A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Isto é aço valiriano? Nunca vi cores assim.
– Nem eu. Houve um tempo em que teria dado a mão direita para brandir uma espada como essa. Agora parece que o fiz, portanto a lâmina é desperdiçada em mim. Aceite-a. – Antes que ela pudesse pensar em recusar, prosseguiu. – Uma espada tão boa precisa de um nome. Ficaria feliz se chamasse esta de Cumpridora de Promessas. Mais uma coisa. A lâmina tem um preço.
O rosto dela tornou-se sombrio.
– Eu disse-lhe, nunca servirei...
– ... criaturas tão malvadas. Sim, eu me lembro. Ouça-me até o fim, Brienne. Ambos prestamos juramentos a propósito de Sansa Stark. Cersei pretende assegurar-se de que a garota seja encontrada e morta, não importa onde ela tenha se enfiado...
O rosto simples de Brienne torceu-se de fúria.
– Se acredita que eu faria mal à filha de minha senhora em troca de uma espada, você...
– Cale-se e ouça – exclamou ele, irritado pelas suposições dela. – Quero que encontre Sansa primeiro e que a leve para qualquer lugar seguro. De outro modo, como nós iremos cumprir os estúpidos juramentos que prestamos à sua preciosa e falecida Senhora Catelyn?
A moça pestanejou.
– Eu... eu pensei...
– Eu sei o que pensou. – De repente, Jaime ficou farto de olhar para ela. Bale como uma porcaria de uma ovelha. – Quando Ned Stark morreu, a espada dele foi oferecida ao Magistrado do Rei – disse-lhe. – Mas meu pai achou que uma lâmina tão boa era desperdiçada num mero carrasco. Deu uma nova espada a Sor Ilyn, e mandou fundir a Gelo e forjá-la novamente. Havia metal suficiente para duas lâminas novas. Tem uma delas na mão. Portanto, irá proteger a filha de Ned Stark com o aço do próprio Ned Stark, se é que isso faz alguma diferença para você.
– Sor, eu... eu devo-lhe um pedido de desc...
Jaime interrompeu-a.
– Pegue a porcaria da espada e vá embora, antes que eu mude de ideia. Há uma égua baia nos estábulos, tão feia quanto você, mas um pouco mais bem treinada. Vá em perseguição do Pernas-de-Aço, vá em busca de Sansa, ou vá para casa, para a sua ilha de safiras, não me interessa. Não quero olhar mais para você.
– Jaime...
– Regicida – relembrou-lhe. – É melhor que use essa espada para limpar a cera dos ouvidos, garota. Nossa conversa acabou.
Teimosamente, ela insistiu.
– Joffrey era seu...
– Meu rei. Deixe as coisas assim.
– Diz que Sansa o matou. Por que protegê-la?
Porque Joff não me era mais do que um esguicho de sêmen na boceta de Cersei. E porque merecia morrer.
– Fiz reis e desfi-los. Sansa Stark é minha última oportunidade de honra. – Jaime deu um ligeiro sorriso. – Além disso, os regicidas deviam se juntar. Nunca mais vai embora?
A grande mão de Brienne fechou-se com força em volta da Cumpridora de Promessas.
– Vou. E encontrarei a garota e a manterei a salvo. Pela senhora mãe dela. E por você. – Fez uma reverência rígida, virou-se e saiu.
Jaime ficou sentado à mesa, sozinho, enquanto as sombras iam enchendo a sala. Quando o ocaso começou a se instalar, acendeu uma vela e abriu o Livro Branco em sua página. Encontrou pena e tinta numa gaveta. Por baixo da última linha escrita por Sor Barristan, escreveu numa letra desajeitada que poderia ter sido elogiada numa criança de seis anos que estivesse aprendendo as primeiras letras com o meistre:
Derrotado no Bosque dos Murmúrios pelo Jovem Lobo Robb Stark durante a Guerra dos Cinco Reis. Mantido cativo em Correrrio e resgatado em troca de uma promessa não cumprida. Capturado de novo pelos Bravos Companheiros e mutilado por ordem de Vargo Hoat, o capitão deles, perdendo a mão da espada pela lâmina de Zollo, o Gordo. Devolvido em segurança a Porto Real por Brienne, a Donzela de Tarth.
Quando terminou, ainda restava encher mais de três quartos de sua página, entre o leão de ouro no escudo carmesim ao topo e o escudo branco e vazio no fundo. Sor Gerold Hightower tinha começado a sua história e Sor Barristan Selmy continuara-a, mas o resto teria de ser escrito pelo próprio Jaime Lannister. Dali em diante, poderia escrever o que quer que decidisse escrever.
O que quer que decidisse...
JON
O vento soprava forte do leste, tão forte que a pesada gaiola balançava sempre que uma rajada a apanhava em seus dentes. Uivava ao longo da Muralha, tremendo pelo gelo, fazendo o manto de Jon esvoaçar de encontro às barras. O céu era um cinza de ardósia, o sol, nada mais do que uma tênue mancha brilhante por trás das nuvens. Para além do campo de morte, via a cintilação de mil fogueiras ardendo, mas suas luzes pareciam pequenas e impotentes contra tamanha escuridão e frio.
Um dia carregado. Jon Snow envolveu as barras com mãos enluvadas e segurou-se bem, enquanto o vento martelava a gaiola mais uma vez. Quando olhou para baixo, por entre os pés, viu o chão perdido em sombras, como se estivesse sendo baixado para um poço sem fundo. Bem, a morte é uma espécie de poço sem fundo, refletiu, e quando a obra deste dia estiver concluída, meu nome ficará para sempre envolto em sombras.
Os homens diziam que as crianças bastardas nasciam da luxúria e da mentira; a sua natureza era libertina e traiçoeira. Antes, Jon pretendia provar que isso era um erro, mostrar ao senhor seu pai que podia ser um filho tão bom e leal quanto Robb. Arruinei tudo isso. Robb tinha se transformado num rei herói; se Jon fosse por acaso recordado, seria como vira-casaca, perjuro e assassino. Estava feliz por Lorde Eddard não estar vivo para assistir à sua vergonha.
Devia ter ficado naquela gruta com Ygritte. Se houvesse uma vida para além daquela, esperava dizer-lhe isso. Ela vai arranhar meu rosto como a águia e amaldiçoar-me de ser covarde, mas direi mesmo assim. Flexionou a mão da espada, como Meistre Aemon lhe ensinara a fazer. O hábito tinha se tornado parte de si e precisaria dos dedos flexíveis para ter nem que fosse meia chance de assassinar Mance Rayder.
Tinham-no tirado para fora naquela manhã, depois de quatro dias passados no gelo, fechado numa cela de um metro e meio por um metro e meio por um metro e meio, baixa demais para se pôr em pé, apertada demais para se deitar de costas. Os intendentes tinham há muito descoberto que a comida e a carne duravam mais tempo nos armazéns de gelo esculpidos na base da Muralha... mas os prisioneiros não.
“Morrerá aqui, Lorde Snow”, disse Sor Alliser imediatamente antes de fechar a pesada porta de madeira, e Jon tinha acreditado nele. Mas naquela manhã tinham vindo tirá-lo de lá e tinham-no levado, cheio de cãibras e tremendo, à Torre do Rei, para comparecer uma vez mais perante o queixudo Janos Slynt.
– Aquele velho meistre diz que não posso enforcá-lo – declarou Slynt. – Escreveu a Cotter Pyke, e até teve o maldito descaramento de me mostrar a carta. Diz que não é nenhum vira-casaca.
– Aemon viveu tempo demais, senhor – garantiu-lhe Sor Alliser. – Seu discernimento tornou-se tão escuro como os olhos.
– Sim – disse Slynt. – Um cego com uma corrente em volta do pescoço, quem ele pensa que é?
Aemon Targaryen, pensou Jon, filho de um rei e irmão de um rei, e um rei que poderia ter sido. Mas nada disse.
– Mesmo assim – falou Slynt –, não quero que se diga que Janos Slynt enforcou um homem injustamente. Não quero. Decidi dar-lhe uma última chance de demonstrar que é tão leal como diz ser, Lorde Snow. Uma última chance de cumprir o seu dever, sim! – Levantou-se. – Mance Rayder quer parlamentar conosco. Sabe que não tem chances, agora que Janos Slynt chegou, portanto quer conversar, este Rei-para-lá-da-Muralha. Mas o homem é covarde, e não quer vir até nós. Sem dúvida que sabe que o penduraria na forca. Penduraria pelos pés do topo da Muralha, na ponta de uma corda com sessenta metros de comprimento! Mas ele não vem. Pede que lhe mandemos um enviado.