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O Poderoso Chefão [em Portugues]

Электронная книга - «O Poderoso Chefão [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Numa reconstrução do mundo dos mafiosos, que imortalizou o personagem Don Corleone, Mario Puzo leva o leitor ao próprio coração da Máfia, revelando toda a violência, chantagem, terror e degradação que a caracterizam. Don Corleone é um dos cabeças da Máfia nova-iorquina, pessoa benevolente que obedece a um critério de justiça muito pessoal. Ele pode ser um amigo prógigo, mas se torna implacável na eliminação de obstáculos que contrariem seus objetivos. Movimentando personagens num mundo de violência, negócios, ódio e sexo, Mario Puzo consagrou-se com este livro que foi levado ao cinema com o mesmo sucesso, com Don Corleone interpretado por Marlon Brando.
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Michael afastou-se da janela.

— O velho planejou uma boa parte dela. Nunca cheguei a compreender bem quão esperto ele era. Acho que você sabe.

— Ninguém como ele — retrucou Hagen. — Mas isso está lindo. Isso é a melhor coisa que já vi. Portanto, você não pode ser assim tão ruim.

— Vamos ver o que acontece — disse Michael. — Tessio e Clemenza estão na alameda?

Hagen acenou com a cabeça afirmativamente, Michael terminou de beber o seu conhaque.

— Mande Clemenza falar aqui comigo. Vou instruí-lo pessoalmente. Não quero ver Tessio. Diga-lhe apenas que estarei pronto para ir com ele à reunião com Barzini dentro de meia hora. O pessoal de Clemenza cuidará dele depois disso.

— Não há meio de se deixar Tessio escapar? — perguntou Hagen numa voz cautelosa.

— Não — respondeu Michael.

Enquanto isso, na cidade de Buffalo, uma pequena pizzaria numa rua lateral estava fazendo um negócio movimentado. Quando passou a hora do almoço, o movimento caiu e o balconista tirou da janela a bandeja redonda com os pedaços que haviam sobrado e pôs na prateleira do enorme forno de tijolos. Em. seguida, deu uma espiada dentro do forno para ver como ia uma pizza que estava assando ali. A mozzarela ainda não começara a fazer bolhas. Quando voltou para o balcão que lhe permitia atender o pessoal da rua, encontrou ali de pé um rapaz mal-encarado, que lhe falou:

— Me dê um pedaço de pizza.

O balconista pegou a sua pá de madeira e apanhou um dos pedaços frios da pizza para metê-lo no forno a fim de esquentá-lo. O freguês, em vez de esperar lá fora, resolveu atravessar a porta para ser atendido. A casa agora estava vazia. O balconista abriu o forno e tirou o pedaço de pizza quente e serviu-o num prato de papel. Mas o freguês, em vez de dar-lhe o dinheiro da pizza, estava olhando fixamente para ele.

— Ouvi dizer que você tem uma tatuagem grande no peito — disse o freguês. — Estou vendo a parte superior dela por cima de sua camisa, quer-me deixar ver o resto dela?

O balconista ficou gelado. Parecia paralisado.

— Abra a camisa — ordenou o freguês.

O balconista balançou a cabeça.

— Não tenho tatuagem — respondeu, num inglês carregadamente acentuado. — O homem que trabalha de noite é que tem.

O freguês deu uma gargalhada soturna, forçada.

— Vamos, desabotoe a camisa, deixe-me ver..

O balconista começou a recuar para o fundo da casa, procurando contornar o enorme forno. Mas o freguês ergueu a mão acima do balcão. Havia um revólver nela. Ele atirou. A bala atingiu o balconista no peito e jogou-o contra o forno. O freguês atirou novamente no corpo do balconista e este tombou no chão. O freguês deu a volta pelo balcão, abaixou-se e abriu violentamente a camisa, arrancando-lhe os botões. O peito do balconista estava coberto de sangue, mas a tatuagem se mostrava bem visíveclass="underline" os amantes entrelaçados e a faca transfixando-os. O balconista levantou debilmente um dos braços como que para se proteger. O pistoleiro falou então:

— Fabrizzio, Michael Corleone manda-lhe lembranças.

Estendeu o braço de forma que o revólver ficasse a poucos centímetros do crânio do balconista e puxou o gatilho. Depois saiu da pizzaria. A poucos metros, um carro esperava por ele com a porta aberta. Ele saltou para dentro e o carro arrancou velozmente.

Rocco Lampone atendeu ao telefone instalado numa das colunas de ferro do portão e ouviu alguém dizer:

— A sua encomenda está pronta — e em seguida desligou.

Rocco entrou no seu carro e saiu da alameda. Atravessou a pista elevada de Jones Beach, a mesma na qual Sonny fora assassinado, e seguiu até a estaçâo ferroviária de Wantagh. Estacionou seu carro ali. Outro carro estava esperando por ele com dois homens no seu interior. Foram até a um motel situado a dez minutos de distância na Estrada Sunrise e estacionaram em seu pátio. Rocco Lampone, deixando os dois homens no carro, dirigiu-se para um dos pequenos bangalôs tipo chalé. Um só pontapé fez a porta saltar das dobradiças e Rocco pulou dentro do quarto.

Phillip Tattaglia, com 70 anos de idade e nu como um bebê, estava em pé numa cama na qual se achava deitada uma mulher jovem. A basta cabeleira de Philhip Tattaglia estava completamente preta, mas o pêlo de seu púbis era totalmente branco. O seu corpo tinha a suave forma roliça de uma ave. Rocco despejou-lhe quatro balas, todas na barriga. Depois virou-se e voltou correndo para o carro. Os dois homens deixaram-no na estação de Wantagh. Ele apanhou o seu carro e retornou à alameda. Foi lá dentro falar com Michael Corleone por um momento e depois saiu e reassumiu seu posto no portão.

Albert Neri, sozinho em seu apartamento, terminou de aprontar seu uniforme. Vagarosamente começou a se vestir: calças, camisa, gravata, paletó, coldre e cinturão. Ele devolveu o seu revólver quando foi suspenso da polícia, mas, por qualquer negligência administrativa, não o fizeram devolver o escudo. Clemenza fornecera-lhe um revólver regulamentar da polícia, de calibre 38, cuja origem não podia ser identificada. Neri desmontou-o, lubrificou-o, examinou o cão, montou-o novamente, experimentou o gatilho. Carregou o tambor e a arma estava pronta para funcionar.

Neri meteu o boné de polícia num saco de papel grosso e vestiu um sobretudo civil por cima de seu uniforme. Olhou as horas no seu relógio. Faltavam quinze minutos para que o carro viesse apanhá-lo lá embaixo. Passou os quinze minutos examinando-se no espelho. Não havia dúvida. Ele parecia um verdadeiro policial.

O carro o aguardava com dois homens de Rocco Lampone na frente. Neri entrou no assento traseiro. Quando o carro partiu para o centro da cidade, depois que eles deixaram as proximidades do seu apartamento, Neri tirou o sobretudo e colocou-o no piso do carro. Rasgou o saco de papel e pôs o boné de oficial da polícia na cabeça.

Na esquina na Rua 55, na Quinta Avenida, o carro parou no meio-fio e Neri saltou. Começou a descer a pé a avenida. Tinha um sentimento estranho ao ver-se novamente uniformizado, patrulhando as ruas como tinha feito tantas vezes, O movimento de pedestres era intenso àquela hora. Foi caminhando até chegar em frente ao Rockefeller Center, no lado oposto a quem vem da Catedral de Saint Patrick. No seu lado da Quinta Avenida, ele localizou a limusine que procurava. Estava estacionada, completamente isolada entre uma série enorme de sinais vermelhos indicando ESTACIONAMENTO PROIBIDO e PARADA PROIBIDA. Neri diminuiu o passo. Ainda era muito cedo. Parou para escrever alguma coisa em seu caderninho e depois continuou a andar. Estava à frente da limusine. Bateu no pára-lama com o seu cassetete. O motorista olhou surpreso para ele. Neri apontou com o cassetete para o sinal de PARADA PROIBIDA e acenou para o motorista que movimentasse o carro. O motorista virou a cabeça para o outro lado.

Neri desceu para a rua e se postou ao lado da janela aberta do motorista. O sujeito era mal-encarado, exatamente o tipo que ele gostava de enfrentar. Neri falou de modo deliberadamente insultuoso:

— Como é, seu espertinho, você vai querer que eu lhe pregue um talão de multa na bunda ou prefere andar?

O motorista respondeu impassivelmente:

— É melhor você perguntar aos seus superiores. Me dê o talão de multa se isso vai-lhe fazer sentir-se feliz.

— Vai caindo fora daqui — gritou Neri — ou o arranco desse carro e lhe arrebento a bunda a pontapés!

O motorista fez aparecer uma nota de dez dólares como que por um passe de mágica, dobrou-a, formando um pequeno quadrado, com uma das mãos, e tentou enfiá-la na blusa de Neri. Este voltou para a calçada e chamou o motorista com o dedo. O motorista saiu do carro

— Deixe-me ver os documentos do carro — disse Neri.

Ele esperava poder levar o motorista a contornar o quarteirão, mas isso já não era possível. Com o canto do olho, Neri viu três homens baixos, fortes, descendo a escada do edifício Plaza e vindo na direção da rua. Era o próprio Barzini e seus dois guarda-costas a caminho para encontrar-se com Michael Corleone. Imediatamente, um dos guarda-costas destacou-se do grupo e veio ver o que é que havia com o carro de Barzini. O homem perguntou ao motorista:

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