Fiora e Luís XI, Rei de França
- Автор: Бенцони Жюльетта
- Серия: Флорентийка #4
- Язык: португальский
- Жанр: Исторические любовные романы
Электронная книга - «Fiora e Luís XI, Rei de França». Краткое содержание книги:
A despeito da lentidão, os passos das duas mulheres tinham-nas conduzido até ao alpendre que abria para as galerias do pátio de honra agora quase vazio.
Posso pedir-vos um conselho? pediu Fiora. Que faríeis no meu lugar?
Se quereis mesmo encontrá-lo, ou, pelo menos, descobrir-lhe o rasto, é preciso ir a Selongey. Um homem desamparado procura sempre reencontrar as suas raízes, a sua casa paterna...
Eu pensei nisso, claro, mas o sire de La Trémoille deve ter o castelo vigiado.
Ele já não é o governador da cidade, é messire d’Ambroise, que é infinitamente mais conciliador. Mas, onde viveis vós?
Em Touraine. E se ele tivesse ido ter comigo, eu não estava aqui à procura dele. Passou-se muito tempo desde o Natal...
Nesse caso, ide à Borgonha e começai por Selongey! Espantar-me-ia muito se não encontrásseis lá, pelo menos, um indício. Dito isto, tereis muita dificuldade em encontrar o vosso marido, porque ele deve estar escondido. E ides correr perigos, talvez inúteis. No fundo, o mais sensato seria regressardes a casa e esperar...
O quê? Que ele volte? Ele não volta.
Nesse caso, por que essa obstinação? Se, ao menos, tivésseis filhos!
Eu tenho um filho! disse Fiora, que acrescentou com amargura: Deus sabe que não passámos muito tempo juntos, mas este casamento insensato foi abençoado com uma criança. Simplesmente, Philippe ignora-o.
Então, tendes de lho ir dizer. Procurai-o, encontrai-o, mas se as vossas buscas forem infrutíferas, regressai para junto do vosso filho para que ele não fique órfão. Deus vos guarde, minha querida! Rezarei por vós!
Puxando Fiora para o seu vasto regaço, Mme. de Schulembourg abraçou-a, traçou com o dedo na sua testa uma pequena cruz e depois, apertando contra si o seu manto forrado, retomou, claudicante, o caminho do jardim. Fiora viu-a afastar-se e após um último olhar para aquele palácio esplêndido construído para os Grandes Duques do Ocidente, mas que já não era senão o cenário vazio de uma grandeza defunta, foi ter com Florent, que a esperava passeando os cavalos no pátio.
Desde a sua partida que Fiora acostumara o jovem ao silêncio. Sem ousar questioná-la quando a viu regressar com os olhos cheios de lágrimas dificilmente contidas, ele compreendeu que a jovem tinha pressa de abandonar aquela residência principesca onde alimentara tantas esperanças. Senão, por que aquela magnífica toillette? O jovem apressou-se a ajudá-la a subir para a sela e colocou suavemente as rédeas entre as suas mãos enluvadas. Saltando para a sua própria montada, precedeu a jovem para que lhe abrissem a porta, afastou-se para lhe dar passagem e seguiu-a. Quando chegaram defronte da Ronce Couronnée, viu que umas grossas lágrimas lhe corriam silenciosamente pelo rosto desprovido de expressão. Elas transbordavam dos grandes olhos cinzentos extremamente abertos e caíam uma a uma, seguindo o desenho delicado dos traços da face. Era mais do que podia suportar.
Isto tem de acabar! resmungou ele. Ajudando Fiora a pôr pé em terra, o jovem chamou um palafreneiro, ordenou-lhe que tratasse dos animais e depois, segurando no braço da jovem que não opôs resistência e que parecia entorpecida, conduziu-a até ao quarto, entrou, fê-la sentar-se, foi fechar a porta e regressou para se ajoelhar perante ela, segurando entre as suas as duas mãos que lhe pareceram frias como gelo:
Donna Fiora! pediu ele. Pensava que tínheis confiança em mim.
Como que saindo de um sonho, ela pousou no jovem um olhar que não via:
Eu tenho confiança em vós, Florent disse ela com voz neutra. Por que me perguntais isso?
Porque me parece ter-me tornado para vós, não só um estranho, mas também uma espécie de móvel. Desde que saímos de Beaugency que parece que não me vedes. Fartámo-nos de correr, corremos perdidamente para chegar aqui, sem que vos dignásseis explicar-me as vossas intenções.
E tem mesmo de ser?
Não, se não passo, para vós, de um criado, mas vós sabeis a que ponto vos sou dedicado e recuso-me a deixar-vos sofrer sozinha e em silêncio. Se a sra Léonarde estivesse aqui nunca lamentei tanto que não esteja! também teria direito a esse mutismo? Não, não é verdade? Dir-lhe-íeis tudo... Oh! Eu sei que não a posso substituir, mas dizei-me, ao menos, como posso ajudar-vos, como tornar-vos menos infeliz, porque é evidente que vos sentis muito infeliz!
Fiora acenou com a cabeça e, com um dedo, acariciou levemente a face do jovem:
Que vos poderia dizer, quando eu própria não sei o que hei-de fazer? Levantai-vos, Florent. e ide buscar-me qualquer coisa para eu beber, mas cerveja não, peço-vos. Trazei-me vinho e depois, juntos, tentaremos arranjar um plano, tomar uma decisão...
Não vamos regressar a casa?
Não me parece. Pelo menos para já.
Para onde vamos?
Para a Borgonha. Já é tempo, talvez, de eu ir a Selongey. Passei por lá... oh, só por instantes, quando vim de Florença, há quatro anos.
Nunca mais lá voltastes?
Não. É estranho, não é, ter um nome, um título, e não saber nada, ou quase nada do que eles escondem?
Uma hora mais tarde, estimulados pelo calor de um excelente vinho de Beaune, Fiora e Florent decidiam, de comum acordo, que se impunha uma visita a Selongey.
É o único sítio onde ir afirmou o jovem porque é, creio, o último refúgio possível para o vosso marido.
Os homens do Rei vigiam, sem dúvida, o castelo!
Talvez, mas resta a aldeia e toda a região em redor. Se messire Philippe é amado lá...
Creio que sim. Pelo menos, foi o que me disse Léonarde, que é daquelas bandas...
Confesso-vos que não compreendo por que razão ainda não estamos a caminho! Nem por que pareceis tão desamparada!
É difícil de explicar, Florent, mas tenho a impressão de correr atrás de uma sombra...
A jovem não acrescentou que estava cansada daqueles caminhos, pequenos ou grandes, nos quais hipotecava a esperança e que não iam dar a parte nenhuma, senão a um pouco mais de decepção, a um pouco mais de desgosto; de todos aqueles caminhos sem saída que lhe tinham marcado a vida. Tinha de seguir ainda mais um, mas para saber o quê, à chegada? Que Philippe nunca a amara e que a sua vida de mulher terminava antes mesmo de ter começado?
Terceira parte
A JUSTIÇA DO REI
CAPÍTULO X
O TÚMULO DO TEMERÁRIO
Foi em Saint-Dizier que Fiora decidiu mudar de caminho.
No albergue onde ela e Florent faziam etapa e onde tomavam a refeição da noite na grande cozinha como os simples companheiros de viagem que eram, tendo decidido usar de novo o fato masculino, a jovem interessou-se pela conversa de uns mercadores da Lorena que iam a caminho de Troyes. Aqueles homens, enquanto satisfaziam as exigências dos seus robustos apetites, cobriam de louvores o jovem duque Renato II de Lorena que, depois da batalha de Janeiro de 1477, onde o Temerário encontrara a morte, se esforçava por reconstruir Nancy, por relançar o comércio e por promulgar as melhores leis no sentido de tentar curar os cruéis ferimentos sofridos pela cidade
Nunca nenhum príncipe dizia um deles foi mais esmoler e mais generoso, enquanto vive com a família num palácio do qual só resta uma parte. Mas a cidade está antes do palácio. O príncipe também se esforça por ajudar os conventos, dos quais alguns sofreram muito, a recomeçar a vida.
Não tem de se preocupar muito com os cónegos da colegial de Saint-Georges. Esses continuam gordos disse o outro.
Mas preocupa-se com os beneditinos que continuam no priorado de Notre-Dame. Eles estão encarregues de rezar pelos mortos das guerras borgonhesas, o que não dá de comer a ninguém.