A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Havia alguma coisa em Brancarbor?
– Ossos, cinzas e casas vazias – Jon entregou a Sam o rolo de pergaminho. – O Velho Urso quer enviar notícias a Aemon.
Sam retirou uma ave de uma das gaiolas, afagou suas penas, prendeu a mensagem nela e disse:
– Voa agora para casa, meu bravo. Para casa – o corvo crocitou qualquer coisa ininteligível em resposta, e Sam o atirou ao ar. Batendo as asas, abriu caminho para o céu por entre as árvores. – Gostaria que pudesse me levar com ele.
– Ainda?
– Bem – Sam respondeu –, sim, mas… Na verdade, já não estou tão assustado como antes. Na primeira noite, sempre que ouvia alguém se levantar para ir urinar pensava que eram selvagens que se esgueiravam e vinham cortar minha garganta. Tinha medo de fechar os olhos e não poder voltar a abri-los, só que… bem… a alvorada chegava, no fim – deu um sorriso abatido. – Posso ser um covarde, mas não sou estúpido. Estou dolorido e minhas costas doem de montar e de dormir no chão, mas já estou muito pouco assustado. Olha – Sam estendeu uma mão para Jon ver como estava firme. – Tenho andado trabalhando nos meus mapas.
O mundo é estranho, Jon pensou. Duzentos homens de coragem tinham deixado a Muralha para trás, e o único que não estava ficando mais temeroso era Sam, o covarde confesso.
– Ainda faremos de você um patrulheiro – brincou. – Daqui a pouco vai querer ser um batedor como Grenn. Devo falar com o Velho Urso?
– Não se atreva! – Sam puxou o capuz do seu enorme manto negro e subiu afobadamente no cavalo. Era um cavalo de trabalho, grande, lento e desajeitado, porém mais capaz de suportar seu peso do que os pequenos garranos que os patrulheiros montavam. – Tinha esperança de que pudéssemos passar a noite na aldeia – ele disse, melancólico. – Seria agradável voltar a dormir sob um teto.
– Não há tetos suficientes para todos.
Jon voltou a montar, ofereceu a Sam um sorriso de despedida e afastou-se. A coluna já tinha avançado bastante, por isso deu uma volta larga em torno da aldeia para evitar o congestionamento maior. Já tinha visto o bastante de Brancarbor.
Fantasma emergiu dos arbustos tão subitamente que o garrano se assustou e empinou. O lobo branco caçava bem longe da linha de marcha, mas não andava tendo melhor sorte do que os forrageadores que Smallwood enviava em busca de caça. Os bosques estavam tão vazios como as aldeias, disse-lhe Dywen junto ao fogo numa noite.
– Somos um grupo grande – Jon lhe respondera. – A caça provavelmente assustou-se com todo o barulho que fizemos na marcha.
– Assustou-se por causa de alguma coisa, sem dúvida – Dywen rebateu.
Depois que o cavalo se acalmou, Fantasma saltitou com facilidade a seu lado. Jon alcançou Mormont no momento em que o comandante ziguezagueava em torno de uma moita de espinheiros.
– A ave está a caminho? – perguntou o Velho Urso.
– Sim, senhor. Sam anda ensinando-as a falar.
O Velho Urso fungou:
– Vai se arrepender. Esses malditos fazem muito barulho, mas nunca dizem nada que valha a pena ouvir.
Avançaram em silêncio, até que Jon voltou a falar:
– Se meu tio também encontrou todas estas aldeias vazias…
– … teria assumido a missão de investigar por que – Lorde Mormont terminou por ele –, e pode bem ser que algo ou alguém não quisesse que se soubesse do motivo. Bem, seremos trezentos quando Qhorin se juntar a nós. Qualquer que seja o inimigo que nos espera adiante, não achará assim tão fácil lidar conosco. Vamos encontrá-los, Jon, prometo.
Ou eles vão nos encontrar, Jon pensou, mas não falou.
Arya
O rio era uma fita azul-esverdeada brilhando ao sol da manhã. Juncos cresciam espessos nos baixios ao longo das margens, e Arya viu uma cobra-d’água deslizar pela superfície, criando ondulações que se alargavam atrás de si. No alto, um falcão voava em círculos preguiçosos.
Parecia um lugar pacífico… Até Koss ver o morto.
– Ali, nos juncos – ele apontou, e Arya viu o corpo de um soldado, sem forma e inchado. Seu manto verde encharcado estava preso num tronco apodrecido, e um cardume de minúsculos peixes prateados mordiscava sua face.
– Eu disse a vocês que havia corpos – Lommy anunciou. – Podia sentir o gosto deles na água.
Quando Yoren viu o cadáver, cuspiu:
– Dobber, vê se ele tem alguma coisa que valha a pena levar. Cota de malha, faca, umas moedas, qualquer coisa.
Esporeou seu castrado e avançou pelo rio adentro, mas o cavalo sentiu dificuldades com a lama mole, e para lá dos juncos a água aprofundava-se. Yoren voltou, zangado, com o cavalo coberto de lodo marrom até os joelhos.
– Não vamos atravessar aqui. Koss, venha comigo, para cima, em busca de um vau. Woth, Gerren, vocês vão para baixo. O resto espera aqui. Fiquem de guarda.
Dobber encontrou uma bolsa de couro no cinto do morto. Lá dentro havia quatro moedas de cobre e uma pequena madeixa de cabelo louro atada em uma fita vermelha. Lommy e Tarber tiraram a roupa e entraram na água. Lommy pegou punhados de lama viscosa e atirou-os em Torta Quente, aos gritos de “Torta de Lama! Torta de Lama!”. Na sua carroça, Rorge praguejou, ameaçou-os e disse-lhes para o desacorrentarem enquanto Yoren estava longe, mas ninguém lhe deu atenção. Kurz pegou um peixe com as mãos. Arya viu como ele fez, em pé numa poça rasa, calmo como águas paradas, lançando a mão, rápida como uma serpente, quando o peixe nadou por perto. Não parecia ser tão difícil como apanhar gatos. Os peixes não tinham garras.
Era meio-dia quando os outros voltaram. Woth falou de uma ponte de madeira a meia milha para jusante, mas alguém a tinha queimado. Yoren puxou uma folhamarga do seu fardo:
– Podíamos passar os cavalos a nado e, talvez, também os burros, mas não tem como fazer passar as carroças. E há fumaça a norte e a oeste, mais incêndios. Pode ser que este lado do rio seja o lugar onde queremos ficar – Yoren pegou um longo pau e desenhou um círculo na lama, com uma linha saindo dele pela parte de baixo. – Isto é o Olho de Deus, com o rio seguindo ao sul. Estamos aqui – fez um buraco ao lado da linha do rio, abaixo do círculo. – Não podemos dar a volta pela margem oeste do lago, como eu pensava. Para leste, voltamos à estrada do rei – ele deslocou o pau para onde a linha e o círculo se encontravam. – Se me lembro bem, há aqui uma vila. O castro é de pedra, e há um fidalgo que tem casa ali, é só uma casa-torre, mas deve ter sua guarda, e pode haver um cavaleiro ou dois. Seguimos o rio para norte, devemos chegar lá antes da noite. Devem ter barcos, e vou tentar vender tudo o que temos para alugar um para nós – agora Yoren riscava por cima do círculo que representava o lago, de baixo para cima. – Se os deuses forem bons, vamos ter vento para velejar e atravessar o Olho de Deus até Vila de Harren – espetou a ponta do pau no topo do círculo. – Lá podemos comprar novas montarias, ou então procurar refúgio em Harrenhal. É o domínio da Senhora Whent, e ela sempre foi amiga da Patrulha.
Os olhos de Torta Quente esbugalharam-se.
– Há fantasmas em Harrenhal.
Yoren cuspiu:
– Ao diabo com os seus fantasmas – ele atirou o pau na lama. – Montem.
Arya estava lembrando das histórias que a Velha Ama costumava contar de Harrenhal. O malvado Rei Harren tinha se trancado lá dentro, e por isso Aegon soltou os dragões e transformou o castelo numa pira. A Ama dizia que os espíritos do fogo ainda assombravam as torres enegrecidas. Às vezes, os homens iam dormir seguros em suas camas e eram encontrados mortos pela manhã, completamente queimados. Arya não acreditava nisso de verdade, e, fosse como fosse, tinha acontecido muito tempo atrás. Torta Quente estava sendo bobo; não haveria fantasmas em Harrenhal, mas sim cavaleiros. Arya poderia se revelar à Senhora Whent, e os cavaleiros iriam escoltá-la para casa e mantê-la a salvo. Era o que os cavaleiros faziam; mantinham-nos a salvo, especialmente as mulheres. Talvez a Senhora Whent até pudesse ajudar a menina chorona.