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O Poderoso Chefão [em Portugues]

Электронная книга - «O Poderoso Chefão [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Numa reconstrução do mundo dos mafiosos, que imortalizou o personagem Don Corleone, Mario Puzo leva o leitor ao próprio coração da Máfia, revelando toda a violência, chantagem, terror e degradação que a caracterizam. Don Corleone é um dos cabeças da Máfia nova-iorquina, pessoa benevolente que obedece a um critério de justiça muito pessoal. Ele pode ser um amigo prógigo, mas se torna implacável na eliminação de obstáculos que contrariem seus objetivos. Movimentando personagens num mundo de violência, negócios, ódio e sexo, Mario Puzo consagrou-se com este livro que foi levado ao cinema com o mesmo sucesso, com Don Corleone interpretado por Marlon Brando.
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Michael esperou que Neri servisse as bebidas. Depois falou calmamente:

— Quero apenas dizer a todos os que estão aqui que compreendo como se sentem. Sei que todos vocês respeitavam meu pai, mas agora devem se preocupar com vocês mesmos e com as suas famílias. Alguns de vocês estão em dúvida sobre como tudo o que aconteceu vai afetar os planos que tracei e as promessas que fiz. Bem, a resposta a isso é: nada. Tudo realmente continua como antes.

Clemenza balançou a sua grande cabeça de búfalo. O seu cabelo era grisalho e as suas feições, mais profundamente acentuadas em camadas adicionais de gordura, apresentavam um aspecto desagradável.

— Os Barzini e os Tattaglia vão começar agora a nos dar duro mesmo, Mike. Você tem de lutar ou fazer acordo com eles.

Todos na sala perceberam que Clemenza não se dirigira de modo formal a Michael nem tampouco usara o título de Don ao falar com ele.

— Vamos esperar para ver o que acontece — retrucou Michael. — Vamos deixar que eles rompam a paz primeiro.

— Eles já romperam, Mike — acrescentou Tessio na sua voz macia. — Abriram duas agências de bookmaker no Brooklyn esta manhã. Eu soube disso por intermédio do capitão da polícia que faz a “lista de proteção” no distrito policial. Dentro de um mês, não terei mais nem um lugar para pendurar o chapéu em todo o Brooklyn.

Michael olhou para ele pensativamente.

— Você já fez algo a respeito?

Tessio balançou a sua pequena cabeça de furão.

— Não — respondeu. — Eu não quis criar problemas para você.

— Ótimo — retrucou Michael. — Agüente firme. E acho que é isso o que quero dizer a todos vocês. Agüentem firme. Não reajam a qualquer provocação. Dêem-me algumas semanas para acertar as coisas, para ver em que direção o vento vai soprar. Então farei a melhor coisa que puder para todos os que estão aqui. Então faremos uma reunião definitiva e tomaremos algumas decisões finais.

Michael não tomou conhecimento da surpresa demonstrada por eles e mandou Albert Neri acompanhá-los até a saída. E abruptamente falou:

— Tom, espere alguns minutos.

Hagen foi até a janela que dava para a alameda. Esperou até ver que os caporegimes e Carlo Rizzi e Rocco Lampone acompanhados de Neri haviam atravessado o portão guardado. Depois voltou-se para Michael e perguntou:

— Vocês já têm todas as ligações políticas sob seu controle?

— Todas, não. Preciso de mais uns quatro meses. O Don e eu estávamos trabalhando nisso. Mas já conheço todos os juízes, fizemos isso primeiro, e alguns dos elementos mais importantes do Congresso. E a rapaziada do grande partido aqui em Nova York não foi problema, naturalmente. A Família Corleone é bem mais forte do que muita gente pensa, mas eu esperava tornar isso claro.

Ele sorriu para Hagen e arrematou:

— Acho que você compreendeu tudo agora.

Hagen acenou com a cabeça.

— Não foi difícil. A não ser quando você me pôs fora do negócio. Mas comecei a raciocinar à moda siciliana e finalmente compreendi isso também

Michael deu uma gargalhada.

— O velho disse que você compreenderia. Mas isso é um luxo a que não posso mais me dar. Preciso de você aqui. Pelo menos nas próximas semanas. É melhor você telefonar para Las Vegas e falar com sua mulher. Diga a ela que você ficará aqui apenas algumas semanas.

— Como é que você acha que eles virão a você? — perguntou Hagen pensativamente.

Michael suspirou.

— O Don me instruiu. Por intermédio de alguém íntimo. Barzini entrará em contato comigo através de alguém íntimo, de quem, aparentemente eu não desconfie.

Hagen sorriu para ele e disse:

— Alguém como eu.

Michael retribuiu o sorriso e retrucou:

— Você é irlandês, eles não confiarão em você.

— Eu sou teuto-americano — respondeu Hagen.

— Para eles, isso é irlandês — retrucou Michael. — Eles não procurarão você e não procurarão Neri porque ele é um ex-policial. Ainda mais, vocês dois são muito chegados a mim. Eles não podem arriscar tanto. Rocco Lampone não é bastante íntimo. Nem tampouco Clemenza, Tessio ou Carlo Rizzi o são.

— Aposto que vai ser Carlo — comentou Hagen.

— Veremos — respondeu Michael. — Não vai demorar muito.

Foi na manhã seguinte, enquanto Hagen e Michael estavam tomando o breakfast juntos. Michael atendeu um telefonema na biblioteca, e quando voltou para a cozinha, disse para Hagen:

— Está tudo combinado. Vou-me encontrar com Barzini daqui a uma semana. Para estabelecer uma nova paz agora que o Don morreu.

Michael deu uma gargalhada.

— Quem telefonou para você, quem fez o contato? — perguntou Hagen.

Ambos sabiam que o elemento da Família Corleone, quem quer que fosse que tivesse feito o contato se tornaria traidor.

Michael respondeu a Hagen com um sorriso pesaroso:

— Tessio.

Comeram o resto do breakfast em silêncio. Ao café, Hagen balançou a cabeça.

— Eu poderia jurar que seria Carlo ou talvez Clemenza. Jamais imaginei Tessio. É o melhor da turma.

— É o mais inteligente — respondeu Michael. — E ele fez o que lhe parece ser a coisa mais engenhosa. Ele me expõe ao golpe de Barzini e herda a Família Corleone. Ele está do meu lado e sai limpo do negócio; pensa que eu não posso ganhar.

Hagen fez uma pausa e perguntou com relutância:

— Até onde ele está pensando certo?

Michael deu de ombros.

— A coisa não parece boa. Mas meu pai era a única pessoa que sabia que ligações e poder políticos valem dez regimes. Penso que tenho agora nas mãos a maior parte do poder político do meu pai, mas sou a única pessoa que realmente sabe disso.

Ele sorriu para Hagen tranqüilizadoramente:

— Eu os farei chamar-me de Don. Mas me sinto enojado com Tessio.

— Você concordou em comparecer à reunião com Barzini? — perguntou Hagen.

— Concordei — respondeu Michael. — Daqui a uma semana. No Brooklyn, no território de Tessio, onde estaremos seguros.

Michael deu outra gargalhada.

— Tome cuidado até lá — aconselhou Hagen.

Pela primeira vez Michael falou friamente a Hagen:

— Não preciso de um consigliori para me dar esse tipo de conselho.

Durante a semana que precedeu a reunião de paz entre as Famílias Corleone e Barzini, Michael mostrou a Hagen como podia ser cauteloso. Não pôs o pé fora da alameda uma só vez, nem tampouco recebeu qualquer pessoa sem ter Neri a seu lado. Houve apenas uma complicação desagradável. O filho mais velho de Connie e Carlo devia ser crismado na Igreja Católica e Kay pediu a Michael que fosse o padrinho. Michael não aceitou.

— Não lhe peço muitas coisas — respondeu Kay. — Por favor, faça isso por mim. Connie deseja tanto que você faça. Carlo também. É muito importante para eles. Por favor, Michael.

Kay percebeu que ele ficou zangado com ela por insistir e esperava que ele recusasse. Portanto, ficou surpresa quando ele acenou com a cabeça e respondeu:

— Está bem. Mas não sairei da alameda. Diga a eles que arranjem para que o padre venha crismar o menino aqui. Eu pagarei, custe o que custar. Se eles encontrarem alguma dificuldade com o pessoal da igreja, Hagen acertará as coisas.

E assim, no dia anterior à reunião com a Família Barzini, Michael Corleone serviu de padrinho do filho de Carlo e Connie Rizzi. Ele presenteou o menino com um relógio de pulso extremamente caro e uma pulseira de ouro. Houve uma pequena festa na casa de Carlo, para a qual foram convidados os caporegimes, Hagen, Lampone e todas as pessoas que moravam na alameda, inclusive, naturalmente, a viúva de Don Corleone. Connie estava tão emocionada que abraçou e beijou o irmão e Kay durante toda a noite. E até Carlo Rizzi se tornou sentimental, apertando a mão de Michael e chamando-o de Padrinho a todo momento — um velho costume da Sicília. O próprio Michael nunca foi tão amável, tão expansivo. Connie sussurrou no ouvido de Kay:

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