Бесплатная библиотека
Читайте книгу на сайте или телефоне
A Fúria dos Reis - Читать Любимую Русскую Полную Книгу 👉 Read-E-Book.com

A Fúria dos Reis

Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:

A Fúria dos Reis
1 ... 4 5 6 7 8 9 10 11 12 ... 253
Перейти на страницу:

Meistre Cressen pestanejou. Stannis, meu senhor, meu triste rapaz carrancudo, filho que nunca tive, não pode fazer isso. Não sabe como me preocupei com você, vivi para você, amei você apesar de tudo? Sim, amei-o, mais até do que a Robert, ou a Renly, pois você era o mal-amado, aquele que mais precisava. Mas tudo o que disse foi:

– Às suas ordens, senhor, mas… Tenho fome. Poderia ocupar um lugar à sua mesa? – ao seu lado, o meu lugar é ao seu lado

Sor Davos levantou-se do banco.

– Ficaria honrado se o meistre se sentasse aqui ao meu lado, Vossa Graça.

– Como quiser – Lorde Stannis respondeu e se virou para dizer qualquer coisa a Melisandre, que tinha se sentado do seu lado direito, lugar de grande honra. A Senhora Selyse estava à sua esquerda, ostentando um sorriso tão brilhante e anguloso como as suas joias.

Longe demais, pensou Cressen, atordoado, olhando para onde Sor Davos estava sentado. Metade dos senhores vassalos separava o contrabandista da mesa elevada. Tenho de ficar mais perto dela se quiser pôr o estrangulador na sua taça. Mas como?

Cara-Malhada dava piruetas por ali, enquanto o meistre fazia seu lento trajeto em volta da mesa até Davos Seaworth.

– Aqui comemos peixe – declarou o bobo em tom feliz, brandindo um bacalhau como se fosse um cetro. – Debaixo do mar, os peixes nos comem. Eu sei, eu sei, ei, ei, ei.

Sor Davos afastou-se para o lado, a fim de arranjar espaço no banco.

– Hoje devíamos estar todos vestidos de bufões – ele disse lugubremente quando Cressen se sentou –, pois o que estamos fazendo é coisa de bobo. A mulher vermelha viu vitória nas suas chamas; portanto, Stannis deseja insistir na sua pretensão, sem se importar com os números. Receio que, antes de ela terminar, é provável que todos vejamos o que o Cara-Malhada viu… o fundo do mar.

Cressen enfiou as mãos nas mangas, como se procurasse aquecê-las. Os dedos encontraram os caroços que os cristais faziam na lã.

– Lorde Stannis.

Stannis afastou o olhar da mulher vermelha, mas foi Selyse quem respondeu.

Rei Stannis. Esqueceu-se do seu lugar, meistre.

– Ele é velho, sua mente divaga – disse-lhe o rei num tom rabugento. – Que foi, Cressen? Diga o que está pensando.

– Visto que pretende zarpar, é vital que faça causa comum com Lorde Stark e a Senhora Arryn…

– Não faço causa comum com ninguém – Stannis Baratheon respondeu.

– Assim como a luz não faz causa comum com a escuridão – a Senhora Selyse tomou sua mão.

Stannis concordou com a cabeça.

– Os Stark tentam roubar metade do meu reino, tal como os Lannister me roubaram o trono e o meu querido irmão, as espadas, servidores e fortalezas, que são meus de direito. São todos usurpadores, e são todos meus inimigos.

Perdi-o, Cressen pensou, desesperando-se. Se ao menos conseguisse, de algum modo, se aproximar de Melisandre sem ser visto… Não precisava de mais do que um instante de proximidade da sua taça.

– O senhor é o herdeiro legítimo do seu irmão Robert, o verdadeiro Senhor dos Sete Reinos, e Rei dos Ândalos, dos Roinares e dos Primeiros Homens – Cressen disse, desesperadamente. – Mas, mesmo assim, não pode crer em um triunfo sem aliados.

– Ele tem um aliado – interveio a Senhora Selyse. – R’hllor, o Senhor da Luz, o Coração do Fogo, o Deus da Chama e da Sombra.

– Os deuses são, na melhor das hipóteses, aliados incertos – insistiu o velho. – E esse não tem poder nenhum aqui.

– Acredita que não?

O rubi preso ao pescoço de Melisandre capturou a luz quando ela virou a cabeça, e por um instante pareceu brilhar tão luminoso como o cometa.

– Se acredita em tal besteira, Meistre, deveria voltar a colocar sua coroa.

– Sim – concordou a Senhora Selyse. – O elmo do Malhada. Cai bem em você, velho. Volte a colocá-lo, eu ordeno.

– Debaixo do mar ninguém usa chapéus – cantarolou Cara-Malhada. – Eu sei, eu sei, ei, ei, ei.

Os olhos de Lorde Stannis estavam na sombra das suas pesadas sobrancelhas, sua boca, apertada, enquanto o maxilar trabalhava em silêncio. Rangia os dentes sempre que se zangava.

– Bobo – ele rosnou por fim –, a senhora minha esposa ordena. Dê o elmo a Cressen.

Não, pensou o velho meistre, este não é você, não é o seu jeito, sempre foi justo, sempre duro, mas nunca cruel, nunca, não compreendia a gozação, assim como não compreendia o riso.

Cara-Malhada se aproximou dançando, fazendo soar os guizos, clang-a-clang, ding-ding, clinc-clanc-clinc-clanc. O meistre ficou sentado, em silêncio, enquanto o bobo punha o balde com chifres na sua cabeça. Cressen abaixou a cabeça com o peso. Os sinos ressoaram.

– Talvez ele deva, daqui para a frente, cantar os seus conselhos – disse a Senhora Selyse.

– Foi longe demais, mulher – repreendeu-a Lorde Stannis. – É um velho, e serviu-me bem.

E servirei até o fim, meu querido senhor, meu pobre filho solitário, pensou Cressen. E, de repente, descobriu um jeito. A taça de Sor Davos estava na sua frente, ainda com tinto amargo pela metade. Encontrou uma dura lasca de cristal na manga, apertou-a bem entre o indicador e o polegar enquanto estendia a mão para a taça. Movimentos suaves, hábeis, agora não posso me atrapalhar, rezou, e os deuses mostraram-se bondosos. Num piscar de olhos, os dedos ficaram vazios. Havia anos que suas mãos não tinham estado tão firmes, nem com metade daquela leveza. Davos viu, mas mais ninguém, tinha certeza. De taça na mão, levantou-se.

– Talvez tenha sido um tolo. Senhora Melisandre, quer partilhar comigo uma taça de vinho? Uma taça em honra do seu deus, do seu Senhor da Luz? Uma taça para brindar ao poder dele?

A mulher vermelha o estudou.

– Se quiser...

Podia sentir que todos o observavam. Davos agarrou-o quando se levantou do banco, prendendo sua manga com os dedos que Lord Stannis tinha encurtado.

– O que está fazendo? – sussurrou.

– Uma coisa que tem de ser feita – respondeu meistre Cressen. – Para o bem do reino e da alma do meu senhor – sacudiu a mão de Davos, derramando uma gota de vinho nas esteiras.

Encontraram-se sob a mesa elevada, com os olhos de todos os homens sobre eles. Mas Cressen só via a mulher. Seda vermelha, olhos vermelhos, o rubi vermelho no pescoço, lábios vermelhos encurvados num tênue sorriso quando colocou a mão sobre a dele, em torno da taça. A pele dela pareceu-lhe quente, febril.

– Não é tarde demais para jogar o vinho fora, meistre.

– Não –murmurou roucamente. – Não.

– Como quiser.

Melisandre de Asshai tirou a taça de suas mãos e bebeu, longa e profundamente. Quando a devolveu, restava apenas meio gole de vinho no fundo.

– E agora você.

As mãos de Cressen tremiam, mas obrigou-se a ser forte. Um meistre da Cidadela não devia ter medo. Sentiu o vinho amargo na língua. Deixou a taça vazia cair dos seus dedos e se estilhaçar no chão.

– Ele tem poder aqui, senhor – disse a mulher. – E o fogo purifica – na sua garganta, o rubi cintilava, vermelho.

Cressen tentou responder, mas as palavras ficaram presas na garganta. Sua tosse transformou-se num terrível assobio agudo quando tentou inspirar. Dedos de ferro apertaram-se em torno do seu pescoço. Quando caiu de joelhos, ainda balançava a cabeça, negando-a, negando seu poder, sua magia, negando o seu deus. E os guizos tiniam nos chifres, cantando tolo, tolo, tolo, enquanto a mulher vermelha o olhava com piedade, e as chamas das velas dançavam nos seus olhos tão... tão vermelhos.

1 ... 4 5 6 7 8 9 10 11 12 ... 253
Перейти на страницу:
0
Сюжет
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
0
Атмосфера
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
0
Главный герой
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
0
Общее впечатление
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
Итоговая оценка: 0.0 из 10 (голосов: 0 / История оценок)