A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Já chovia havia dias, um dilúvio frio e cinzento que se ajustava ao estado de espírito de Catelyn. O pai ia ficando mais fraco e mais delirante a cada dia que passava, acordando apenas para murmurar “Tanásia” e pedir perdão. Edmure evitava-a, e Sor Desmond Grell ainda lhe negava a liberdade de castelo, por mais infeliz que isso parecesse deixá-lo. Só o regresso de Sor Robin Ryger e seus homens, de pés cansados e ensopados até os ossos, servira para aliviar seu espírito. Ao que parecia, tinham voltado a pé. De algum modo, o Regicida tinha conseguido afundar a galé e escapar, confidenciara-lhe o Meistre Vyman. Catelyn perguntou se podia falar com Sor Robin, para saber melhor o que tinha acontecido, mas isso foi-lhe recusado.
Algo mais estava errado. No dia em que o irmão voltara, algumas horas depois da discussão com ele, ouvira vozes iradas vindas do pátio, embaixo. Quando ela subiu ao telhado para ver o que se passava, havia grupos de homens reunidos do outro lado do castelo, junto ao portão principal. Cavalos estavam sendo trazidos dos estábulos, selados e ajaezados, e havia gritos, embora Catelyn estivesse distante demais para discernir as palavras. Um dos estandartes brancos de Robb jazia no chão, e um dos cavaleiros tinha dado a volta com o cavalo e pisoteado o lobo gigante ao esporear a montaria na direção do portão. Vários dos outros fizeram o mesmo. Aqueles são homens que lutaram com Edmure nos vaus, pensou. O que poderá tê-los deixado tão zangados? Será que meu irmão os afrontou de algum modo, os insultou? Pensou ter reconhecido Sor Perwyn Frey, que fora e voltara com ela até Pontamarga e Ponta Tempestade, e também o seu meio-irmão bastardo, Martyn Rivers, mas do local em que se encontrava era difícil ter certeza. Perto de quarenta homens jorraram dos portões do castelo, não sabia para que fim.
Não retornaram. E Meistre Vyman também não queria lhe dizer quem tinham sido, para onde tinham ido ou o que os deixara tão zangados.
– Estou aqui para cuidar do seu pai, e só para isso, senhora – dizia. – Seu irmão em breve será Senhor de Correrrio. O que ele quiser que você saiba será dito por ele.
Mas agora Robb voltara do oeste, retornava em triunfo. Ele vai me perdoar, disse Catelyn a si mesma. Ele tem de me perdoar, é meu filho, e Arya e Sansa são tanto do sangue dele como do meu. Ele vai me libertar destes quartos e então saberei o que aconteceu.
Quando Sor Desmond veio buscá-la, já tinha tomado banho, se vestido e escovado seus cabelos ruivos.
– O Rei Robb retornou do oeste, senhora – disse o cavaleiro –, e ordena que a senhora compareça perante ele no Grande Salão.
Era o momento com que sonhara e que temera. Será que perdi dois filhos, ou três? Em breve saberia.
O salão estava cheio de gente quando entrou. Todos os olhos estavam postos no estrado, mas Catelyn conhecia as costas: a cota de malha remendada da Senhora Mormont, o Grande-Jon e seu filho, erguendo-se acima de todas as outras cabeças no salão, Lorde Jason Mallister, de cabelos brancos, com o elmo alado debaixo do braço, Tytos Blackwood com seu magnífico manto de penas de corvo... Metade deles agora vai querer me enforcar. A outra metade poderá limitar-se a desviar os olhos. Tinha também a desconfortável sensação de que faltava alguém.
Robb encontrava-se de pé sobre o estrado. Já não é um garoto, compreendeu com uma súbita angústia. Tem agora dezesseis anos, é um homem-feito. Olhe para ele. A guerra derreteu toda a suavidade de seu rosto e deixou-o duro e magro. Tinha feito a barba, mas os cabelos ruivos caíam, sem corte, sobre seus ombros. As chuvas recentes tinham enferrujado sua cota de malha e deixado manchas marrons no branco do manto e do sobretudo. Ou talvez as manchas fossem sangue. Na cabeça, trazia a coroa de espadas que tinham fabricado para ele em bronze e ferro. Agora usa-a com mais conforto. Usa-a como um rei.
Edmure encontrava-se embaixo do estrado repleto de gente, com a cabeça modestamente inclinada enquanto Robb elogiava sua vitória
– ... caiu no Moinho de Pedra, nunca será esquecido. Pouco admira que Lorde Tywin tenha fugido para enfrentar Stannis. Já não podia mais com homens do Norte e das terras fluviais. – Aquilo gerou risos e gritos de aprovação, mas Robb ergueu uma mão, pedindo silêncio. – Mas não se iludam. Os Lannister voltarão a pôr-se em marcha, e haverá outras batalhas a vencer antes de o reino estar seguro.
O Grande-Jon rugiu “Rei no Norte!” e atirou ao ar um punho revestido de cota de malha. Os senhores dos rios responderam com um grito de “Rei do Tridente!”. O salão trovejou com o som de punhos e pés batendo.
Só alguns repararam em Catelyn e Sor Desmond no meio do tumulto, mas deram cotoveladas nos vizinhos, e um silêncio cresceu lentamente ao seu redor. Ela ergueu bem a cabeça e ignorou os olhares. Que pensem o que quiserem. É o julgamento de Robb que interessa.
Ver o rosto escarpado de Sor Brynden Tully no estrado deu-lhe conforto. Um garoto que não conhecia parecia estar agindo como escudeiro de Robb. Atrás dele, encontrava-se um jovem cavaleiro com um sobretudo cor de areia decorado com conchas marinhas, e um outro, mais velho, que usava três pimenteiros negros sobre uma banda cor de açafrão, com fundo listrado de verde e prata. Entre os dois, encontrava-se uma senhora bonita, de certa idade, e uma bela donzela que parecia ser sua filha. Havia também outra menina, com idade próxima à de Sansa. Catelyn sabia que as conchas eram o símbolo de uma casa menor qualquer; não reconhecia o do homem mais velho. Prisioneiros? Por que Robb traria cativos para o estrado?
Utherydes Wayn bateu com o bastão no chão enquanto Sor Desmond avançava com ela. Se Robb me olhar como Edmure olhou, não sei o que farei. Mas parecia-lhe que não era ira aquilo que via nos olhos do filho, mas outra coisa... talvez apreensão? Não, isso não fazia sentido. O que ele poderia temer? Era o Jovem Lobo, Rei do Tridente e no Norte.
O tio foi o primeiro a saudá-la. Um peixe tão negro como sempre, Sor Brynden não se importava com o que os outros pudessem pensar. Saltou do estrado e puxou Catelyn para si.
– É bom vê-la em casa, Cat – disse, e ela teve de lutar para manter a compostura.
– Igualmente – sussurrou.
– Mãe.
Catelyn ergueu os olhos para o seu alto e régio filho.
– Vossa Graça, rezei por seu regresso em segurança. Ouvi dizer que foi ferido.
– Uma flecha atravessou meu braço durante o assalto ao Despenhadeiro – disse ele. – Mas sarou bem. Tive o melhor dos cuidados.
– Então os deuses são bons. – Catelyn inspirou profundamente. Diga. Não pode ser evitado. – Devem ter contado a você o que eu fiz. Disseram-lhe os motivos?
– Pelas meninas.
– Tinha cinco filhos. Agora tenho três.
– Sim, senhora. – Lorde Rickard Karstark empurrou o Grande-Jon para passar, como um espectro sombrio em sua cota de malha negra e longa barba, malcuidada e grisalha, seu rosto estreito, atormentado e frio. – E eu tenho um filho, quando um dia tive três. Você roubou minha vingança.
Catelyn encarou-o calmamente.
– Lorde Rickard, a morte do Regicida não teria trazido vida aos seus filhos. A sobrevivência dele pode pagar pela vida dos meus.
O lorde não estava apaziguado.
– Jaime Lannister a fez de tola. Comprou um saco de palavras vazias, nada mais. O meu Torrhen e o meu Eddard mereciam mais da senhora.
– Já chega, Karstark – trovejou Grande-Jon, cruzando-lhe o peito com seus enormes braços. – Foi uma loucura de mãe. As mulheres são assim.