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O jardim de Rama

Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:

Nesta sequência de O Enigma de Rama, é mostrada a vida dos astronautas que foram deixados a bordo da espaçonave extraterrestre Rama. Em sua interação com esse estranho habitat vão descobrir que existem outros tripulantes que os acompanham na viagem para fora do Sistema Solar.
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O mural mostrava as atividades sugeridas para Richard em seqüência bem ordenada. Ele deixaria o cilindro marrom por uma saída abaixo do nível do chão e emergiria na região verde do outro lado tanto do círculo de edificações brancas quanto do canal fino. Lá, guiado por um par de aves, ele desceria para a margem do fosso, onde seria apanhado por um pequeno submarino. O submarino mergulharia abaixo da parede do módulo, entraria em uma grande massa de água e eventualmente voltaria à superfície na margem de uma ilha com muitos arranha-céus.

Richard sorriu ao estudar o mural. Então tanto o Mar Cilíndrico quanto Nova York continuam aí. Lembrou-se do que a Águia lhe dissera a respeito de não serem feitas alterações desnecessárias em Rama. Isso significa que a Sala Branca também continua lá.

Havia muitos quadros adicionais cercando a seqüência da fuga de Richard, algumas dando maiores detalhes, a respeito das plantas e dos animais alienígenas da região verde, outras fornecendo instruções detalhadas sobre como operar o submarino. Quando Richard tentou copiar o que lhe pareceu mais importante nessas informações em seu computador portátil vindo da Newton, o professor myrmigato de repente mostrou-se impaciente. Richard ficou imaginando se a situação de crise se teria agravado.

No dia seguinte, depois de um cochilo prolongado, Richard foi equipado com sua mochila e levado ao salão dos sésseis por seus anfitriões. Lá, os quatro melões manás que ele vira crescer duas semanas antes foram removidos da teia pelos myrmigatos e colocados em sua mochila. Eram bastante pesados. Richard calculou que pesassem, em conjunto, uns vinte quilos. Um outro myrmigato então utilizou um instrumento semelhante a uma tesoura para remover do séssil um volume cilíndrico contendo quatro gânglios no conjunto de seus filamentos.

Esse material séssil foi colocado em um tubo prateado e enfiado em um dos bolsos menores de Richard, e os ovos das aves foram os últimos elementos a serem carregados.

Richard respirou fundo. Isto deve ser a despedida, pensou ele, quando os myrmigatos apontaram para o corredor. Por alguma razão ele se lembrou da insistência de Nai Watanabe em ser a saudação Tai chamada de wai, uma pequena curvatura com as mãos postas na frente da parte superior do peito, sinal universal de respeito. Sorrindo para si mesmo, Richard executou um wai para a meia dúzia de myrmigatos que o cercava. Atônito, ele viu cada um deles juntar as quatro patas da frente aos pares na frente do corpo e fazer uma ligeira curvatura em sua direção.

O porão mais profundo do cilindro marrom obviamente não era habitado.

Depois de deixar a sala dos sésseis, Richard e seu guia passaram primeiro por muitos outros myrmigatos, particularmente na vizinhança do átrio. Mas uma vez entrados na rampa que descia para o porão, não encontraram mais nenhum deles.

O guia de Richard despachara um pernudinho na frente deles. Este saiu correndo pelo estreito túnel final e a saída de emergência abobadada que o levaria à região verde. Quando o pernudinho voltou, ficou parado durante vários segundos na parte de trás da cabeça do myrmigato, depois saiu disparado pelo chão. O guia fez um gesto para que Richard entrasse no túnel.

Do lado de fora, na região verde, Richard foi recebido por duas aves das maiores e imediatamente levado pelos ares. Uma tinha uma feia cicatriz em uma asa, como se houvesse sido atingida por uma saraivada de balas. Richard viu-se em uma floresta de alguma densidade, crescendo à sua volta até uns três ou quatro metros de altura. Embora a luz fosse fraca, não foi difícil para Richard encontrar caminho ou seguir as aves que voavam acima dele. Ocasionalmente ouvia, ao longe, momentos de tiroteio.

Os primeiros quinze minutos passaram-se sem incidentes. A densidade da floresta diminuiu. Richard acabava de calcular que estaria no fosso para o encontro com o submarino dentro de mais uns dez minutos quando, sem qualquer aviso, uma metralhadora começou a atirar a não mais de uns cem metros. Uma das aves-guias caiu ao solo. A outra desapareceu. Richard escondeu-se em um ponto de vegetação mais densa quando ouviu soldados vindo em sua direção.

“Dois círculos, com certeza”, disse um deles. “Talvez até três… Isso já me soma vinte círculos só esta semana.”

“Mas, cara, isto não é concurso. Essa não devia nem contar. O raio da ave nem sabia que você estava perto.”

“Problema dela. Vou contar os anéis do pescoço do mesmo modo. Ah, ali está ela. Ora, merda, só tem dois.”

Os homens estavam a apenas uns quinze metros de Richard. Ele ficou absolutamente imóvel, sem ousar se mexer, por mais de cinco minutos. Os soldados, nesse meio tempo, ficaram nas redondezas do cadáver da ave, fumando e falando da guerra.

Richard começou a sentir uma dor em seu pé direito. Ele mudou ligeiramente a distribuição de seu peso, pensando em aliviar o músculo que estava sendo forçado, porém a dor aumentou ainda mais. Finalmente, ele olhou para baixo e viu, horrorizado, que uma das criaturas do tipo roedor que ele vira no manual do salão já roera o que restava de seu sapato e estava começando a mastigar seu pé, Richard tentou sacudir a perna com força, porém em silêncio.

Não obteve sucesso. Embora o roedor houvesse largado seu pé, os soldados ouviram o barulho e começaram a andar em sua direção.

Richard não podia correr. Mesmo que houvesse um caminho de fuga, o peso extra que carregava o tornaria presa fácil para os soldados. Em menos de um minuto um deles gritou: “Aqui, Bruce, acho que há alguma coisa nessa moita.”

O homem apontou sua arma na direção de Richard, que disse: “Não atirem. Eu sou humano.”

O segundo soldado juntou-se a seu camarada. “Que porra é que você está fazendo aqui sozinho?” “Estou fazendo uma caminhada”, respondeu Richard.

“Está maluco?” disse o primeiro soldado. “Venha cá para fora; deixe-nos dar uma olhadela em você.”

Richard saiu lentamente da moita. Mesmo àquela luz mortiça, devia ser uma visão espantosa, com seus cabelos e barba longos e sua mochila.

“Jesus Cristo… Mas, quem raios é você?… Onde fica o seu destacamento?”

“Isso não é nenhuma droga de soldado”, disse o outro homem, ainda fixando Richard. “Esse é lélé… Deve ter fugido da instalação de Avalon e caminhado até aqui por engano… Escuta aqui, bunda mole, não está vendo que isto aqui é território perigoso? Podem te matar…”

“Olha só os bolsos dele”, interrompeu o primeiro soldado. “Está carregando quatro daqueles raios de melões, enormes…”

De repente, eles foram atacados pelo céu. Devia haver pelo menos uma dúzia de aves, tomadas de fúria e ao gritos enquanto atacavam. Os dois soldados humanos foram derrubados. Richard começou a correr. Uma das aves pousou no rosto do primeiro soldado e começou a despedaçá-lo com suas garras. Outros soldados, nas vizinhanças, ouvindo a barulhada, abriram fogo e vieram correndo ajudar os patrulheiros.

Richard não sabia como haveria de encontrar o submarino. Correu morro abaixo o mais rápido que seus pés e sua carga o permitiram. O tiroteio tinha aumentado. Ouviu gritos de dor dos soldados e guinchos de morte das aves.

Encontrou o fosso, mas não qualquer sinal do submarino, e ouvia vozes humanas descendo a encosta logo atrás dele. Quando estava quase entrando em pânico, ouviu um guincho breve vindo de uma moita à sua direita. A ave-líder com seus quatro círculos cobalto passou voando sobre a sua cabeça, não muito alto, e continuou ao longo da margem do fosso, para a esquerda.

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