Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
- A Sra. Rucastle parecia desbotada mentalmente quanto fisicamente. Não me causou impressão favorável nem desfavorável. Era completamente apagada. Era fácil de ver que se dedicava apaixonadamente ao marido e ao pequeno filho. Seus olhos cinzento-claros iam de um a outro constantemente, notando e antecipando todos os seus desejos. Ele era muito bondoso com ela, de sua maneira rude e expansiva, e em geral pareciam muito felizes. No entanto, essa mulher tinha algum desgosto secreto. Multas vezes ficava perdida em seus pensamentos, com uma expressão profundamente triste. Mais de uma vez a surpreendi chorando. Pensei algumas vezes que fosse a disposição do filho que a preocupava, pois nunca vi uma criança tão mimada e de tão mau gênio. É pequeno para a idade, com uma cabeça desproporcionalmente grande. Parece passar a vida inteira alternando entre acessos de fúria e intervalos de mau humor. Sua única idéia de divertimento é torturar qualquer criatura menor e mais fraca e demonstra considerável talento em planejar a captura de camundongos, passarinhos o insetos. Mas prefiro não falar dessa criança, Sr. Holmes, e na verdade, não tem nada a ver com a minha história.
- Gosto de todos os detalhes, - disse meu amigo - mesmo que pareçam irrelevantes.
- Procurarei não omitir nada importante. A única coisa desagradável na casa, que me impressionou logo, é a aparência e conduta dos empregados. Há só dois, um homem e sua mulher. Que é o nome do homem, é um homem rude, grosseiro, de cabelos e barba grisalhos, que cheira sempre à bebida. Duas vezes, desde que estou com elos, ficou completamente bêbedo, o Sr. Rucastle pareceu nem notar. Sua mulher é muito alta e forte, de cara amarrada, tão calada quanto a Sra. Rucastle e muito menos amigável. Foi um casal muito desagradável, mas felizmente passo a maior parte do tempo no quarto de crianças e em meu próprio quarto, que ficam um ao lado do outro em um canto do prédio.>>
- Nos primeiros dois dias após chegar em Faias Roxas minha vida correu mansamente. No terceiro, a Sra. Rucastle desceu logo após o café da manhã e murmurou algum coisa no ouvido do marido.
- "Ah, sim", - disse ele, virando para mim, "a senhora, Srta. Hunter, por ter atendido nossos caprichos e cortado seus cabelos. Garanto-lhe que não alterou em nada sua, bela aparência. Vamos ver agora como lhe assenta o vestido azul-elétrico. A senhora vai encontrá-lo estendido em sua cama e se quiser ter a bondade de vesti-lo, ficaremos ambos muito gratos .
- O vestido que encontrei à minha espera em de um tom peculiar de azul. A fazenda era excelente, mas mostrava sinais evidentes de já ter sido usam do antes. Não podia um servir melhor se tivesse sido feito para mim. O Sr. e a Sra. Rucastle expressaram uma admiração, quando me viram, que me pareceu muito exagerada, de tão veemente. Estavam me esperando no salão, que é muito grande, estendendo-se por toda a frente da casa, com três grandes janelas que vão até o chão. Uma cadeira estava colocada perto da janela do meio, com as costas viradas para ela. Pediram que sentasse nela e então o Sr. Rucastle, passeando de um lado para o outro, começou a contar as histórias mais engraçadas que jamais ouvira. Não podem imaginar como era cômico e ri até ficar cansada. A Sra. Rucastle, entretanto, que não possui senso humorístico, evidentemente, nem sequer sorriu e ficou sentada com as mãos no colo e uma expressão triste e ansiosa. Após cerca de uma hora, o Sr. Rucastle subitamente comentou que estava na hora de começar os deveres do dia e que eu podia trocar de roupa e ir ter com o pequeno Edward no quarto de crianças.
- Dois dias depois a mesma coisa aconteceu em circunstâncias exatamente idênticas. Novamente troquei de vestido, novamente sentei em frente da janela, mas de costas, e novamente ri às gargalhadas das histórias engraçadas que meu patrão contava. Depois deu-me um romance de capa amarela e, virando minha cadeira um pouco de lado para que minha própria sombra não caísse sobre a página, pediu-me que lesse em voz alta. lá por uns dez minutos, começando no meio de um capítulo e de repente, no meio de uma frase, mandou que eu parasse e fosse mudar de roupa.
- O senhor bem pode imaginar, Sr. Holmes, como fiquei curiosa quanto ao significado dessa encenação. Tinham sempre o cuidado, observei, de que eu não ficasse de frente para a janela e fiquei obcecada pelo desejo de ver o que estava acontecendo nas minhas costas. A princípio parecia impossível, mas logo descobri uma maneira. Meu espelho de mão havia quebrado, então tive a idéia feliz de esconder um pedacinho no lenço. Na próxima ocasião, no meio de uma gargalhada, levei o lenço aos olhos e consegui, com jeito, ver o que estava atrás de mim. Confesso que fiquei desapontada. Não vi nada.
- Pelo menos, essa foi minha primeira impressão. Ao olhar de novo, entretanto, percebi que havia um homem parado na estrada de Southampton, um homem pequeno, barbado, vestido de cinzento, que parecia olhar em minha direção. A estrada é muito usada e geralmente há alguém passando por ela. Mas esse homem estava encostado na grade que cercava nosso campo e olhando com toda a atenção. Abaixei o lenço e lancei um olhar para a Sra. Rucastle, vendo seus olhos fixos em mim atentamente. Não falou nada, mas tenho certeza que adivinhou que tinha um espelho na mão e vira o que estava atrás de mim. Levantou-se imediatamente.
- "Há um homem impertinente na estrada que está olhando para a Srta. Hunter".
- "Algum amigo seu, Srta. Hunter" ele perguntou.
- "Não. Não conheço ninguém nessa região".
- "Ora! Que impertinência! Por favor, vire o faça sinal para ele ir embora .
- "Não seria melhor ignorá-lo?"
- "Não, não, ele ficaria por aí para sempre. Por favor, vire e faça um
sinal com a mão".
- Fiz o que mandava e ao mesmo tempo a Sra. Rucastle fechou a cortina. Isso foi há uma semana e desde então não sentei mais à janela nem usei o vestido azul, nem vi o homem na estrada.
- Tenha a bondade de continuar - disse Holmes. - Sua narrativa promete ser muito interessante.
- Receio que seja um pouco desorganizada e talvez não haja muita relação entre os diferentes incidentes de que vou falar. No primeiro dia que passei em Faias Roxas o Sr. Rucastle me levou a um pequeno anexo que fica perto da porta da cozinha. Ao nos aproximarmos, ouvi o retinir agudo de uma corrente e o som de algum grande animal se mexendo.
- "Olhe aqui!" disse o Sr. Rucastle, mostrando-me uma fresta entre de duas tábuas. "Não é uma beleza?"
- Olhei e vi dois olhos brilhantes e um vulto vago encolhido na escuridão.
- "Não tenha medo", disse meu patrão, rindo de meu sobressalto.
À apenas Carlo, meu cão mastim. Digo que é meu, mas na verdade o velho Toller é a única pessoa que pode fazer qualquer coisa com ele. Só come uma vez por dia, e muito pouco assim mesmo, de modo que está sempre faminto. Toller o solta todas as noites e Deus ajude o invasor que ele pegue com seus dentes. Por favor, nunca, por razão nenhuma, ponha o pé fora da porta à noite, pois sua vida não valerá nada".
- O aviso não foi à toa, pois duas noites depois estava olhando pela janela de meu quarto aproximadamente às duas horas da manhã. Era uma noite linda de luar e o gramado em frente da casa estava prateado e quase tão vivo quanto de dia. Estava enlevada pela beleza pacífica da cena quando percebi que alguma coisa se movia sob a sombra das faias roxas. Quando emergiu no luar vi o que era. Era um cão gigantesco, do tamanho de um bezerro, castanho-amarelado, de mandíbulas pendentes, focinho preto e ossos imensos quase perfurando a carne. Atravessou lentamente o gramado e desapareceu nas sombras do outro lado. Essa sentinela horrivelmente silenciosa gelou meu sangue nas veias, o que acho que nenhum ladrão poderia fazer.
- E agora tenho urna experiência muito estranha a lhes contar. Como sabem, cortei o cabelo em Londres e coloquei-o, em um grande cacho, no fundo da mala. Uma noite, depois da criança ir para a cama, comecei a me distrair examinando a mobília de meu quarto. Havia uma velha cômoda no quarto, com as duas gavetas de cima vazias e abertas e a de baixo trancada. Já enchera as duas primeiras com minha roupa e ainda tinha umas coisas para guardar. Fiquei, naturalmente, irritada por não poder usar a terceira gaveta. Ocorreu-me a idéia de que poderia ter sido trancada por mero acaso, então peguei minhas chaves e tentei abrir a gaveta. Logo a primeira serviu perfeitamente e abri-a. Só havia uma coisa dentro, mas tenho certeza que nunca poderão adivinhar o que era. O meu cacho de cabelo.