O fim da eternidade [The End of Eternity - pt]
- Автор: Азимов Айзек
- Год: 1974
- Язык: португальский
- Год: Hemus
- Переводчик: Luiz Carlos Ascencio Nunes
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O fim da eternidade [The End of Eternity - pt]». Краткое содержание книги:
— Desculpado — disse Twissell. Ele estendeu a mão e pegou a da garota, relutante. — Diga-me garota, esteve tudo bem com você, aqui?
— Estive preocupada.
— Ninguém esteve aqui desde que Harlan a deixou?
— N-não, senhor.
— Absolutamente ninguém? Nada?
Ela sacudiu a cabeça. Seus olhos escuros procuraram os de Harlan. — Por que o senhor pergunta?
— Nada, garota. Um pesadelo tolo. Venha, levaremos você de volta ao século 575.
De volta à caldeira, Andrew Harlan afundou, gradativamente, num silêncio profundo e preocupado. Não levantou os olhos quando a caldeira passou pelo século 100.000 na direção descendente e Twissell soltou um óbvio suspiro de alívio, como se tivesse esperado ser preso no lado de cima do tempo.
Ele mal se moveu quando a mão de Noys se enfiou na sua, e o modo com que ele imitou a pressão dos dedos dela foi quase mecânica.
Noys dormia num outro quarto e agora o desassossego de Twissell chegava a um ponto de intensidade devorante.
— O anúncio, rapaz! Você tem sua mulher. Minha parte do trato está feita.
Silenciosamente, ainda distraído, Harlan virou as páginas do volume sobre a mesa. Encontrou sua página.
— É bem simples — disse ele — mas está em inglês. Eu o lerei para o senhor e então o traduzirei.
Era um pequeno anúncio no canto esquerdo superior de uma página de número 30. Contra uma linha irregular que funcionava como fundo, estavam as palavras simples, em letras de forma:
ALL THE TALK OF THE MARKET[2]
Embaixo, em letras menores, lia-se: “Boletim Informativo de Investimentos”, Caixa Postal 14, Denver, Colorado. Twissell ouviu atenciosamente a tradução de Harlan e ficou obviamente desapontado. — O que é o mercado? — perguntou ele. — Que querem eles dizer com isso?
— A bolsa de valores — respondeu Harlan com impaciência. — Um sistema pelo qual o capital particular era investido em negócios. Mas este não é de forma alguma o ponto importante. O senhor não vê esse desenho de linhas contra o qual o anúncio está fixado?
— Sim. A nuvem em forma de cogumelo da explosão de uma bomba atômica. Algo que atrai a atenção. O que é que tem?
Harlan explodiu. — Grande Tempo, Computador! Que há de errado com o senhor? Olhe a data de emissão da revista.
Ele apontou o cabeçário, bem à esquerda do número da página. Lia-se 28 de março de 1932.
— Isso nem precisa de tradução — disse Harlan. — Os números são quase os mesmo do Intertemporal Padrão, e o senhor vê que é do século 19,32. O senhor não sabe que naquele tempo nenhum ser humano jamais tinha visto a nuvem em forma de cogumelo? Ninguém poderia reproduzi-la tão precisamente, exceto…
— Agora espere. É apenas uma configuração de linhas — disse Twissell, tentando manter o equilíbrio. — Poderia assemelhar-se à nuvem em forma de cogumelo apenas por coincidência.
— Poderia? Quer olhar as palavras novamente? — Os dedos de Harlan destacaram as fileiras menores: — Ali the-Talk-Of the-market. As iniciais formam ATOM, que em inglês quer dizer átomo. Isso é coincidência, também? De modo algum.
— O senhor não vê, Computador, como este anúncio preenche as condições que o senhor mesmo estipulou? Ele chamou minha atenção instantaneamente. Cooper sabia que ele estaria fora de anacronismo abrupto. Ao mesmo tempo, ele não tem sentido outro que não seu valor nominal, sentido algum, para qualquer homem do século 19,32.
— Portanto deve ser Cooper. Esta é sua mensagem. Temos a data para a semana mais aproximada de um Centiséculo. Temos seu endereço postal. Apenas é necessário ir atras dele, e eu sou o único com suficiente conhecimento do Primitivo para conseguir isso.
— E você irá? — O rosto de Twissell resplandescia em alívio e felicidade.
— Irei… sob uma condição.
Twissell franziu as sobrancelhas numa súbita inversão de emoção. — Condições, outra vez?
— A mesma condição. Não estou acrescentando outras. Noys deve estar em segurança. Ela deve vir comigo. Não a deixarei para trás.
— Você ainda não confia em mim? De que modo eu o traí? O que pode haver que ainda o perturbe?
— Uma coisa, Computador — disse Harlan solenemente.
— Uma coisa, ainda. Havia uma barreira no século 100.000. Por quê? Isto é o que ainda me perturba.
17. O FECHAMENTO DO CÍRCULO
Isso não parou de perturbá-lo. Era um transtorno que crescia em sua mente à medida que se passavam os dias de preparação. Interpunha-se entre ele e Twissell; depois, entre ele e Noys. Quando chegou o dia de partida, ele estava apenas distantemente consciente do fato.
Foi tudo o que ele conseguiu fazer para levantar uma sombra de interesse, quando Twissell retornou de uma reunião com o subcomitê do Conselho. — Como foi? — perguntou ele.
— Não foi exatamente a conversa mais agradável que já tive — respondeu Twissell cansadamente.
Harlan estava quase querendo deixar a conversa chegar lá, mas quebrou seu silêncio momentâneo com um murmurado — Suponho que o senhor nada disse sobre…
— Não, não — foi a resposta impaciente. — Eu nada disse sobre a garota ou sobre sua participação na direção errada de Cooper. Aquilo foi um erro infeliz, uma falha mecânica. Assumi plena responsabilidade.
A consciência de Harlan, pesada como estava, conseguiu achar lugar para uma pontada. — Isso não o afetará de maneira satisfatória — disse ele.
— O que podem eles fazer? Eles devem esperar que a correção seja feita, antes que possam tocar-me. Se falharmos, todos nós estaremos além de ajuda ou mal. Se tivermos sucesso, talvez o próprio sucesso me proteja. E se não proteger… — o velho encolheu os ombros. — Depois disso, planejo retirar-me de participação ativa nos negócios da Eternidade, de qualquer forma — mas ele manuseou seu cigarro e desfez-se dele antes de tê-lo fumado até a metade.
Ele suspirou. — Antes eu não os tivesse metido em todo isso, mas, em caso contrário, não teria havido jeito de usar a caldeira especial para outras viagens além do término da escala descendente.
Harlan voltou-se. Seus pensamentos moviam-se ao redor dos mesmos canais que haviam estado ocupados com a crescente exclusão de tudo o mais durante dias. Ouviu vagamente a observação adicional de Twissell, mas foi somente quando ele a repetiu que ele disse com um sobressalto:
— Perdoe-me?
— Ora essa! Sua mulher está pronta, rapaz? Ela compreende o que tem de fazer?
— Ela está pronta. Contei-lhe tudo.
— Como ela recebeu a coisa?
— O quê?… Oh, sim, ahn, como eu esperava que recebesse. Não está com medo.
— São menos de três fisio-horas, agora.
— Eu sei.
Isso era tudo para o momento, e Harlan foi deixado sozinho com seu pensamentos e uma maçante compreensão do que devia fazer.
Pronta a carga da caldeira e ajustados os controles, Harlan e Noys apareceram numa mudança final de vestuário, aproximando-se ao de uma área não urbanizada do antigo século 20.
Noys havia modificado a sugestão de Harlan para o seu guarda-roupa, de acordo com algum sentimento instintivo que ela declarava que as mulheres possuíam quando se tratava de roupas e estética. Ela escolheu pensativamente de ilustrações nos anúncios dos volumes apropriados da revista e examinou minuciosamente os artigos importados de uma dúzia de séculos diferentes.
Ocasionalmente, ela dizia a Harlan: — O que você acha?
— Se é conhecimento instintivo, deixo a seu encargo — respondia ele com indiferença.
2
Tudo que se fala sobre o mercado (N. do T.)