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O Poderoso Chefão [em Portugues]

Электронная книга - «O Poderoso Chefão [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Numa reconstrução do mundo dos mafiosos, que imortalizou o personagem Don Corleone, Mario Puzo leva o leitor ao próprio coração da Máfia, revelando toda a violência, chantagem, terror e degradação que a caracterizam. Don Corleone é um dos cabeças da Máfia nova-iorquina, pessoa benevolente que obedece a um critério de justiça muito pessoal. Ele pode ser um amigo prógigo, mas se torna implacável na eliminação de obstáculos que contrariem seus objetivos. Movimentando personagens num mundo de violência, negócios, ódio e sexo, Mario Puzo consagrou-se com este livro que foi levado ao cinema com o mesmo sucesso, com Don Corleone interpretado por Marlon Brando.
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— Sou o Detetive John Phillips do Departamento de Polícia de Nova York — disse ele. — Apontando para o outro homem, um indivíduo de compleição morena e sobrancelhas cerradas muito pretas, apresentou: — Este é meu colega, Detetive Siriani. A senhorita é Kay Adams? — Kay balançou a cabeça, confirmando. — A senhorita permite que entremos — prosseguiu Phillips — para falar-lhe por alguns minutos? É sobre Michael Corleone.

Ela se afastou, a fim de deixá-los entrar. Nesse momento, o pai dela apareceu no pequeno corredor lateral que dava para o seu gabinete particular.

— Kay, que é? — indagou.

Seu pai era um homem de cabelo grisalho, franzino, de aspecto distinto, que não somente era pastor da igreja batista da cidade, como também tinha a reputação nos círculos religiosos de um homem erudito. Kay realmente não conhecia bem o pai. Ele era uma incógnita para ela, mas sabia que ele a amava, mesmo que desse a impressão de que a achava desinteressante. Embora jamais tivessem sido íntimos, confiava nele. Assim, respondeu simplesmente:

— Estes homens são detetives de Nova York. Querem fazer-me algumas perguntas sobre um rapaz que eu conheço.

O Sr. Adams não pareceu surpreendido.

— Por que não vamos para o meu gabinete? — perguntou.

— Preferimos falar com a sua filha a sós, Sr. Adams — atalhou gentilmente o Detetive Phillips.

— Isto depende de Kay, penso eu —. retrucou cortesmente o Sr. Adams. — Minha querida, você quer falar com estes cavalheiros a sós, ou prefere ter-me presente? Ou talvez a sua mãe?

— Quero falar com eles a sós — falou a moça.

— Vocês podem usar o meu gabinete — disse o Sr. Adams a Philips. Ficarão para o almoço?

Os dois homens recusaram. Kay conduziu-os ao gabinete.

Eles se instalaram incomodamente na beira do divã, enquanto ela escolheu a grande cadeira de couro do pai. O Detetive Phillips iniciou a conversação dizendo:

— Senhorita Adams, a senhorita viu ou teve alguma notícia de Michael Corleone durante as três últimas semanas?

Esta pergunta foi o suficiente para fazê-la compreender a situação. Há três semanas passadas, lera os jornais de Boston com suas manchetes, sobre o assassinato de um capitão da polícia de Nova York e um contrabandista de narcóticos chamado Virgil Sollozzo. Um jornal dissera que isso era um episódio da guerra entre quadrilhas, na qual estava metida a Família Corleone.

— Não — Kay balançou a cabeça — a última vez que o vi, ele ia ver o pai no hospital. Isso foi talvez há coisa de um mês.

— Sabemos tudo a respeito desse encontro — atalhou o outro detetive com voz áspera. — A senhorita o viu, ou teve alguma notícia dele desde então?

— Não — respondeu Kay.

— Se a senhorita tem algum contato com ele — falou o Detetive Phillips com voz delicada — nós gostaríamos de saber. É muito importante falarmos com Michael Corleone. Devo preveni-la de que se a senhorita entrar em contato com ele, poderá meter-se numa situação perigosa. Se a senhorita ajudá-lo de alguma forma, poderá complicar-se seriamente.

— Por que não devo ajudá-lo? — perguntou Kay, endireitando-se na cadeira. — Nós vamos casar, gente casada ajuda uma a outra.

Foi o Detetive Siriani que respondeu a ela.

— Se a senhorita ajudá-lo, poderá ser acusada de cúmplice de crime. Estamos procurando o seu namorado porque ele matou um capitão da polícia de Nova York e mais um informante com quem o oficial da polícia estava conversando. Sabemos que foi Michael Corleone quem atirou neles.

Kay deu uma gargalhada, mas uma gargalhada tão espontânea, tão incrédula, que os policiais ficaram impressionados.

— Mike não faria uma coisa como essa — retrucou ela. — Ele nunca teve nada em comum com a família. Quando fomos ao casamento da irmã dele, era evidente que ele era tratado como um estranho, quase com a mesma indiferença com que eu fui tratada. Se está escondido agora, é só para que não haja publicidade em torno dele, para que o seu nome não seja arrastado com tudo isso. Mike não é um gangster. Eu o conheço melhor do que vocês ou do que qualquer outra pessoa. É um rapaz muito distinto para fazer uma coisa tão desprezível como cometer um assassinato. É a pessoa mais respeitadora da lei que eu conheço, nunca soube que ele mentia.

— Há quanto tempo a senhorita o conhece? — indagou o Detetive Phillips gentilmente.

— Há mais de um ano — respondeu Kay, surpreendendo-se quando os dois homens sorriram.

— Acho que existem algumas coisas que a senhorita precisa saber — disse o Detetive Phillips. — Na noite em que ele deixou a senhorita, foi para o hospital. Quando saiu dali, teve uma discussão com um capitão da polícia que fora ao hospital, a serviço. Ele atacou esse oficial da polícia e levou a pior. De fato, ele sofreu uma fratura do maxilar e perdeu alguns dentes. Seus amigos levaram-no para a casa da Família Corleone, em Long Beach. Na noite seguinte, o capitão da polícia com quem ele brigara foi mortalmente baleado e Michael Corleone desapareceu. Sumiu. Temos os nossos contatos, os nossos informantes. Todos eles apontam Michael Corleone, mas não temos provas suficientes para um tribunal de justiça. O garçom que testemunhou os disparos não reconheceu um retrato de Mike, mas pode reconhecê-lo em pessoa. E temos o motorista de Sollozzo, que se recusa a falar, mas podemos fazê-lo falar se tivermos Michael Corleone em nosso poder. Assim, todo o nosso pessoal o está procurando, bem como o FBI e um mundo de gente. Até agora, não tivemos sorte. Desse modo, pensamos que talvez a senhorita fosse capaz de nos dar alguma pista.

— Não acredito numa palavra disso — acrescentou Kay friamente.

Porém, sentiu-se um tanto pesarosa, ao saber que a notícia de que Mike tivera o maxilar fraturado podia ser verdadeira. Não que isso pudesse levar Mike a cometer um assassinato.

— Promete nos comunicar se Mike entrai em contato com a senhorita? — inquiriu Philips.

Kay balançou a cabeça negativamente.

— Sabemos que vocês dois estiveram dormindo juntos — acrescentou grosseiramente o Detetive Siriani Temos os registros dos hotéis e testemunhas. Se deixarmos essa informação chegar ao conhecimento dos jornais, seu pai e sua mãe se sentirão muito mal. Gente respeitável, como realmente é, eles não gostarão de saber que a filha andou dormindo com um gangster. Se a senhorita não falar a verdade agora mesmo, chamarei seu velho aqui e contarei tudo direitinho a ele.

Kay olhou para o detetive espantada. Em seguida, se levantou, foi até a porta do gabinete e abriu-a. Avistou o pai em pé à janela da sala de estar, fumando o seu cachimbo.

— Papai, você pode vir até aqui? — gritou ela então.

Ele virou-se, sorriu para ela e veio caminhando para o gabinete. Quando atravessou a porta, passou o braço em torno da cintura da filha e encarou os detetives dizendo:

— Às suas ordens, cavalheiros.

Vendo que ficaram mudos, Kay disse friamente ao Detetive Siriani:

— Conte tudo direitinho a ele, meu senhor.

Siriani ficou vermelho.

— Sr. Adams, vou contar-lhe isso, para o próprio bem de sua filha. Ela anda se misturando com um mau elemento que, temos motivo para acreditar, matou um oficial da polícia. Estou dizendo a ela que pode complicar-se seriamente se não cooperar conosco. Mas parece que ela não compreende como toda essa questão é séria. Talvez o senhor possa falar com ela.

— Isso é absolutamente inacreditável — respondeu o Sr. Adams delicado.

Siriani moveu o queixo.

— Sua filha e Michael Corleone têm saído juntos há mais de um ano. Têm pernoitado juntos em hotéis, registrados como marido e mulher. Michael Corleone está sendo procurado para ser interrogado sobre o assassinato de um oficial da polícia. Sua filha se recusa a nos dar qualquer informação que nos possa ajudar. Estes são os fatos. O senhor pode achá-los incríveis, mas posso provar tudo isso.

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