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O Poderoso Chefão [em Portugues]

Электронная книга - «O Poderoso Chefão [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Numa reconstrução do mundo dos mafiosos, que imortalizou o personagem Don Corleone, Mario Puzo leva o leitor ao próprio coração da Máfia, revelando toda a violência, chantagem, terror e degradação que a caracterizam. Don Corleone é um dos cabeças da Máfia nova-iorquina, pessoa benevolente que obedece a um critério de justiça muito pessoal. Ele pode ser um amigo prógigo, mas se torna implacável na eliminação de obstáculos que contrariem seus objetivos. Movimentando personagens num mundo de violência, negócios, ódio e sexo, Mario Puzo consagrou-se com este livro que foi levado ao cinema com o mesmo sucesso, com Don Corleone interpretado por Marlon Brando.
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Eles atravessaram uma campina e chegaram a um riacho à sombra de uma árvore. Hagen caiu na grama e deu um suspiro. Olhou em volta, deu outro suspiro e disse:

— Neste mundo você poderia fazer isso.

— Ele não é o homem com quem casei — retrucou Kay.

Hagen deu uma pequena gargalhada e replicou:

— Se ele fosse, estaria morto agora. Você seria uma viúva.

— Que diabo quer dizer isso? — retrucou Kay furiosamente. — Vamos, Tom, fale claramente pelo menos uma vez na vida. Sei que Michael não pode, mas você não é siciliano, você pode dizer a verdade a uma mulher, pode tratá-la como um ser igual, como um ser humano semelhante a você.

Houve outro longo silêncio. Hagen balançou a cabeça.

— Você está interpretando Mike mal. Está danada porque ele mentiu para você. Bem, ele a avisou para nunca lhe fazer perguntas sobre negócios. Você ficou danada porque ele foi padrinho do filho de Carlo. Mas foi você quem o fez ser padrinho. Na verdade, era a coisa certa a fazer, se ele queria tomar atitude contra Carlo. O gesto tático clássico para adquirir a confiança da vítima. — Hagen deu um sorriso horrendo e perguntou: — Isso é falar bem claramente para você? — Mas Kay baixara a cabeça.

— Vou-lhe dar mais um pouco de conversa clara — prosseguiu Hagen. — Depois que o Don morreu, Mike estava marcado para morrer. Você sabe quem o marcou? Tessio. Assim Tessio teve de ser morto. Porque a traição não pode ser perdoada. Michael poderia perdoá-lo, mas as pessoas nunca perdoam a si mesmas e assim são sempre perigosas. Michael gostava mesmo de Tessio. Ele adora a irmã. Mas estaria faltando ao seu dever para com você e seus filhos, para com toda a Família, para comigo e minha família, se deixasse Tessio e Carlo irem embora livremente. Eles seriam um perigo para todos nós.

Kay ouvira tudo isso com as lágrimas nos olhos.

— Foi isso o que Michael mandou você aqui me dizer?

Hagen olhou para ela com verdadeira surpresa.

— Não — respondeu Tom. — Ele me pediu que eu lhe dissesse que você é o Don dele. Isto é apenas uma brincadeira.

Kay pôs a mão no braço de Hagen e perguntou:

— Ele não mandou você me dizer todas as outras coisas?

Hagen hesitou por um momento como se estivesse se debatendo se devia contar a ela uma última verdade.

— Você ainda não compreende — disse ele. — Se você contasse a Michael o que eu lhe disse hoje, aqui, eu seria um homem morto. — Ele fez nova pausa e arrematou. — Você e os filhos são as únicas pessoas neste mundo a quem ele não pode fazer mal.

Passaram-se uns longos cinco minutos para que Kay se levantasse da grama e eles começassem a caminhar de volta para casa. Quando já estavam chegando, Kay perguntou a Hagen:

—. Depois do jantar, você pode levar a mim e as crianças para Nova York no seu carro?

— Foi para isso que eu vim — respondeu Hagen.

Uma semana depois que voltou para a companhia de Michael, Kay foi a um padre instruir-se para se tornar católica.

Do recesso mais profundo da igreja o sino soou o toque de arrependimento. Como lhe haviam ensinado a fazer, Kay bateu ligeiramente no peito com a mão fechada, a batida de arrependimento. O sino soou novamente e ouviu-se o arrastar de pés, quando os comungantes deixaram seus assentos para ir até a grade do altar. Kay levantou-se para se juntar a eles. Ajoelhou-se perante o altar, e do fundo da igreja veio novamente o som do sino tocando. Com a mão fechada, ela bateu outra vez no coração. O padre estava diante dela. Kay inclinou a cabeça para trás e abriu a boca para receber a hóstia. Foi o mo mento mais terrível de todos. Até que se derreteu e ela pôde engolir e fazer o que viera ali realmente fazer.

Lavada do pecado, uma suplicante atendida, ela baixou a cabeça e cruzou as mãos na grade do altar. Mudou a posição do seu corpo para aliviar o peso que incidia sobre os seus joelhos.

Livrou a mente de todos os pensamentos a respeito de si mesma, de seus filhos, de todo rancor, de toda rebelião, de todas as dúvidas. Depois, com um desejo profundo e realmente espontâneo de crer, de ser ouvida, como fazia todos os dias desde a morte de Carlo Rizzi, ela pronunciou as necessárias orações pela alma de Michael Corleone.

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