As areias do tempo [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «As areias do tempo [em Português]». Краткое содержание книги:
Fitou-a por um momento, o coração quase parando, depois virou-se e entrou na loja de penhores.
Um homem encarquilhado, com uma cabeça enorme, estava atrás do balcão, mal visível.
- Buenos dias, señorita.
- Buenos dias, señor. Tenho uma coisa que gostaria de vender. - Estava tão nervosa que precisou comprimir os joelhos com força, a fim de evitar que tremessem.
- Sí?
Lucia desembrulhou a cruz de ouro e estendeu-a.
- Estaria… estaria interessado em comprar isto?
O homem pegou a cruz, e Lucia percebeu o brilho em seus olhos.
- Posso perguntar onde adquiriu isto?
- Foi deixada por um tio que acaba de morrer. - A garganta estava tão seca que Lucia mal conseguia falar.
O homem pegou a cruz, virando-a lentamente.
- Quanto está pedindo?
O sonho se transformava em realidade.
- Quero 250 mil pesetas.
Ele franziu o rosto e sacudiu a cabeça.
- Não. Val e apenas cem mil pesetas.
- Prefiro vender meu corpo primeiro.
- Talvez eu pudesse chegar a 150 mil pesetas.
- Prefiro derretê-la e deixar o ouro escorrer pelas ruas.
- Duzentas mil pesetas. É a minha última oferta.
Lucia tirou-lhe a cruz de ouro.
- Está me roubando vergonhosamente, mas vou aceitar. - Percebeu o excitamento no rosto do homem.
- Buenos, señorita. - Estendeu as mãos para a cruz, Lucia puxou-a.
- Há uma condição.
- Que condição, señorita?
- Meu passaporte foi roubado. Preciso de um novo, para poder deixar o país para visitar minha tia doente.
Ele a estudava agora, cauteloso. Balançou a cabeça.
- Entendo…
- Se puder me ajudar a resolver o problema, a cruz é sua.
Ele suspirou.
- Não é fácil arrumar passaportes, señorita. As autoridades são muito rigorosas.
Lucia fitava-o em silêncio.
- Não sei como poderia ajudá-la.
- De qualquer forma, obrigada, señor. - Encaminhou-se para a porta. O homem deixou-a chegar lá antes de dizer:
- Momentito.
Lucia parou.
- Acabo de me lembrar de uma coisa. Tenho um primo que às vezes se envolve em questões delicadas desse tipo. É um primo "distante", espero que compreenda.
- Claro que compreendo.
- Eu poderia falar com ele. Quando vai precisar desse passaporte?
- Hoje.
A cabeça enorme balançou para cima e para baixo.
- E se eu conseguir, temos um negócio fechado?
- Quando eu receber o passaporte.
- Combinado. Volte depois das oito horas, e meu primo estará aqui. Ele providenciará a fotografia necessária e porá em seu passaporte.
Lucia sentiu o coração disparar.
- Obrigada, señor.
- Não gostaria de deixar a cruz aqui, como medida de segurança?
- Estará segura comigo.
- Oito horas então. Hasta luego.
Ela deixou a loja. Lá fora, evitou com todo cuidado a delegacia de polícia e se encaminhou para a taverna, onde Rubio a esperava. Começou a andar mais devagar. Finalmente conseguia o que queria. Com o dinheiro da cruz, poderia alcançar a Suíça e a liberdade. Deveria estar feliz mas, em vez disso, sentia-se estranhamente deprimida.
"O que há de errado comigo? Estou a caminho. Rubio me esquecerá em breve. Encontrará outra."
Recordou a expressão nos olhos de Rubio quando lhe disse:
"Quero casar com você. Nunca disse isso a outra mulher em toda a minha vida."
"Dane-se ele!", pensou. "Ora, ele não é problema meu."
Diante da taberna, Lucia parou e respirou fundo; forçou então um sorriso e entrou para se juntar a Rubio.
Capítulo 25
Os meios de comunicação estavam alvoroçados. As manchetes se sucediam. Houvera o ataque ao convento, a prisão das freiras por abrigar terroristas, a fuga de quatro freiras, o fuzilamento de cinco soldados por uma das freiras, antes de ela ser alvejada e morta. As agências noticiosas internacionais estavam excitadas.
Repórteres do mundo inteiro chegaram a Madrid, e o primeiro-ministro Leopoldo Martínez, num esforço para atenuar a crise, concordava em conceder uma coletiva. Quase cinquenta repórteres do mundo todo se reuniram em seu gabinete. Os coronéis Ramón Acoca e Fal Sostelo estavam ao seu lado. O primeiro-ministro vira na manchete do "Times" de Londres naquela tarde: TERRORISTAS E FREIRAS ESCAPAM DO EXÉRCITO E DA POLÍCIA DA ESPANHA.
Um repórter do "Paris Match" perguntou:
- Senhor primeiro-ministro, tem alguma idéia do paradeiro das freiras neste momento?
- O coronel Ramón Acoca está no comando da operação de busca - respondeu o primeiro-ministro Martínez. - Deixarei que ele responda.
- Temos motivos para acreditar que se encontram em poder dos terroristas bascos - falou Acoca. - Também lamento informar que há indício de que as freiras estão colaborando com os terroristas.
Os repórtes escreviam febrilmente.
- O que tem a dizer sobre a morte de irmã Teresa e dos soldados?
- Temos informações de que a irmã Teresa trabalhava com Jaime Miró. Sob o pretexto de nos ajudar a encontrar Miró, ela entrou no acampamento do exército e fuzilou cinco soldados antes que fosse possível detê-la. Posso assegurar que o exército e o "GOE" estão envidando todos os esforços para levar os criminosos à justiça.
- E as freiras que foram presas e trazidas para Madrid?
- Estão sendo interrogadas - respondeu Acoca.
O primeiro-ministro queria encerrar a entrevista o mais depressa possível. Tinha dificuldades para manter o controle.
O fracasso em localizar as freiras e capturar os terroristas faziam com que seu governo - e ele próprio - parecesse inapto e tolo, permitindo que a imprensa tirasse o máximo de proveito da situação.
- Pode nos dizer alguma coisa sobre os antecedentes das quatro freiras que escaparam, primeiro-ministro? - perguntou um repórter de Oggi.
- Sinto muito, mas não posso fornecer novas informações. Repito, senhoras e senhores, o governo está fazendo tudo ao seu alcance para encontrar as freiras.
- Primeiro-ministro, há rumores sobre a brutalidade do ataque ao convento em Ávila. Poderia fazer algum comentário a esse respeito?
Era uma questão delicada para Martínez, por ser verdade.
O coronel Acoca ultrapassara em muito a sua autoridade. Mas cuidaria dele mais tarde. Naquele momento para demonstrar união, virou-se para o coronel e disse suavemente:
- O coronel Acoca pode responder a isso.
- Também já ouvi esses rumores infundados - retrucou Acoca. - Os fatos são simples. Recebemos informações confiáveis de que o terrorista Jaime Miró e uma dúzia de seus homens escondiam-se no convento Cisterciense e que estavam fortemente armados. Quando chegamos ao convento, no entanto, eles já haviam fugido.
- Coronel, soubemos que alguns dos seus homens molestaram…
- Isso é uma acusação afrontosa!
- Obrigado, senhoras e senhores - interveio o primeiro-ministro Martínez. - Serão informados de tudo e de qualquer acontecimento novo.
Depois que os repórteres se retiraram, o primeiro-ministro virou-se para os coronéis Acoca e Sostelo.
- Eles estão fazendo com que pareçamos selvagens aos olhos do mundo.
Acoca não tinha o menor interesse pela opinião do primeiro-ministro. O que o preocupava era um telefonema que recebera à meia-noite.
- Coronel Acoca?
Era uma voz que conhecia muito bem. Despertara imediatamente.
- Pois não, senhor.
- Estamos desapontados com você. Esperávamos resultados mais rápidos.
- Estou chegando perto, senhor. - Ele descobrira que suava profundamente. - Peço-lhe um pouco mais de paciência. Não vou desapontá-lo. - Prendera a respiração, à espera da resposta.
- Seu tempo está se esgotando.
A ligação fora cortada.
O coronel Acoca também desligara e continuara sentado, frustrado. Onde está o miserável do Miró?
Capítulo 26