A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
O letreiro pintado por cima da porta mostrava a imagem de um velho rei qualquer ajoelhado. Lá dentro ficava a sala comum, onde uma mulher feia e muito alta, com um queixo protuberante, estava em pé, de mãos no quadril, encarando-a com ar zangado.
– Não fique aí parado, menino – exclamou. – Ou é uma menina? Seja como for, está bloqueando a porta. Ou entra ou sai. Limo, que foi que eu disse a respeito do meu chão? Você está pura lama.
– Abatemos um pato. – Limo mostrou-o como uma bandeira de paz.
A mulher arrancou-o de sua mão.
– O que você quer dizer é que o Anguy abateu um pato. Tire as botas, você é surdo ou é só burro? – virou-se. – Marido! – chamou, em voz alta. – Venha aqui pra cima, os rapazes voltaram. Marido!
Um homem com um avental sujo subiu a escada da adega, resmungando. Era uma cabeça mais baixo do que a mulher, e tinha o rosto grumoso e uma pele amarelada e solta, que ainda mostrava as marcas de um tipo qualquer de varíola.
– Estou aqui, mulher, pare de berrar. O que foi agora?
– Pendure isto – disse ela, entregando-lhe o pato.
Anguy remexeu os pés.
– Estávamos pensando em comê-lo, Sharma. Com limões. Se tiver alguns.
– Limões. E onde iríamos arranjar limões? Você acha que está em Dorne, meu idiota sardento? Por que não dá um pulo lá atrás até os limoeiros e colhe um balde para a gente, e também algumas azeitonas e romãs das boas? – sacudiu um dedo em frente ao nariz dele. – Ora bem, suponho que podia cozinhá-lo com o manto do Limo, se quisesse, mas só depois que o pato passar uns dias pendurado. Ou você vai comer coelho, ou não vai comer. Coelho assado no espeto é o mais rápido, se tiver fome. Ou talvez o queira cozido, com cerveja e cebolas.
Arya quase conseguia sentir o gosto do coelho.
– Não temos dinheiro, mas trouxemos algumas cenouras e couves que poderíamos trocar com você.
– Ah, trouxe? E onde estão elas?
– Torta Quente, dê as couves para ela – disse Arya, e ele entregou, embora se aproximasse da velha tão cautelosamente como se ela fosse Rorge, Dentadas ou Vargo Hoat.
A mulher inspecionou bem os legumes, e melhor o garoto.
– Onde está essa torta quente?
– Aqui. Eu. É o meu nome. E ela é a... ah... Pombinha.
– Debaixo do meu teto, não. Dou nomes diferentes aos clientes e aos pratos, para distingui-los uns dos outros. Marido!
O Marido tinha ido até lá fora, mas, ao ouvir o grito da mulher, apressou-se a voltar.
– O pato está pendurado. O que foi agora, mulher?
– Lave estes legumes – ordenou ela. – Os outros, sentem-se enquanto eu começo a cuidar dos coelhos. O garoto vai lhes trazer bebidas. – Olhou ao longo de seu grande nariz para Arya e Torta Quente. – Não tenho o hábito de servir cerveja a crianças, mas a sidra acabou, não há vacas para dar leite, e a água do rio tem gosto de guerra, com todos os mortos que vêm à deriva. Se lhes servisse uma tigela de sopa cheia de moscas mortas, vocês a tomariam?
– Arry tomaria – disse Torta Quente. – A Pombinha, quero dizer.
– E Limo também – sugeriu Anguy, com um sorriso manhoso.
– Não se preocupe com Limo – disse Sharna. – Há cerveja para todos. – E desapareceu na direção da cozinha.
Anguy e Tom Sete-Cordas ocuparam a mesa perto da lareira, enquanto Limo pendurava seu grande manto amarelo num cabide. Torta Quente deixou-se cair pesadamente num banco, junto à mesa perto da porta, e Arya enfiou-se ao lado dele.
Tom pegou a harpa.
– Uma estalagem solitária na estrada da floresta – cantou, inventando lentamente uma melodia que se adaptasse às palavras. – A mulher do estalajadeiro era feia como uma besta.
– Cale a boca, senão não vai ter coelho para ninguém – preveniu-o Limo. – Sabe como ela é.
Arya debruçou-se, aproximando-se de Torta Quente.
– Sabe manejar um veleiro? – perguntou. Antes de ele ter tempo de responder, um rapaz atarracado com quinze ou dezesseis anos apareceu com canecas de cerveja. Torta Quente pegou reverentemente a sua, com as duas mãos, e quando bebeu um trago, deu o sorriso mais largo que Arya já tinha visto nele.
– Cerveja – sussurrou – e coelho.
– Bem, à saúde de Sua Graça – gritou alegremente Anguy, o Arqueiro, erguendo a caneca. – Que os Sete protejam o rei!
– Todos os doze que há por aí – resmungou Limo Manto Limão. Bebeu, e limpou a espuma da boca com as costas da mão.
O Marido entrou em grande correria pela porta da frente, com um avental cheio de legumes lavados.
– Há cavalos estranhos nos estábulos – anunciou, como se eles não soubessem.
– Sim – disse Tom, colocando a harpa de lado –, e melhores do que os três que você deu.
O Marido deixou cair os legumes sobre uma mesa, aborrecido.
– Não os dei. Vendi por um bom preço, e arranjei também um esquife para nós. E, seja como for, o seu grupinho deveria tê-los trazido de volta.
Sabia que eles eram fora da lei, pensou Arya, escutando. A mão desceu para baixo da mesa e tocou o cabo do punhal, para se assegurar de que ainda estava lá. Se tentarem nos roubar, vão se arrepender.
– Não vieram para onde estávamos – disse Limo.
– Bem, eu mandei-os. Vocês deviam estar bêbados, ou dormindo.
– Nós? Bêbados? – Tom bebeu um longo trago de cerveja. – Nunca.
– Podia tê-los pego você mesmo – disse Limo.
– O que, só com o garoto aqui? Já lhes disse duas vezes, a velha estava na Charneca dos Cordeiros ajudando a Fern a parir o bebê. E o mais certo é ter sido um de vocês quem plantou o bastardo na barriga da pobre garota. – Deu a Tom um olhar azedo. – Você, aposto, com essa sua harpa, cantando todas essas canções tristes só para fazer a pobre Fern tirar a roupa de baixo.
– Se uma canção leva uma donzela a querer tirar a roupa e sentir o bom sol quente beijar sua pele, ora, será culpa do cantor? – perguntou Tom. – E, além disso, ela gostava era do Anguy. “Posso tocar o seu arco?”, ouvi Fern perguntando-lhe. “Ooohh, é tão liso, e duro. Acha que eu podia dar uma puxadinha nele?”
O Marido resfolegou.
– Você ou o Anguy, não faz diferença. São tão culpados como eu pelos cavalos. Eram três, sabe? O que pode um homem fazer contra três?
– Três – disse Limo em tom de escárnio –, mas um era mulher e o outro tava acorrentado, foi você mesmo que disse.
O Marido fez uma careta.
– Uma mulher grande, vestida como um homem. E o que estava acorrentado... Não gostei da expressão nos olhos dele.
Anguy exibiu um sorriso por cima da cerveja.
– Quando não gosto dos olhos de um homem, espeto uma flecha num deles.
Arya recordou a flecha que roçara em sua orelha. Queria saber disparar flechas.
O Marido não se mostrou impressionado.
– E você fique calado quando os mais velhos estão conversando. Beba a sua cerveja e segure essa língua, senão mando a velha mostrar-lhe uma colher de pau.
– Os mais velhos falam demais, e não preciso que me diga para beber a minha cerveja. – E deu um grande trago, para mostrar que era assim.
Arya fez o mesmo. Depois de passar dias bebendo de riachos e poças e, depois, do lamacento Tridente, a cerveja tinha um sabor tão bom quanto os golinhos de vinho que o pai costumava deixá-la beber. Começava a vir da cozinha um cheiro que lhe enchia de água a boca, mas seus pensamentos ainda estavam todos naquele barco. Manejá-lo será mais difícil do que roubá-lo. Se esperarmos até estarem todos dormindo...