Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Esquecer o quê?
– Ora, sobre a morte de Victor Savage. Acabou de admitir que o matou... Eu vou esquecer isso...
– Faça como quiser, pode esquecer ou não. Não o vejo no banco de testemunhas. Vejo-o dentro de um caixão, meu caro Holmes, isso eu lhe garanto. Pouco me importa que você saiba como meu sobrinho morreu. Não estamos falando sobre ele. Estamos falando sobre você.
– Sim... sim...
– O sujeito que me procurou – esqueci seu nome – disse-me que você contraiu a doença trabalhando no East End, no meio de marinheiros.
– Só posso achar que foi isso...
– Você se orgulha da sua inteligência, não é? Acha que é esperto, hein? Agora você encontrou alguém que é mais esperto do que você. Tente lembrar-se, Holmes. Não acha que pode ter sido contaminado de outra forma?
– Não consigo pensar... a lembrança sumiu... Pelo amor de Deus, me ajude!
– Sim, vou ajudá-lo. Vou ajudá-lo a se lembrar de onde e como você pegou a peste. Gostaria que você soubesse disso, antes de morrer.
– Dê-me alguma coisa para aliviar a dor...
– Está doendo, hein? Sim, os cules berravam de dor quando estavam perto do fim. É uma espécie de câimbra, imagino.
– Sim... sim... câimbras...
– Bem, de qualquer modo, pode escutar o que tenho a lhe dizer. Escute, então! Você se lembra de algum incidente incomum na sua vida, pouco antes de os sintomas aparecerem?
– Não, não, nada...
– Pense de novo!
– Estou muito doente para pensar...
– Bem, então eu vou ajudá-lo. Chegou alguma coisa pelo correio?...
– Pelo correio?
– Uma caixinha, por acaso?
– Estou desmaiando... vou morrer...
– Ouça, Holmes!
Escutei um ruído, como se ele estivesse sacudindo o homem agonizante, e eu só podia ficar quieto no meu esconderijo.
– Você tem de me ouvir! – continuou ele. – Você vai me ouvir! Você se lembra de uma caixinha... uma caixinha de marfim? Veio no correio de quarta-feira. Você a abriu, lembra-se?
– Sim... sim, eu a abri. Havia uma agulha movida por mola... alguma brincadeira...
– Não era nenhuma brincadeira, como vai descobrir à própria custa. Idiota, você procurou e achou! Quem lhe pediu para ficar no meu caminho? Se me tivesse deixado em paz, eu não o prejudicaria.
– Eu me lembro – Holmes sussurrou. – A mola! Tirou sangue. Aquela caixinha... aquela caixinha na mesa...
– Esta mesmo, é claro! E vou levá-la comigo, no meu bolso, quando sair. Lá se vai sua última possibilidade de prova. Mas você acabou de ouvir a verdade agora, Holmes, e pode morrer com a certeza de que eu o matei. Você sabia demais a respeito do destino de Victor Savage; de modo que resolvi que você devia ter o mesmo destino. Você está no fim, Holmes. Vou me sentar aqui e vê-lo morrer.
A voz de Sherlock Holmes tinha se transformado num murmúrio quase inaudível.
– Como? – perguntou Culverton Smith. – Aumentar a luz do gás? Ah, as sombras começam a cair, não é? Sim, eu vou aumentá-la para poder vê-lo melhor.
Ele atravessou o quarto e a luz brilhou de repente.
– Mais alguma coisinha que eu possa fazer, amigo?
– Fósforo e cigarro.
Quase gritei de alegria e espanto. Ele estava falando com sua voz normal – um pouco fraca, talvez, mas aquela voz que eu conhecia. Houve um longo silêncio e eu senti que Culverton Smith estava parado, em silêncio, olhando espantado para o meu amigo.
– O que significa isso?... – eu o ouvi perguntar finalmente, num tom seco e áspero.
– A melhor maneira de se representar com sucesso é identificar-se com o papel – respondeu Holmes. – Dou-lhe minha palavra de que nos últimos três dias não toquei em comida nem em bebida até que você teve a bondade de me dar aquele copo d’água. Mas eu senti mais falta foi do fumo. Ah, aqui estão alguns cigarros!...
Ouvi quando ele riscou um fósforo.
– Assim é muito melhor. Ora, ora, estarei escutando os passos de um amigo?
De fato, ouvi passos do lado de fora, a porta foi aberta e apareceu o inspetor Morton.
– Está tudo bem e este é o seu homem – disse Sherlock Holmes.
O policial fez as advertências habituais e concluiu:
– Eu o prendo pelo assassinato de Victor Savage.
– E pode acrescentar a tentativa de assassinato de Sherlock Holmes – comentou meu amigo com um risinho. – Para poupar trabalho a um inválido, o sr. Culverton teve a bondade de fazer o nosso sinal, inspetor, aumentando a luz do gás. A propósito, o seu prisioneiro tem uma caixinha no bolso direito do paletó que seria melhor retirar. Se eu fosse você, teria mais cuidado ao mexer nela. Ponha-a aqui. Vai ser muito importante no julgamento.
Ouvi uma corrida repentina e barulho de luta, e em seguida um tilintar de metais e um grito de dor.
– Vai apenas se machucar – disse o inspetor. – Fique quieto, está bem?
Escutei o ruído de algemas se fechando.
– Uma bela armadilha! – gritou o prisioneiro num tom estridente e ríspido. – Isso levará você à cadeia, Holmes, e não eu. Ele me pediu para vir aqui curá-lo. Senti pena e vim. Agora, sem dúvida vai alegar que eu disse alguma coisa que pode inventar, e que vai confirmar suas suspeitas doentias. Pode mentir à vontade, Holmes. Minha palavra sempre vai valer tanto quanto a sua.
– Meu Deus! – exclamou Holmes. – Esqueci-me totalmente dele! Meu caro Watson, devo-lhe mil desculpas. E pensar que eu me esqueci de você! Não é necessário que eu o apresente ao sr. Culverton Smith, porque eu sei que se conheceram há pouco. O carro está lá embaixo? Vou acompanhá-lo, inspetor, depois de me vestir, porque posso ser útil na delegacia.
– Nunca precisei tanto disso – disse Holmes, se reabastecendo com um copo de vinho e bolachas enquanto tirava a maquiagem. – Você bem sabe como meus hábitos são irregulares, e fazer o que fiz foi bem mais fácil para mim do que para a maioria das pessoas. Era indispensável que a sra. Hudson ficasse impressionada com o meu estado, já que ela transmitiria a impressão a você, e você a transmitiria a Culverton Smith. Você não vai ficar zangado, não é, Watson? Você vai perceber que, entre os seus muitos talentos, não há lugar para a dissimulação, e que, se soubesse do meu segredo, não conseguiria convencer o sr. Smith da necessidade imperiosa de sua presença, ponto vital de todo o esquema. Conhecendo a natureza vingativa dele, eu tinha certeza de que ele viria conferir o seu próprio trabalho...
– Mas, e sua aparência, Holmes, seu rosto cadavérico?...
– Três dias de jejum total não ajudam a embelezar ninguém, Watson. Quanto ao resto, não existe nada que uma boa esponja não consiga curar... Com vaselina na testa, beladona nos olhos e crostas de cera nos lábios a gente consegue produzir um bom efeito. Disfarce é um assunto sobre o qual eu já pensei em escrever uma monografia. Uma conversinha de vez em quando sobre meias-coroas, ostras ou qualquer outro assunto esquisito pode produzir um efeito convincente de delírio.
– Mas por que não deixou que eu me aproximasse de você quando, na verdade, não havia perigo de infecção?
– Você ainda pergunta, meu caro Watson? Acredita que eu não tenha respeito pelos seus dotes médicos? Eu podia imaginar que, com seu julgamento perspicaz, você iria acreditar que um homem agonizante, embora fraco, não apresentasse aumento de temperatura nem pulso? Eu conseguiria enganar você a uns 3 metros de distância. Se não conseguisse, quem traria o sr. Smith ao alcance? Não, Watson, eu não mexeria naquela caixinha. Você mesmo pode ver, se olhar de lado, por onde a lâmina afiada pula como um dente de víbora quando a abrimos. Eu diria que o pobre Savage, que se interpôs entre o monstro e a herança, foi morto de forma semelhante. Mas minha correspondência é muito variada, como você sabe, e eu fico sempre em guarda com relação aos pacotes que me chegam. Mas ficou claro para mim que somente fingindo que ele tivera êxito na sua tentativa é que eu poderia conseguir uma confissão de culpa. Representei o papel com a perfeição de verdadeiro artista. Obrigado, Watson, ajude-me a vestir o casaco. Assim que terminarmos tudo na delegacia, creio que alguma coisa bem nutritiva no Simpson não seria inconveniente.