Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Mas certamente, sr. Wilder...
– Está ciente, dr. Huxtable, de que Sua Graça está particularmente ansioso para evitar qualquer escândalo público. Prefere ter o menor número possível de pessoas sabendo do seu segredo.
– Isso pode ser facilmente remediado – disse o intimidado doutor –; o sr. Sherlock Holmes pode voltar a Londres pelo primeiro trem da manhã.
– Dificilmente, doutor, dificilmente – disse Holmes, com sua voz mais suave. – Este ar do norte é agradável e revigorante, de modo que proponho passar alguns dias em seu território, e ocupar minha mente da melhor maneira possível. Se me hospedarei sob o seu teto ou no hotel da vila, certamente é o senhor quem vai decidir.
Eu podia perceber que o infeliz doutor estava no último grau de indecisão, do qual foi arrancado pela voz sonora e profunda do duque de barba vermelha, que soou como um gongo.
– Concordo com o sr. Wilder, dr. Huxtable, que seria melhor ter me consultado. Mas já que o sr. Holmes é de sua confiança, seria absurdo não nos beneficiarmos de seus serviços. Longe de ir para o hotel, sr. Holmes, seria um prazer se viesse se hospedar comigo em Holdernesse Hall.
– Agradeço a Sua Graça. Para o objetivo da minha investigação, creio que é melhor para mim ficar no local do mistério.
– Como queira, sr. Holmes. Qualquer informação que eu ou o sr. Wilder possamos lhe fornecer está, é claro, à sua disposição.
– Talvez seja necessário visitá-lo no Hall – disse Holmes. – Gostaria apenas de lhe perguntar agora, senhor, se chegou a pensar em alguma explicação para o misterioso desaparecimento do seu filho?
– Não, senhor, nenhuma.
– Desculpe-me por aludir a algo tão doloroso para o senhor, mas não tenho alternativa. Acha que a duquesa tem alguma coisa a ver com o caso?
O grande ministro mostrou uma hesitação perceptível.
– Não creio – disse por fim.
– A outra explicação óbvia é que o garoto foi raptado com o objetivo de se pedir resgate. Não recebeu nenhum pedido deste tipo?
– Não, senhor.
– Mais uma pergunta, Sua Graça. Soube que o senhor escreveu a seu filho no dia em que esse incidente ocorreu.
– Não, escrevi um dia antes.
– Exato. Mas ele a recebeu no dia seguinte?
– Sim.
– Havia algo em sua carta que poderia tê-lo abalado ou induzido a tomar essa atitude?
– Não, senhor, certamente que não.
– O senhor mesmo pôs a carta no correio?
A resposta do nobre foi interrompida pelo seu secretário, que falou com certa irritação.
– Sua Graça não tem o hábito de mandar as cartas pessoalmente – disse. – Essa carta foi deixada com outras em cima da escrivaninha, e eu mesmo as coloquei na mala postal.
– Tem certeza de que ela estava entre as outras?
– Sim, observei isso.
– Quantas cartas Sua Graça escreveu naquele dia?
– Vinte ou trinta. Tenho um grande volume de correspondência. Mas isso certamente é irrelevante.
– Não inteiramente – disse Holmes.
– De minha parte – continuou o duque – aconselhei a polícia a desviar sua atenção para o sul da França. Já disse que não creio que a duquesa incentivasse um ato tão monstruoso, mas o rapaz tinha umas opiniões muito erradas, e é possível que tenha fugido para ela, ajudado e instigado por esse alemão. Acho, dr. Huxtable, que podemos voltar agora para o Hall.
Eu podia perceber que Holmes ainda queria fazer outras perguntas, mas os modos ríspidos do nobre mostravam que a entrevista estava no fim. Era evidente que, para a sua natureza aristocrática, essa discussão sobre assuntos familiares íntimos com um estranho era muito desagradável e que ele temia que qualquer nova pergunta lançasse uma luz mais intensa nos recantos discretamente sombrios de sua história ducal.
Depois que o nobre e seu secretário saíram, meu amigo lançou-se com sua energia típica à investigação.
Os aposentos do garoto foram examinados com cuidado, o que não levou a nada, a não ser à absoluta convicção de que a única saída era pela janela. O quarto e os bens do professor alemão não forneceram outras pistas. No caso dele, a trilha na hera foi provocada pelo seu peso, e vimos, à luz de uma lanterna, a marca no canteiro onde seus pés tocaram o chão. Esta marca na grama verde e curta era a única testemunha material deixada nesta inexplicável fuga noturna.
Sherlock Holmes saiu da casa sozinho e só voltou depois das 23 horas. Obtivera um grande mapa topográfico da área, e o levou ao meu quarto, onde o abriu em cima da cama, e, depois de colocar a luz do abajur diretamente sobre seu centro, começou a examiná-lo, apontando de vez em quando para algum lugar de interesse com a parte fumegante, cor de âmbar, do seu cachimbo.
– Este caso me interessa cada vez mais, Watson – disse. – Decididamente existem pontos interessantes ligados a ele. Neste estágio inicial, quero que veja estas características geográficas que podem ter muito a ver com nossa investigação.
– Olhe este mapa. Este quadro escuro é a Priory School. Colocarei um ponto sobre ele. Agora, esta linha é a estrada principal. Veja que depois do colégio ela vai para leste e para oeste, e também que não existem estradas secundárias por mais de 1 quilômetro, nos dois sentidos. Se esses dois foram embora pela estrada, foi por esta estrada.
– Exatamente.
– Por um acaso feliz e singular, podemos verificar até certo ponto o que passou por esta estrada na noite em questão. Neste lugar, onde está agora meu cachimbo, um policial estava de guarda da meia-noite às seis horas. É, como vê, o primeiro cruzamento para leste. Este homem diz que não se ausentou do posto por um instante sequer, e garante que nem o garoto nem o homem poderiam ter passado por ali sem serem vistos. Falei com o policial esta noite, e me pareceu ser uma pessoa confiável. Isso fecha esta saída. Temos agora que lidar com a outra. Há uma hospedaria aqui, a Red Bull, cuja proprietária está doente. Ela chamou um médico em Mackleton, mas ele só chegou pela manhã, pois estava fora, num outro caso. O pessoal do hotel ficou alerta a noite toda, esperando a chegada dele, e um ou outro estava sempre de olho na estrada. Afirmaram que ninguém passou. Se o depoimento deles é verdadeiro, então podemos bloquear o oeste, e também estamos em condições de afirmar que os fugitivos não usaram a estrada de maneira nenhuma.
– Mas, e a bicicleta? – objetei.
– Perfeitamente. Chegaremos já na bicicleta. Continuando nosso raciocínio: se estas pessoas não foram pela estrada, devem ter cruzado o campo para o norte ou para o sul da casa. Isso é certo. Vamos comparar um e outro. Ao sul da casa, como vê, há um terreno grande de terra arável, cortado em campos pequenos, com muros de pedra entre eles. Aqui, admito que uma bicicleta é impossível. Podemos descartar a idéia. Vejamos o norte do terreno. Aqui há um bosque, chamado Ragged Shaw, e do lado mais distante há um pântano grande e ondulado, Lower Gill Moor, que se estende por 10 quilômetros e se eleva gradualmente. Aqui, num lado dessa região isolada, está Holdernesse Hall, a pouco mais de 10 quilômetros pela estrada, mas a apenas 6 pelo pântano. É uma planície particularmente desolada. Alguns fazendeiros têm pequenos terrenos, onde criam ovelhas e gado bovino. À exceção destes, as aves e os maçaricos são os únicos habitantes até que se chegue à estrada principal de Chesterfield. Há uma igreja ali, alguns chalés e um hotel. Depois dali os precipícios tornam-se mais íngremes. Com certeza é aqui para o norte que a nossa busca deve seguir.
– Mas e a bicicleta? – insisti.
– Ora, ora! – disse Holmes com impaciência. – Um bom ciclista não precisa de uma auto-estrada. A planície é cortada por trilhas e era lua cheia. Ei, o que é isso?
Houve uma batida nervosa na porta e logo depois o dr. Huxtable estava dentro do quarto. Segurava um boné de críquete azul com um distintivo branco no alto.
– Afinal temos uma pista! – exclamou. – Graças a Deus! Finalmente estamos na trilha do pobre garoto! Este é o seu boné.