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Электронная книга - «Fiora e Luís XI, Rei de França». Краткое содержание книги:

Eis que chega o quarto e último volume da série A FLORENTINA e que tanto sucesso tem alcançado junto do público. Desta feita, Fiora - após conseguir escapar da prisão em Roma - consegue avisar Lourenço de Médicis da conspiração, comandada pelo Papa, que visava o extermínio da casa de Médicis. Em sinal de gratidão, Lourenço instala Fiora em Florença e os dois acabam por se envolver amorosamente.Mas os acontecimentos vão precipitar-se com a chegada a Florença do embaixador de França que não só traz uma notícia surpreendente como ainda lhe transmite a ordem de Luís XI para que regresse à corte francesa...
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Que não é possível qualquer dúvida. Só uma mulher tão bela como vós seria capaz de convencer messire Philippe a casar. Quereis seguir-me? A senhora duquesa espera-vos.

Atrás da sua guia, Fiora perdeu o sentido da direcção. Subiram escadas, seguiram por galerias e vastas salas com as mais belas tapeçarias tecidas a ouro que alguma vez vira. Desceram até um jardim onde um cipreste dominava uma grande quantidade de roseiras. Viram de relance grandes viveiros de pássaros e, finalmente, foram dar a uma construção isolada por uma parede e cujos vastos telhados e torreões estavam revestidos de telhas verdes. Por cima flutuavam bandeiras vivamente coloridas. Jardins, pátios e construções fervilhavam de servidores.

Este palácio é imenso! observou Fiora. Muito maior do que me pareceu à primeira vista!

É por causa da porta, que tem um aspecto fraco, mas o defunto duque Filippe dizia que, tal como a entrada do Paraíso, a do seu palácio devia ser estreita para maior segurança. Eis-nos chegadas: aqui é o paço verde, chamado assim por causa da cor do seu telhado. Madame Maria acha o palácio demasiado vasto, prefere uma residência um pouco mais íntima...

íntima, talvez, mas tão faustosa quanto o resto. Se as guerras do Temerário tinham arruinado a sua família e a Borgonha, não parecia naquela casa, onde tudo era de um luxo extremo. Mme. d’Hallwyn gozava, visivelmente, com a surpresa da sua companheira:

E ainda não tivestes ocasião de admirar os ”balneários”. São únicos e encontram-se lá, para além das salas de banho, estufas de vapor quente e salas de repouso das mais agradáveis do mundo. Mas, estamos a chegar.

Um instante mais tarde, numa galeria amplamente iluminada por umas altas janelas ogivais com vitrais de cores vivas, Fiora saudou profundamente uma jovem alta que devia ter mais ou menos a sua idade. A jovem teve de reconhecer, se bem que não lhe provocando qualquer prazer, que era encantadora: magra e graciosa, Maria de Borgonha possuía uma pele de uma brancura deslumbrante, um nariz pequeno, belos olhos vivos de um castanho ligeiro e uma abundante cabeleira de um belo castanho-dourado que uma coifa de veludo verde e musselina branca segurava mal. Com toda a evidência, devia parecer-se com a sua mãe, aquela Isabel de Bourbon morta quando ela era criança e que fora o grande, o único amor do Temerário. Dele, ela tinha a boca carnuda, marcada por uma ruga de obstinação e o queixo arredondado e ligeiramente pontiagudo que lhe dava ao rosto um pouco a forma de um coração.

A duquesa olhou por um momento para a jovem meio ajoelhada na sua reverência com uma curiosidade que não se deu ao cuidado de dissimular.

Perguntei a mim mesma muitas vezes se vos veria um dia, Madame disse ela com voz clara. Sois, portanto, a Fiora de Selongey que foi, durante muito tempo, a amiga do meu pai?

Refém seria mais justo, senhora duquesa. Não foi por minha vontade que segui monsenhor Carlos!

Levantai-vos! Disseram-me, de facto... no entanto, tivestes a sorte de pertencer ao seu séquito... até ao fim.

Vossa Senhoria pode dizer até ao último minuto. Eu vi o duque, na manhã de Nante montar no seu cavalo Moro e afastar-se na bruma na direcção da sua última batalha. Tive, também, o privilégio de assistir ao seu funeral...

Enquanto ela falava, o rosto um pouco tenso de Maria animou-se, coloriu-se:

Por que não viestes mais cedo? Meu Deus! Teria tantas perguntas para vos fazer, tantas coisas para vos dizer! O meu pai sei-o, estimava a vossa coragem...

O meu marido nunca exprimiu o desejo de me conduzir até junto de Vossa Senhoria e não escondo que se ergueu entre nós um grave diferendo. Mas isso, agora, não tem importância e como não quero retardar a vossa partida para a caça...

É verdade, meu Deus, a caça! Madame d’Halwynn ide dizer ao senhor meu marido que parta sem mim. Eu hoje não vou à caça.

Mas cortou Fiora não é necessário o vosso marido privar-se...

Eu posso caçar noutro dia qualquer. Hoje, prefiro falar convosco... a menos que não vos importeis de ficar neste palácio durante alguns dias?

Não, senhora duquesa! Agradeço-vos, mas se o meu marido não se encontra em Bruges, partirei amanhã.

Maria de Borgonha perscrutou, de novo, o rosto da sua visitante, procurando nele, talvez, o reflexo de uma emoção que não encontrou.

Vinde comigo! Temos, mesmo, de falar.

Seguindo a duquesa, Fiora atravessou um grande quarto sumptuosamente mobilado onde duas damas de linhagem, de imediato mergulhadas numa grande reverência, se afadigavam a arrumar roupa branca e toucados e foi ter a uma pequena divisão revestida a veludo vermelho com galões dourados que lhe fez lembrar, em ponto mais pequeno, evidentemente, a faustosa tenda onde vira pela primeira vez o Temerário. O mobiliário compunha-se sobretudo de livros, de uma escrivaninha e, em frente da chaminé em forma de funil, de um banco comprido coberto de almofadas, sobre o qual Maria se sentou, puxando Fiora para junto de si.

Philippe de Selongey é um homem pouco falador suspirou ela e eu não percebi bem a vossa história, mas como não quero forçar as vossas confidências, dizei-me apenas há quanto tempo não vedes o vosso marido?

Há dois anos, Vossa Senhoria. A vida compraz-se em nos separar sem cessar e eu tenho sofrido muito. É por isso que quero tanto encontrá-lo.

Que vos fez pensar que ele estava aqui?

Monsenhor o grande bastardo Antoine, que encontrei por acaso.

Um brilho de cólera atravessou o olhar castanho e a bela boca redonda apertou-se:

O meu querido tio que, mal o meu pai desceu à terra, se apressou a passar para o lado do meu querido padrinho, o Rei Luís! Nós somos, na verdade, uma família estranha, na qual o padrinho espolia a sua pupila e os ”melhores” amigos do meu pai o ajudam nessa tarefa...

Monsenhor Antoine pensa que o que foi terra de França deve regressar à terra de França. É pena que Vossa Senhoria não tenha podido casar com o delfim Carlos. Teríeis sido uma grande rainha...

Imaginais-me a casar com uma criança de oito anos? exclamou Maria, rindo. Evidentemente, é tentador reinar sobre a França, mas também serei, pelo menos assim espero, uma boa imperatriz da Alemanha. Dito isto, o que vos disseram é verdade: messire Philippe estava aqui no Natal. Suponho que foi por Mme. de Schulembourg que o grande bastardo soube! Ela é muito amiga da mulher dele...

Foi ela, de facto. Posso perguntar onde se encontra o meu marido?

A duquesa levantou-se e deu duas ou três vezes a volta à sala antes de se deter diante de Fiora.

Como posso sabê-lo? Ele só cá ficou dois ou três dias. Vós, os Selongey, pareceis incapazes de ficar muito tempo no mesmo sítio.

Para onde foi ele?

Não sei! E nem sequer percebi o motivo da sua vinda. Dele só vimos a sua cara à banda! E na época das mais belas festas do ano!

Fiora reteve um sorriso desdenhoso. Aquela princesinha bem se esforçava por mostrar que tinha o mesmo sangue fervilhante do Temerário e seria o diabo se alguém duvidasse! Com a sua tez de flor-de-lis, os olhos sonhadores e os vestidos talhados à alemã que lhe achatavam o peito sob um conjunto de bordados dourados e lhe engrossavam a cintura, não evocava em nada a lenda trágica e grandiosa que aureolava o último dos duques da Borgonha. Uma cara à banda, na verdade? Esperaria ela que um homem que acabara de sofrer tantas provações tivesse um aspecto divertido e estivesse disposto a dançar nos bailes da corte?

Creio, Madame disse ela com amargura que ele vinha em busca de algo impossível. Algo que vós fostes incapaz de lhe dar.

E que algo foi esse?

Amor. Penso que ele ama Vossa Senhoria, que sempre amou e que não pôde suportar ver-vos casada e feliz, porque vós sois feliz, não sois, Madame?

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