Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
- Peguei-o e examinei-o. Era da mesma cor peculiar e da mesma espessura. Mas então vi corno era impossível. Como poderia meu cabelo estar trancado naquela gaveta? Com mãos trêmulas, abri minha mala, tirei o que estava dentro e lá no fundo estava o meu cacho. Coloquei os dois juntos e garanto-lhes que eram idênticos. Não é extraordinário? Por mais que pensasse, não consegui entender o que significava. Coloquei o cacho estranho de volta na gaveta e não disse nada aos Rucastles, pois achei que fora errado de minha parte abrir uma gaveta que eles haviam fechado.
- Sou por natureza muito observadora, como deve ter notado, Sr. Holmes, e logo tinha mentalmente uma idéia clara da disposição de todos os aposentos da casa. Havia uma ala, entretanto, que parecia não ser habitada. Havia uma porta em frente da porta dos aposentos dos Tollers que dava para essa ala, mas estava sempre trancada. Um dia, entretanto, quando eu subia as escadas, encontrei o Sr. Rucastle saindo dessa porta com as chaves na mão e uma expressão no rosto que o tomava muito diferente do homem gordo e jovial a quem estava acostumada. As faces estavam vermelhas, a testa franzida de raiva e as veias salientes. Trancou a porta e passou por mim apressadamente sem dizer uma palavra, nem olhar para mim.
- Isso despertou minha curiosidade, e quando passeava com a criança, fui até o lado de onde podia ver as janelas dessa parte da casa. Havia quatro em fileira, três das quais estavam somente sujas, mas a quarta estava tapada com tábuas de madeira. Todas estavam evidentemente desertas. Enquanto passeava de um lado para o outro, o Sr. Rucastle chegou até mim, alegre e jovial como sempre.
- "Ali!" disse, "não me julgues rude se passei pela senhora sem dizer nenhuma palavra. Estava preocupado com assuntos de negócios".
- Garanti que não ficara ofendida. "Por falar nisso", disse, "parece que tem muitos quartos vazios lá em cima e um deles tem uma janela coberta de madeira".
- "Meu hobby é fotografia", respondeu. "Lá é minha câmara escura. Mas, meu Deus! Que moça observadora! Quem podia imaginar isso? Quem podia imaginar isso?" Falou em tom brincalhão, mas não havia nada de brincalhão em seus olhos ao olhar para mim. Só vi suspeita e irritação em seu olhar.
- Bem, Sr. Holmes, do momento em que compreendi que havia alguma coisa naqueles quartos que eu não devia ver, fiquei ansiosa para revistá-los. Não era só curiosidade, embora seja muito curiosa. Era mais como que um de obrigação, um sentimento de que alguma coisa boa poderia acontecer se conseguisse entrar naqueles quartos. Fala-se muito do instinto feminino. Talvez fosse o instinto feminino que me fazia sentir isso. Seja como for ele, era o que sentia. E fiquei atenta a qualquer possibilidade de atravessar a porta proibida.
- Foi ontem que tive essa chance. Devo dizer-lhes que além do Sr. Rucastle, tanto Toller quanto sua mulher têm alguma coisa a fazer nesses quartos desertos e urna vez o vi sair com uma sacola preta grande. Ultimamente ele tem bebido muito e ontem à tarde estava completamente bêbedo. Quando subi, lá estava a chave na porta. Não tenho dúvida nenhuma que foi ele que a deixou lá. O Sr. e a Sra. Rucastle estavam lá embaixo e a criança com eles, portanto a oportunidade era ótima. Virei a chave devagar, abri a porta o entrei.
- Havia um pequeno corredor à minha frente, sem papel nas paredes e sem tapete, que virava à direita na outra extremidade. Nesse trecho havia três portas; a primeira e a terceira estavam abertas. Davam para quartos vazios, empoeirados, um com duas janelas e o outro com uma, tão sujas que a luz da tarde mal penetrava. A porta do meio estava fechada e atravessada por uma barra de ferro larga, com um cadeado preso a um anel de ferro fixo na parede em uma ponta e amarrada com uma grossa corda na outra. A porta também estava trancada e não havia sinal de chave. Essa porta fortificada correspondia claramente à janela coberta de tábuas, mas pude ver pelo pouco de luz que escapava por baixo que o quarto não estava totalmente às escuras. Enquanto estava parada olhando essa porta sinistra e pensando em que segredo esconderia, ouvi de repente o som de passos dentro do quarto e vi uma sombra passar de um lado para o outro, delineada pela luz debaixo da porta. Um medo louco e irracional se apossou de mim, Sr. Holmes. Meus nervos tensos não agüentaram mais, virei e corri como se uma mão horrenda estivesse atrás de mim, agarrando a saia de meu vestido. Corri pelo corredor, atravessei a porta e caí nos braços do Sr. Rucastle, que estava do lado de fora.
- "Então", disse com um sorriso, "era a senhora. Achei que devia ser quando vi a porta aberta".
- "Estou com tanto medo!" disse ofegante.
- "Minha cara senhora! Minha cara senhora!" Não imagina corno sua voz era suave e acariciante. "O que lhe deu tanto medo, minha cara?"
- Mas a voz era macia demais. Ele exagerou. Fiquei prevenida contra ele.
- "Fiz a tolice de entrar nessa ala deserta", respondi. "Estava tudo tão escuro, tão calado que fiquei com modo e saí correndo. Olhe, corno é solitário aí dentro!"
- "Foi só isso?" disse, olhando-me atentamente.
- "Sim, por que pergunta?"
- "Por que acha que tranco esta porta?"
- "Claro que não sei".
- "Para evitar a entrada de pessoas que não têm nada a fazer lá dentro. Entende?" Sorria ainda da maneira mais amável.
- "Estou certa de que se soubesse..."
- "Bem, agora sabe. E se ousar atravessar essa porta de novo..." em um segundo o sorriso se transformou em uma careta de raiva e me olhou com a cara de demônio, "eu a jogo ao mastim".
- Fiquei tão aterrorizada que não sei o que fiz. Suponho que passei por ele correndo e fui para meu quarto. Não me lembro de nada até me encontrar na cama, tremendo dos pés à cabeça. Então pensei no senhor, Sr. Holmes. Não podia continuar a morar lá sem alguma ajuda. Estava com medo da casa, do homem, da mulher, dos empregados, até da criança. Todos me pareciam horríveis. Se conseguisse trazer o senhor aqui, tudo estaria bem. Naturalmente, podia ter fugido da casa, mas minha curiosidade era tão forte quanto meu medo. Tomei logo uma decisão. Ia lhe mandar um telegrama. Coloquei o chapéu e o casaco, fui até o telégrafo, que fica quase a um quilômetro da casa e voltei me sentindo muito melhor. Senti uma dúvida terrível quando me aproximei da porta de que o cão podia estar solto, mas me lembrei que Toller havia bebido tanto que estava inconsciente e sabia que ele era o único que tinha alguma influência sobre a criatura selvagem, ou que se aventuraria a soltá-la. Entrei sem que nada me acontecesse e fiquei acordada metade da noite de alegria, sabendo que ia vê-lo. Não tive problema em obter permissão para vir a Winchester hoje de manhã, mas tenho de voltar antes das três, pois o Sr. e a Sra. Rucastle vão sair para fazer uma visita e só voltarão à noite e tenho de tomar conta da criança. Essas são as minhas aventuras, Sr. Holmes, e ficaria muito grata se me dissesse o que tudo isso significa e, acima de tudo, o que devo fazer.
Holmes e eu ouvíramos essa extraordinária história estupefatos. Meu amigo se levantou e andou de um lado para o outro com as mãos nos bolsos e uma expressão profundamente grave.
- Toller ainda está bêbedo? - perguntou.
- Sim. Ouvi a mulher dele dizer à Sra. Rucastle que não podia fazer nada com ele.
- Isso é bom. E os Rucastles vão sair hoje à tarde?
- Sim.
- Existe um porão com uma boa fechadura?
- Sim, a adega.
- A senhora agiu, aparentemente, em tudo isso como uma moça muito corajosa e sensata, Srta. Hunter. Acha que pode realizar mais uma proeza? Não lhe pediria isso se não achasse que é uma mulher excepcional.