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O Poderoso Chefão [em Portugues]

Электронная книга - «O Poderoso Chefão [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Numa reconstrução do mundo dos mafiosos, que imortalizou o personagem Don Corleone, Mario Puzo leva o leitor ao próprio coração da Máfia, revelando toda a violência, chantagem, terror e degradação que a caracterizam. Don Corleone é um dos cabeças da Máfia nova-iorquina, pessoa benevolente que obedece a um critério de justiça muito pessoal. Ele pode ser um amigo prógigo, mas se torna implacável na eliminação de obstáculos que contrariem seus objetivos. Movimentando personagens num mundo de violência, negócios, ódio e sexo, Mario Puzo consagrou-se com este livro que foi levado ao cinema com o mesmo sucesso, com Don Corleone interpretado por Marlon Brando.
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— Não duvido de sua palavra, cavalheiro — retrucou o Sr. Adams gentilmente. — O que acho inacreditável é que minha filha possa estar seriamente complicada. A não ser que os senhores estejam sugerindo que ela é uma... — aqui o seu rosto adquiriu uma gravidade duvidosa — uma “rameira”, acreditoque é assim que se chama.

Kay olhou para o pai espantada. Sabia que ele estava brincando à sua maneira solene, e ficou surpresa ao notar que ele encarava a coisa toda de modo tão superficial.

— Contudo — acrescentou o Sr. Adams com firmeza – podem ficar certos de que se esse rapaz aparecer por aqui, eu comunicarei imediatamente a sua presença às autoridades. Como fará também a minha filha. Agora, se os senhores nos perdoam, o almoço está esfriando.

Conduziu os homens para fora da casa, com toda a cortesia, e fechou a porta nas costas deles de modo gentil, mas com firmeza. Tomou Kay pelo braço e levou-a para a cozinha distante, situada nos fundos da casa.

—Venha, querida, sua mãe está servindo o nosso almoço.

Quando chegaram à cozinha, Kay estava chorando silenciosamente, para aliviar-se da tensão, ante a demonstração de afeto incondicional do pai. Na cozinha, a mãe não tomou conhecimento do seu choro, e Kay compreendeu que o pai devia ter-lhe falado a respeito dos dois detetives. Sentou-se no seu lugar e a mãe a serviu em silêncio. Quando os três estavam à mesa, o pai pronunciou a sua rápida oração de graças com a cabeça abaixada.

A Sra. Adams era uma mulher baixa e robusta, sempre bem vestida, e com o cabelo sempre penteado. Kay nunca a vira desalinhada. A mãe também sempre estivera um tanto desinteressada por ela, mantendo-a a certa distância. E assim o fazia agora.

— Kay, deixe de ser tão trágica. Tenho certeza de que tudo não passa de muito espalhafato em torno de nada. Afinal de contas, o rapaz estava freqüentando Dartmouth, não podia estar metido em coisas tão sórdidas.

Kay levantou os olhos para a mãe com surpresa.

— Como é que você sabia que Mike freqüentava Dartmouth? — indagou.

— Vocês jovens são tão misteriosos — respondeu a mãe com complacência — e pensam que são muito espertos. Sabíamos do seu romance com ele durante todo o tempo, mas naturalmente não podíamos falar nisso, enquanto você não tocasse no assunto.

— Mas como vocês souberam? — perguntou Kay.

Não podia encarar o pai, agora que ele sabia que ela e Mike dormiram juntos. Assim, não o viu sorrir quando ele disse:

— Abrimos as suas cartas, naturalmente.

Kay ficou horrorizada e aborrecida. Agora ela podia encará-lo. O que ele fizera era mais vergonhoso do que o próprio pecado dela. Nunca poderia esperar isso dele.

— Papai, você não fez, você não podia ter feito.

O Sr. Adams sorriu para ela.

— Debati comigo mesmo qual era o maior pecado: abrir as suas cartas ou ignorar algum perigo que a minha única filha poderia estar correndo. A escolha foi simples, e virtuosa.

A Sra. Adams disse entre garfadas de galinha cozida:

— Afinal de contas, querida, você é extremamente inocente para a sua idade. Tivemos de ficar alerta. E você nunca falou sobre ele.

Pela primeira vez, Kay ficou satisfeita porque Michael nunca fora carinhoso em suas cartas, E mais contente ainda porque os pais não tinham visto as cartas dela.

— Nunca falei a vocês sobre ele, porque pensei que vocês ficariam horrorizados com a família dele.

— Nós ficamos — respondeu o Sr. Adams cordialmente. — A propósito, Michael entrou em contato com você?

Kay balançou a cabeça.

— Não acredito que ele seja culpado de coisa alguma.

Percebeu os pais trocarem um olhar.

— Se ele não é culpado e sumiu — disse gentilmente em seguida o Sr. Adams — então talvez alguma coisa deve ter acontecido a ele.

A princípio, Kay não entendeu. Depois levantou-se da mesa e correu para o quarto.

Três dias depois, Kay Adams saltou de um táxi em frente da alameda dos Corleone, em Long Beach. Ela telefonara e estava sendo esperada. Tom Hagen foi recebê-la na porta, e ela ficou decepcionada por ter sido ele. Sabia que Tom nada contaria a ela.

Na sala de estar, ofereceu-lhe uma bebida. Ela vira dois homens rondando a casa, mas não Sonny. Perguntou diretamente a Hagen:

— Você sabe onde Mike está? Sabe onde posso entrar em contato com ele?

Hagen respondeu calmamente:

— Sabemos que está bem, mas não sabemos seu paradeiro. Quando soube que aquele capitão tinha sido mortalmente baleado, teve medo de que o acusassem. Assim, resolveu desaparecer. Falou-me que entrará em contato comigo dentro de alguns meses.

A história não somente era falsa, como também significava que devia ser aceita.

— O capitão de fato quebrou a cara de Mike? — perguntou Kay.

Infelizmente isso é verdade — respondeu Tom. — Mas Mike nunca foi vingativo. Tenho certeza de que isso nada teve a ver com o que aconteceu.

Kay abriu a bolsa e tirou uma carta.

— Quer entregar-lhe isto, se ele entrar em contato com você?

Hagen balançou a cabeça negativamente.

— Se eu recebesse esta carta e você dissesse a um tribunal de justiça que eu a aceitei, isso poderia ser interpretado que eu sabia de sua localização. . Por que você não espera um pouco? Tenho certeza de que Mike entrará em contato com você.

Kay acabou de beber e levantou-se para partir. Hagen acompanhou-a até o corredor de saída, mas quando ele abriu a porta, uma mulher entrou. Era uma mulher baixa e robusta, vestida de preto. Kay reconheceu-a como a mãe de Michael.

— Como vai, Senhora Corleone? — perguntou Kay, estendendo-lhe a mão.

Os pequenos olhos pretos da mulher fixaram-se sobre ela por um momento, depois o rosto enrugado, duro, esverdeado abriu-se num sorriso rápido de saudação que, contudo, era de alguma forma curiosa e verdadeiramente amistosa.

— Ah, você é a pequena de Mike — disse a Sra. Corleone. Ela tinha um sotaque italiano carregado, e Kay mal podia compreendê-la. — Você come alguma coisa?

Kay respondeu que não, querendo dizer que não queria comer nada. Então, a Sra. Corleone virou-se furiosamente para Tom Hagen e ralhou com ele em italiano, terminando assim:

— Você não serviu café a essa pobre moça, seu disgraziato.

Pegou Kay pela mão e conduziu-a para a cozinha. A mão da senhora Corleone estava surpreendentemente quente e vigorosa.

— Tome café e coma alguma coisa, depois alguém a levará para casa. Não quero que uma garota distinta como você apanhe o trem.

Fez Kay sentar-se e começou a movimentar-se afobadamente na cozinha, arrancando violentamente o capote e o chapéu, pendurando-os numa cadeira. Em poucos segundos havia pão, queijo e salame na mesa e café no fogão.

— Vim pedir notícias de Mike — falou Kay timidamente — não sei onde ele está. O Sr Hagen disse que ninguém sabe seu paradeiro, mas que ele vai aparecer dentro de pouco tempo.

— Isso é tudo o que podemos dizer a ela agora, mamãe — atalhou rapidamente Hagen.

A Sra. Corleone lançou-lhe um olhar de fulminante desprezo.

— Agora você vai-me dizer o que fazer? Meu marido não me diz o que fazer, Deus tenha misericórdia dele.

Ela persignou-se.

— O Sr. Corleone está passando bem? — perguntou Kay.

— Muito bem — respondeu a Sra. Corleone. — Muito bem. Ele está ficando velho e muito bobo, para deixar que uma coisa como essa aconteça.

Ela bateu na cabeça da moça com intimidade. Serviu o café e obrigou Kay a comer pão com queijo.

Depois de beberem café, a Sra. Corleone tomou a mão de Kay entre suas mãos morenas, e falou tranqüilamente:

— Mike não vai escrever-lhe, você não vai ter notícias de Mike. Ele vai ficar escondido uns dois ou três anos. Talvez mais... talvez muito mais. Volte para a casa de sua família e procure um bom rapaz e case-se.

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