade sobre a Ilha Safira.
– Seja como for – disse ela. – Agradeço-lhe, sor.
A mão dele estava latejando de novo. Apertou os dentes e disse:
– Um Lannister paga as suas dívidas. Aquilo foi pelo rio, e por aquelas pedras que despejou em cima de Robin Ryger.