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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]

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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
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– Se preocupa demais! Espere até ter vivido aqui mais um pouco. Olhe esse vale lá embaixo. Veja a fumaceira dessas chaminés que o escurecem. Eu lhe garanto que a nuvem de assassinatos é mais densa e está mais perto da cabeça de todas as pessoas. É o Vale do Medo, o Vale da Morte. O terror anda no coração das pessoas desde que anoitece até o amanhecer. Espere, jovem, e aprenderá por si mesmo.

– Bem, eu lhe direi o que penso quando tiver visto mais – comentou McMurdo com indiferença. – O que me parece bem claro é que o senhor não é o homem certo para o lugar e que quanto antes o senhor vender tudo (se o senhor conseguir um mínimo pelo seu negócio), será melhor. O que o senhor disse para mim não irá adiante, mas, eu juro! se eu descobrir que é um informante...

– Não, não! – gritou Morris, suplicante.

– Bem, vamos deixar as coisas como estão. Vou me lembrar do que o senhor me disse e talvez um dia eu volte a falar nisso. Espero que tenha me chamado aqui com boa intenção. Agora vou para casa.

– Só mais uma coisa – disse Morris. – Talvez tenham nos visto juntos. Podem querer saber sobre o que falávamos.

– Bem pensado.

– Eu lhe ofereço um emprego em minha loja.

– E eu não aceito. Esse é o nosso assunto. Bem, até logo, Irmão Morris, e que as coisas melhorem para o senhor no futuro.

Naquela mesma tarde, enquanto McMurdo estava sentado, fumando, perdido em seus pensamentos, ao lado da lareira da sala de estar, a porta se abriu e surgiu a figura gigantesca do chefe McGinty. Ele fez o sinal e depois, sentando-se em frente ao jovem, olhou-o fixamente durante algum tempo, olhar respondido com a mesma firmeza.

– Não gosto muito de visitas, Irmão McMurdo – ele disse, finalmente. – Acho que perco muito tempo com as pessoas que me visitam. Mas achei que devia circular um pouco e vir vê-lo em sua casa.

– É um prazer vê-lo aqui, conselheiro – McMurdo respondeu de modo enfático, apanhando sua garrafa de uísque no armário. – É uma honra que eu não esperava.

– Como está o braço? – perguntou o chefe.

McMurdo torceu um pouco o rosto.

– Não esqueço o braço – disse ele. – Mas vale a pena.

– Sim, vale a pena – respondeu o outro – para aqueles que são leais e se esforçam e ajudam a Loja. Sobre o que você conversava com o Irmão Morris hoje de manhã na Miller Hill?

A pergunta veio de forma tão repentina que foi bom ele ter a resposta pronta. Ele deu uma ruidosa gargalhada.

– Morris não sabia que eu ganho a vida aqui em casa. Não deveria mesmo saber, pois para o meu gosto, ele tem escrúpulos demais. Mas é um velho bem-intencionado. Ele achava que eu não tinha ocupação e que faria uma boa ação me oferecendo um emprego na loja dele.

– Ah, foi isso?

– Sim, foi isso.

– E você recusou?

– Claro. Não posso ganhar dez vezes mais no meu quarto em quatro horas?

– É verdade. Mas se eu fosse você, não procuraria muito o Morris.

– Por que não?

– Bem, acho que porque lhe digo que não. Isso é o suficiente para a maioria das pessoas por aqui.

– Isso pode ser suficiente para a maioria das pessoas, mas não é suficiente pra mim, conselheiro – disse McMurdo com atrevimento. – Se o senhor conhece bem os homens, sabe disso.

Aquele gigante moreno olhou firmemente para ele e sua mão cabeluda se fechou por um instante em torno da garrafa como se fosse arremessá-la na cabeça do outro. Então riu do seu jeito barulhento, rude, falso.

– Você é mesmo um gozador – disse ele. – Bem, se deseja saber as razões, eu digo. Morris falou alguma coisa contra a Loja?

– Não.

– Nem contra mim?

– Não.

– Bem, isso porque não confiava em você. Mas ele não é um irmão leal. Nós o conhecemos bem, e por isso o observamos, e estamos esperando apenas a hora de repreendê-lo. Acho que essa hora está se aproximando. Não há lugar para ovelhas sarnentas em nosso rebanho. Mas se você andar acompanhado de um homem desleal, podemos pensar que você também é desleal.

– Não há motivo para eu andar com ele, porque não gosto dele – McMurdo respondeu. – Quanto a ser desleal, se fosse qualquer outro homem que não o senhor, ele não diria isso duas vezes.

– Bem, chega – disse McGinty, esvaziando seu copo. – Só vim lhe avisar. Você está avisado.

– Eu gostaria de saber – disse McMurdo – como o senhor ficou sabendo que estive conversando com Morris.

McGinty deu uma gargalhada.

– Minha função é saber o que acontece nesta cidade – disse ele. – Acho que é melhor você me contar tudo que acontece. Bem, está na hora e só quero dizer...

Mas sua despedida foi interrompida de forma inesperada. Com um súbito estrépito, a porta da rua se abriu e três homens de rostos circunspectos e olhar duro os encararam por baixo dos chapéus da polícia. McMurdo levantou-se e pôs a mão no seu revólver, mas deteve-se ao perceber que dois rifles Winchester estavam apontados para a sua cabeça. Um homem de uniforme avançou pela sala com um revólver na mão. Era o capitão Marvin, que já trabalhara em Chicago, e que agora pertencia à polícia das minas de carvão e ferro. Ele sacudiu a cabeça para McMurdo exibindo um meio sorriso.

– Eu sabia que o senhor se meteria em encrencas, sr. McMurdo Desonesto de Chicago – disse ele. – Não pode ficar longe delas, não é? Pegue seu chapéu e venha conosco.

– Acho que o senhor pagará por isso, capitão Marvin – disse McGinty. – Quem é o senhor, eu gostaria de saber, para invadir uma casa desse modo e molestar homens honestos e cumpridores da lei?

– O senhor está fora disso, conselheiro McGinty – disse o policial. – Não estamos atrás do senhor e sim atrás de McMurdo. O senhor deve nos ajudar e não atrapalhar o nosso serviço.

– Ele é meu amigo e responderei pela sua conduta – disse o chefe.

– Pelo que se diz, sr. McGinty, o senhor terá de responder pela sua própria conduta qualquer dia desses – respondeu o capitão. – Esse McMurdo era um desonesto antes de vir pra cá, e ainda é um desonesto. Apontem pra ele enquanto o desarmo, guardas.

– Aqui está minha arma – disse McMurdo friamente. – Talvez, capitão Marvin, se nós dois estivéssemos sozinhos frente a frente, o senhor não me prendesse com tanta facilidade assim.

– Onde está a autorização para prendê-lo? – McGinty perguntou. – Puxa! Tanto faz viver na Rússia ou em Vermissa enquanto a polícia tiver gente assim como o senhor. Isso é uma violência capitalista e não vai ficar assim não, eu lhe garanto.

– O senhor faz da melhor maneira possível o que acha ser seu dever. Nós cuidamos do nosso.

– De que me acusam? – perguntou McMurdo.

– De envolvimento no espancamento do editor do Herald, sr. Stanger. Não é culpa sua que não seja uma acusação de assassinato.

– Bem, se é só isso que têm contra ele – exclamou McGinty com uma gargalhada –, vocês podem evitar muitos problemas deixando-o agora mesmo. Esse homem estava comigo lá no meu saloon jogando pôquer até meia-noite, e posso lhe indicar muitas testemunhas.

– Isso é problema seu e o senhor pode dizer tudo isso amanhã no tribunal. Enquanto isso, vamos, McMurdo, e fique quietinho se não quer ter a cabeça varada por chumbo. E o senhor se afaste, sr. McGinty, pois aviso que não tolero resistência quando estou em serviço.

O comportamento do capitão era tão determinado que tanto McMurdo quanto seu chefe foram obrigados a aceitar a situação. McGinty conseguiu sussurrar algumas palavras para o prisioneiro.

– E quanto à... – ele fez um gesto com a mão dando a entender que se referia à máquina de dinheiro falso.

– Tudo bem – sussurrou McMurdo, que providenciara um bom esconderijo sob o assoalho.

– Vou me despedir de você – disse o chefe, apertando a mão do outro. – Vou procurar Reilly, o advogado, e cuidar de toda a defesa. Dou-lhe a minha palavra que eles não vão segurar você lá.

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