As areias do tempo [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «As areias do tempo [em Português]». Краткое содержание книги:
- Tenho sim, coronel. Ele está no Parador Nacional Raimundo de Borgón, nos arredores da cidade. Passará a noite ali. Meu tio é o recepcionista. Acaba de me telefonar. Há outro homem e duas mulheres com Miró.
- Seu tio tem certeza absoluta de que é mesmo Miró?
- Absoluta, coronel. Ele e os outros estão dormindo nos dois quartos dos fundos, no segundo andar da estalagem.
- Preste muita atenção no que vou dizer, sargento. Quero que vá imediatamente para a estalagem e fique de vigia do lado de fora, a fim de impedir a saída de qualquer um. Deverei chegar aí em três horas. Não deixe que ninguém o veja. Entendido?
- Entendido, senhor. Partirei agora mesmo. - Santiago hesitou. - Coronel, sobre a recompensa…
- Quando pegarmos Miró, será toda sua.
- Obrigado, coronel. Estou muito…
- Vá logo.
- Está bem, senhor.
Florian Santiago desligou. Sentia-se tentado a ligar para a amante e lhe dar a notícia sensacional, mas isso podia esperar. Deixaria a surpresa para depois. Antes disso, tinha uma missão a cumprir. Chamou um dos guardas de plantão:
- Assuma o comando aqui. Tenho uma missão a fazer. Voltarei dentro de algumas horas.
"E voltarei um homem rico", pensou. "A primeira coisa que farei será comprar um carro novo - um Seat. Azul. Não, talvez branco seja melhor."
O coronel Ramón Acoca desligou e ficou imóvel, deixando o cérebro trabalhar. Desta vez não queria erro algum. Era o movimento final na partida de xadrez entre os dois, embora soubesse que Miró teria sentinelas alertas para o perigo. Acoca chamou o seu ajudante-de-ordens.
- Pois não, coronel?
- Escolha duas dúzias dos seus melhores homens. Providencie para que estejam armados com armas automáticas. Partiremos para Salamanca dentro de 15 minutos.
- Claro, senhor.
Não havia escapatória para Miró. A estalagem seria completamente cercada, os homens avançariam depressa, sem qualquer barulho. "Um ataque de surpresa antes que o carniceiro possa assassinar mais algum dos meus homens. Mataremos todos enquanto dormem."
O sargento Santiago não perdeu tempo em chegar à estalagem.
Mesmo sem a advertência do coronel, não tinha a menor intenção de atacar os terroristas. Mas agora, em obediência às ordens de Acoca, permaneceu nas sombras, a vinte metros da estalagem, num ponto que tinha boa vista a porta da frente. Fazia frio, mas o pensamento da recompensa mantinha Santiago aquecido. Especulou se as duas mulheres lá dentro eram bonitas e se estariam na cama junto com os homens. De uma coisa Santiago tinha certeza: dentro de poucas horas todos estariam mortos.
O caminhão do exército atravessou a cidade sem alarme e seguiu para a estalagem. O coronel Acoca acendeu uma lanterna e estudou o mapa.
- Pare aqui - disse ele, a um quilômetro e meio da estalagem. - Seguiremos a pé o restante do caminho. Mantenham-se em silêncio.
Santiago não percebeu a aproximação até que a voz em seu ouvido sobressaltou-o com uma pergunta:
- Quem é você?
Ele virou-se e descobriu-se diante do coronel Ramón Acoca.
"Por Deus", pensou Santiago, "ele tem uma aparência assustadora!"
- Sou o sargento Santiago, senhor.
- Alguém saiu da estalagem?
- Não, senhor. Estão todos lá dentro, provavelmente em sono profundo a esta altura.
O coronel virou-se para seu ajudante-de-ordens.
- Quero que a metade dos homens cerquem a estalagem. Se alguém tentar escapar, eles devem atirar para matar. Os outros irão comigo. Os fugitivos estão em dois quartos nos fundos, no segundo andar. Vamos embora.
Santiago observou o coronel e seus homens entrarem pela porta da frente da estalagem, em silêncio. Especulou se haveria tiroteio. E se houvesse, pensou no perigo de que o tio pudesse morrer no fogo cruzado. Seria uma pena. Mas, por outro lado, não haveria mais ninguém com quem partilhar o dinheiro da recompensa.
Quando o coronel Acoca e seus homens chegaram ao alto da escada, ele sussurrou:
- Não corram riscos. Abram fogo assim que os virem.
- Gostaria que eu fosse na sua frente, coronel? - perguntou o ajudante-de-ordens
- Não. - Acoca queria ter o prazer de matar Jaime Miró pessoalmente.
No final do corredor estavam os dois quartos em que Miró e seus terroristas dormiam. Acoca fez sinal em silêncio para que alguns homens cobrissem uma porta e seis ficaram na outra.
- Agora! - gritou.
Era o momento pelo qual tanto ansiava. Ao seu sinal, os homens chutavam as portas ao mesmo tempo e entraram correndo nos quartos, as armas levantadas. Pararam no meio dos quartos, as armas levantadas. Pararam no meio dos quartos vazios, olhando para as camas desarrumadas.
- Espalhem-se! - berrou Acoca. - Depressa! Lá embaixo!
Os soldados revistaram todos os quartos, arrombando portas, acordando hóspedes aturdidos. Jaime Miró e os outros não estavam em parte alguma.
O coronel desceu furioso para uma confrontação com o recepcionista. Não havia ninguém no saguão.
- Alô! - ele gritou - Alô!
Não houve resposta. O covarde estava se escondendo.
Um dos soldados olhava para o chão, por trás da recepção.
- Coronel…,
Acoca foi para o seu lado e olhou para o chão. O corpo amarrado e amordaçado do recepcionista estava ali, encostado na parede. Com um cartaz pendurado no pescoço. Dizia: FAVOR NÃO INCOMODAR.
Capítulo 24
Rubio Arzano observou, horrorizado, enquanto Lucia desaparecia sob as águas turbulentas e era arrastada pela correnteza. Numa fração de segundos, ele virou-se e saiu desesperado pela margem do rio, pulando sobre pequenos troncos e moitas. Na primeira curva do rio vislumbrou o corpo de Lucia se aproximando. Mergulhou e nadou freneticamente para alcançá-la, lutando contra a forte correnteza. Era quase impossível. Sentiu que estava sendo puxado. Lucia se encontrava a apenas três metros dele, mas parecia a quilômetros. Ele fez um último e heróico esforço, conseguiu segurar-lhe o braço, os dedos quase escorregando. Segurou-a firme, enquanto começava a voltar à segurança da margem.
Quando por fim atingiu a margem, Rubio puxou Lucia para a relva e deitou-a, tentando recuperar o fôlego. Ela estava inconsciente e sem respirar. Rubio virou-a de barriga para baixo, montou-a e começou a massagear-lhe os pulmões. Um minuto passou, depois dois; quando já se desesperava, um jato de água saiu-lhe pela boca e Lucia gemeu. Rubio murmurou uma prece de graças.
Ele manteve a pressão, mais gentil agora, até as batidas do coração de Lucia se tornarem firmes. Quando ela começou a tremer de frio, Rubio correu para algumas árvores e pegou um punhado de folhas. Levou-as para junto de Lucia, para enxugar-lhe o corpo. Ele também estava molhado e com frio, as roupas encharcadas, mas não prestou a menor atenção a isso.
Ficara em pânico, com medo de que irmã Lucia morresse. Agora, enquanto esfregava gentilmente o corpo nu com as folhas secas, pensamentos indignos afloraram-lhe à mente.
"Ela tem o corpo de uma deusa. Perdoe-me, Senhor, ela Lhe pertence, e não devo acalentar esses pensamentos horríveis…"
Lucia foi gradativamente despertada pela massagem suave em seu corpo. Estava na praia, a língua de Ivo deslocava-se por seu corpo. "Ah, está bom", pensou. "Continue. Não pare, meu querido." Sentiu-se excitada antes mesmo de abrir os olhos.
Ao cair no rio, o último pensamento de Lucia fora o do homem que a salvara. Sem querer pensar, Lucia estendeu as mãos e puxou Rubio. Havia uma expressão de surpresa chocada no rosto dele.
- Irmã… - protestou ele. - Não podemos…
- Psiu! - Os lábios de Lucia encontraram-se com os de Rubio, impetuosos, sôfregos, exigentes, sua língua explorava-lhe o interior da boca. Era demais para Rubio.
- Depressa! - sussurrou Lucia - Depressa! - Observou Rubio tirar nervosamente as roupas molhadas." Ele merece uma recompensa", pensou Lucia. "E eu também." Ao tornar a se aproximar, hesitante, Rubio murmurou: