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O jardim de Rama

Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:

Nesta sequência de O Enigma de Rama, é mostrada a vida dos astronautas que foram deixados a bordo da espaçonave extraterrestre Rama. Em sua interação com esse estranho habitat vão descobrir que existem outros tripulantes que os acompanham na viagem para fora do Sistema Solar.
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Localizaram o pequeno submarino em três minutos, e a nave já havia submergido quando os humanos em perseguição atingiram a área limpa da região verde. A bordo, Richard livrou-se da mochila, colocando-a atrás dele no pequeno compartimento do controle. Olhando para a ave sua companheira, ele tentou uma ou duas frases simples na linguagem de matraqueamento. A ave-líder respondeu, muito lenta e claramente, com o equivalente, em matraqueado, de “Todos nós lhe agradecemos muito.”

A viagem durou pouco mais de uma hora. Richard e a ave disseram muito pouco um ao outro. Durante a primeira parte do percurso, Richard observou atentamente a ave-líder operando o submarino. Fez algumas anotações em seu computador e, na segunda parte da viagem, chegou mesmo a assumir o comando por um breve espaço de tempo. Quando não estava ocupada demais para isso, a mente de Richard fazia perguntas a respeito de tudo que vivenciara no segundo habitat. Acima de tudo, desejava saber por que era ele quem estava no submarino com os melões e a fatia de séssil, e não um dos myrmigatos. Deve haver alguma coisa que eu não percebi, disse ele a si mesmo.

Pouco depois, o submarino emergiu bem próximo à costa e Richard viu-se em território familiar. Os arranha-céus de Nova York cresciam à sua volta.

“Aleluia!” disse Richard, carregando sua mochila cheia para a ilha. A ave-líder ancorou o submarino bem perto da orla e preparou-se para partir. Deu meia volta em círculo, curvou-se ligeiramente para Richard e decolou na direção do norte. Enquanto olhava a criatura se afastando pelo ar, Richard deu-se conta de que estava parado exatamente onde ele e Nicole haviam esperado, todos aqueles anos antes, em Rama II, pelas três aves que os levariam através do Mar Cilíndrico, para a liberdade.

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Logo no primeiro segundo em que Richard ficou parado na superfície de Nova York, cem bilhões de pedacinhos de dados foram adquiridos pelos microscópicos sensores ramaianos espalhados por toda a espaçonave cilíndrica.

Tais dados foram transmitidos em tempo real a centros manipuladores de dados locais, também eles de tamanho microscópico, onde ficavam arquivados até que o tempo que lhes era alocado os remetesse ao processador central de telecomunicações enterrado embaixo do Hemicilindro Sul.

Todo segundo de todas as horas de todos os dias os sensores ramaianos adquiriam esses cem quintilhões de dadozinhos. No processador de telecomunicações os dados eram rotulados, filtrados, analisados, compactados e arquivados em engenhos de gravação cujos componentes individuais eram menores do que um átomo. Depois de arquivados têm acesso a eles as dúzias de processadores distribuídos por vários pontos, cada um deles gerenciando uma função separada, que em conjunto controlam a espaçonave Rama. Milhares de algoritmos espalham-se pelos processadores e depois operam com base em tais dados, extraindo informações de tendências e síntese na preparação dos pacotes de dados regularmente programados que transmitem o estado da missão à Inteligência Nodal.

Os pacotes de dados contêm um misto de dados crus, compactados e sintetizados, dependendo dos formatos específicos selecionados pelos diferentes processadores. A parte mais importante de tais pacotes é o relato narrativo, no qual a inteligência unificada, porém distribuída de Rama, apresenta seu sumário priorizado do progresso da missão. O resto do pacote é composto essencialmente de informações de apoio, imagens ou medidas ou produtos dos sensores que ou fornecem dados adicionais de pano de fundo ou apóiam diretamente conclusões contidas no sumário.

A linguagem usada para o sumário narrativo é matemática em estrutura, precisa em definição, e altamente codificada. Ela é também muito rica em notas de pé de página, com cada frase ou sentença equivalente contendo, como parte de sua estrutura de transmissão, informações quanto aos dados que efetivamente sustentam a afirmação específica sendo feita. O relatório não poderia, no sentido mais verdadeiro do termo, ser traduzido para qualquer linguagem tão primitiva quanto as utilizadas por seres humanos. No entanto, o que se segue é uma aproximação grosseira do relatório sumário recebido pela Inteligência Nodal, emitido por Rama logo após a chegada de Richard em Nova York.

Relatório Número 298

Hora de transmissão: 156 307 872 491.5116

Tempo Desde Primeiro Estágio de Alerta: 29.2873

Referências: Nodo 23-419

Espaçonave 947

Viajantes do Espaço 47 249 (A & B) 32 806 2 666

Durante o último intervalo os humanos (Viajante do Espaço Número 32 806) continuaram a fazer uma bem-sucedida guerra contra o par simbiótico Ave/Séssil (número 47 249 A & B). Os humanos agora controlam quase todo o interior do habitat ave/séssil, inclusive a porção superior do cilindro marrom onde as aves viviam anteriormente. As aves lutaram corajosamente, porém em vão, contra a invasão humana. Elas têm sido implacavelmente dizimadas e agora resta pouco mais de uma centena delas.

Até aqui os humanos não violaram a integridade do domínio dos sésseis.

No entanto, eles encontraram os vãos dos elevadores que levam às partes inferiores do cilindro marrom. Os humanos estão neste momento desenvolvendo planos para um ataque à toca dos sésseis.

Os sésseis são uma espécie indefesa. Não há armas de qualquer natureza em seu domínio. Até mesmo sua forma móvel, que tem a destreza física para usar armas, é essencialmente não-violenta. A fim de protegê-los do que temem será uma inevitável invasão de humanos, os sésseis orientaram os myrmigatos móveis para que construíssem fortalezas cercando os quatro mais velhos e mais desenvolvidos de sua espécie. Nesse meio tempo, os melões manás não têm permissão para germinar e os myrmigatos não envolvidos no processo de construção estão encasulando cedo. Se os humanos adiarem seu ataque por vários intervalos mais, como parece provável, é possível que venham encontrar muito poucos myrmigatos durante sua invasão.

O habitat humano continua a ser dominado por indivíduos de características decididamente diferentes das do contingente humano observado dentro de Rama II e no Nodo. O objetivo dos atuais líderes humanos é a retenção do poder pessoal, sem consideração mais séria em relação ao bem-estar da colônia.

A despeito da mensagem em vídeo e da presença de mensageiros humanos em seu grupo, tais líderes não devem acreditar que estejam efetivamente sendo observados, pois seu comportamento de forma alguma reflete a possível existência de algum conjunto de valores ou legislação ética que supere os de seu próprio domínio.

Os humanos continuam a levar avante a guerra contra os aves/sésseis basicamente para desviar a atenção de outros problemas em sua colônia, inclusive a degradação ambiental criada pelos próprios humanos e o recente declínio agudo da qualidade de vida. Os líderes humanos, e em verdade a maioria dos coloniais, não têm evidenciado nenhuma espécie de remorso pela destruição e possível extermínio das aves.

A família humana que permaneceu por mais de um ano no Nodo não tem mais qualquer impacto significativo nos assuntos coloniais. A mulher que foi a primeira mensageira continua presa, essencialmente por opor-se à ação dos líderes atuais, e corre perigo de ser executada. Seu marido tem vivido com as aves e os sésseis e, no momento, é elemento crucial em sua tentativa de sobreviver ao ataque humano. Os filhos ainda não alcançaram grau de amadurecimento suficiente para que se tornem fator decisivo na colônia humana.

Muito recentemente, o marido fugiu do domínio séssil para a ilha que fica no centro da espaçonave, carregando consigo tanto embriões de ave quanto de sésseis. No momento, encontra-se em ambiente familiar e portanto deve poder sobreviver e criar os filhotes da outra espécie. Sua fuga bem-sucedida pode ser devida ao menos em parte à intervenção não-invasora que começou ao tempo ao primeiro alerta. Os sinais de intervenção quase que certamente desempenharam um papel na decisão dos sésseis de confiar seus embriões a um ser humano.

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