Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Entretanto, tendo reconhecido que os símbolos representavam letras, e tendo aplicado as regras que servem para qualquer forma de escrita secreta, a solução ficou bem fácil. A primeira mensagem entregue a mim era tão curta que era impossível fazer algo mais do que dizer, com alguma certeza, que o símbolo representava o E. Como sabem, o E é a letra mais comum no alfabeto inglês, e predomina de modo tão notável, que mesmo numa sentença curta podemos esperar encontrá-la com muita freqüência. Dos 15 símbolos da primeira mensagem, quatro eram os mesmos, portanto seria razoável apontá-los como E. É verdade que em alguns casos a figura segurava uma bandeira e em outros não, mas era provável, pela maneira como as bandeiras estavam distribuídas, que eram usadas para dividir as palavras da frase. Aceitei isso como uma hipótese, e anotei que E era representado por .
– Mas agora vinha a verdadeira dificuldade da pesquisa: a ordem das letras inglesas depois do E não é bem demarcada, e qualquer preponderância que possa ser mostrada na média de uma folha impressa pode ser revertida numa única frase pequena. De modo aproximado, T, A, O, I, N, S, H, R, D e L são a ordem numérica em que as letras ocorrem; mas T, A, O e I aparecem com freqüência quase igual uma da outra, e seria um trabalho infindável tentar cada combinação, até chegar a um sentido. Portanto, esperei por novo material. Na minha segunda entrevista com o sr. Hilton Cubitt, ele me deu duas outras frases curtas e uma mensagem, que parecia – já que não havia bandeiras – ser uma única palavra. Aqui estão os símbolos. Agora, na palavra única, consegui dois E, vindo em segundo e quarto lugares num total de cinco letras. Podia ser “”, “” ou “”*. Não há dúvida de que a última, em resposta a um apelo, é a mais provável, e as circunstâncias a apontavam como sendo uma resposta escrita pela senhora. Aceitando isso como correto, podemos dizer agora que os símbolos representam respectivamente N, V e R.
– Mesmo assim eu estava numa grande dificuldade, mas uma idéia feliz deu-me várias outras letras. Ocorreu-me que se esses apelos vinham, como esperava, de alguém íntimo da senhora em sua vida passada, uma combinação que contivesse dois E, com três letras entre eles, podia muito bem ser o nome “Elsie”. Num exame, descobri que esta combinação formava o final da mensagem, que se repetia três vezes. Devia ser algum apelo a “Elsie”. Desta maneira consegui meus L, S e I. Mas que apelo seria esse? Só havia quatro letras na palavra que precedia “Elsie” e terminava em E. Certamente a palavra seria “”.** Tentei todas as outras quatro letras, terminando em E, mas não consegui encontrar nenhuma que se encaixasse no caso. De modo que agora eu tinha C, O e M, e estava em condições de atacar mais uma vez a primeira mensagem, dividindo-a em palavras e colocando pontos para cada símbolo ainda desconhecido. Fiz isso, e saiu desta maneira:
. M . E R E . . E S L . N E.
– Agora, a primeira letra só ser A, o que é uma descoberta muito útil, já que aparece não menos do que três vezes nesta frase curta, e o H também é evidente na segunda palavra. Agora ficou assim:
AM HERE A. E. SLANE.
Ou, preenchendo os espaços óbvios no nome:
AM HERE ABE SLANEY***
Tinha tantas letras agora que podia continuar com bastante confiança na segunda mensagem, que ficou desta forma:
A . ELRI. ES.
Aqui só podia fazer sentido colocando T e G no lugar das letras que faltavam, e supondo que o nome era o de uma casa ou hotel em que estava o autor da mensagem.
O inspetor Martin e eu ouvimos com o maior interesse o relato completo e claro de como meu amigo obteve os resultados que nos levaram a superar completamente nossas dificuldades.
– O que fez então, senhor? – perguntou o inspetor.
– Tinha motivo para supor que este Abe Slaney era americano, porque Abe é uma contração americana e uma carta dos Estados Unidos é que foi o ponto de partida de todo o problema. Também tinha motivos para pensar que havia algum segredo criminoso no assunto. As alusões da senhora sobre o seu passado e sua recusa em confiar no marido apontavam nessa direção. De modo que passei um cabograma ao meu amigo Wilson Hargreave, do Departamento de Polícia de Nova York, que mais de uma vez recorreu aos meus conhecimentos do crime de Londres. Perguntei a ele se conhecia o nome Abe Slaney. Aqui está a resposta: “O bandido mais perigoso de Chicago”. Na mesma noite em que recebi esta resposta, Hilton Cubitt me mandou a última mensagem de Slaney. Trabalhando com as letras conhecidas, ela ficou com esta forma:
ELSIE . RE . ARE TO MEET THY GO.
O acréscimo de um P e um D completaram a mensagem,* que me mostrou que o patife estava passando da persuasão às ameaças, e o meu conhecimento a respeito dos bandidos de Chicago fez com que eu achasse que ele transformaria rapidamente suas palavras em ação. Vim imediatamente para Norfolk com o meu amigo e colega, dr. Watson, mas, infelizmente, apenas a tempo de descobrir que o pior já tinha acontecido.
– É um privilégio trabalhar junto com o senhor em um caso – disse o inspetor com entusiasmo. – Porém, vai me desculpar se lhe falar francamente. O senhor só precisa dar respostas a si mesmo, mas eu tenho de prestar contas aos meus superiores. Se este Abe Slaney, que mora em Elrige, é de fato o assassino, e se ele escapou enquanto estou sentado aqui, eu certamente terei sérios problemas.
– Não precisa se preocupar. Ele não tentará escapar.
– Como sabe?
– A fuga seria uma confissão de culpa.
– Então vamos prendê-lo.
– Espero-o aqui a qualquer momento.
– Mas por que ele viria?
– Porque escrevi pedindo a ele que viesse.
– Mas isto é incrível, sr. Holmes! Ele viria porque o senhor pediu? Um pedido deste tipo não despertaria sua suspeita e o faria fugir?
– Creio que soube elaborar a carta – disse Sherlock Holmes. – De fato, se não me engano, aqui está o cavalheiro subindo pela estrada.
Um homem entrava pelo caminho que ia até a porta. Era alto, bonito e moreno, vestido com um terno de flanela cinza, com um chapéu panamá, uma barba negra eriçada e um nariz adunco, grande e agressivo, e balançando uma bengala enquanto andava. Passou pelo caminho como se o lugar lhe pertencesse, e ouvimos seu toque alto e confiante na campainha.
– Creio, cavalheiros – disse Holmes calmamente –, que é melhor nos colocarmos atrás da porta. Toda precaução é necessária ao lidarmos com esse camarada. Vai precisar de suas algemas, inspetor. Pode deixar a conversa comigo.
Esperamos em silêncio por um minuto – um desses minutos dos quais nunca poderemos nos esquecer. Então a porta se abriu e o homem entrou. Num instante Holmes apontou a pistola para sua cabeça e Martin colocou as algemas nos seus pulsos. Tudo foi feito com tanta rapidez e habilidade que o sujeito estava indefeso antes de perceber que fora atacado. Olhou-nos um a um com seus olhos negros em chamas. Então explodiu numa gargalhada.
– Bem, cavalheiros, vocês me pegaram desta vez. Acho que bati em alguma coisa dura. Mas vim em resposta à carta da sra. Hilton Cubitt. Não me digam que ela está metida nisso. Não me digam que ela ajudou a preparar essa armadilha para mim.
– A sra. Hilton Cubitt foi gravemente ferida e está à beira da morte.
O homem deu um grito rouco de dor, que ecoou pela casa.
– Está maluco! – gritou, furioso. – Foi ele o atingido, não ela. Quem iria machucar a pequena Elsie? Posso tê-la ameaçado – Deus me perdoe! – mas não tocaria num fio de cabelo de sua linda cabeça. Diga que é mentira! Diga que ela não está machucada!
– Ela foi encontrada, muito ferida, ao lado de seu marido morto.