A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Foi Kraznys quem finalmente anunciou a decisão.
– Diga-lhe que obterá os oito milhares, se o seu ouro for suficiente. E as seis centenas, se desejar. Diga-lhe para voltar dentro de um ano, e venderemos a ela mais dois milhares.
– Dentro de um ano estarei em Westeros – disse Dany depois de ouvir a tradução. – Preciso deles agora. Os Imaculados estão bem treinados, mesmo assim muitos caem em batalha. Preciso dos garotos como reforços para apanhar as espadas que caírem. – Pôs o vinho de lado e inclinou-se para a jovem escrava. – Diga aos Bons Mestres que quero até os pequenos que ainda têm seus cachorros. Diga-lhes que pagarei tanto pelo rapaz que cortaram ontem como por um Imaculado com elmo de espigão.
A moça disse-lhes. A resposta continuou a ser não.
Dany franziu a testa, aborrecida.
– Muito bem. Diga-lhes que pagarei o dobro, na condição de obter todos.
– O dobro? – o gordo com o debrum de ouro por pouco não se babou.
– Essa vadiazinha é realmente uma tola – disse Kraznys mo Nakloz. – Devíamos pedir o triplo. Ela está suficientemente desesperada para pagar. Sim, peçamos dez vezes o preço de cada escravo.
O Grazdan alto com a barba pontiaguda falou no Idioma Comum, embora não tão bem quanto a jovem escrava.
– Vossa Graça – rosnou –, Westeros está sendo rico, sim, mas você não está sendo rainha agora. Talvez nunca estará sendo rainha. Até Imaculados podem estar perdendo batalhas para selvagens cavaleiros de aço de Sete Reinos. Estou recordando, os Bons Mestres de Astapor não estão vendendo carne em troca de promessas. Está tendo ouro e bens de comércio suficientes para pagar por todos esses eunucos que está querendo?
– Conhece a resposta para isso melhor do que eu, Bom Mestre – respondeu Dany. – Seus homens vasculharam meus navios e contaram cada conta de âmbar e frasco de açafrão. Quanto tenho eu?
– Suficiente para comprar um dos milhares – disse o Bom Mestre, com um sorriso desdenhoso. – Mas vai pagar o dobro, está dizendo. Então, cinco centenas é tudo que compra.
– Sua bonita coroa pode pagar outra centena – disse o gordo em valiriano. – A sua coroa dos três dragões.
Dany esperou que as palavras dele fossem traduzidas.
– Minha coroa não está à venda. – Quando Viserys vendeu a coroa da mãe, perdeu a alegria que lhe restava, sobrou apenas a raiva. – Nem escravizarei meu povo, nem venderei seus bens ou cavalos. Mas podem ficar com meus navios. A grande coca Balerion e as galés Vhagar e Meraxes. – Prevenira Groleo e os outros capitães de que podia chegar àquele ponto, embora eles tivessem contestado furiosamente a necessidade da venda. – Três bons navios devem valer mais do que um punhado de reles eunucos.
O Grazdan gordo virou-se para os outros. Voltaram a conferenciar em voz baixa.
– Dois dos milhares – disse o da barba pontiaguda quando voltou a se virar para ela. – É demais, mas os Bons Mestres estão sendo generosos e sua necessidade está sendo grande.
Dois mil nunca serviriam para aquilo que queria fazer. Tenho de obter todos. Dany sabia o que tinha de fazer naquele momento, embora o sabor fosse tão amargo que nem mesmo o vinho de caqui conseguia tirá-lo de sua boca. Refletira longa e duramente, e não havia encontrado outra maneira. É a minha única chance.
– Deem-me todos – disse – e podem ficar com um dragão.
Ouviu-se o som do prender da respiração de Jhiqui ao seu lado. Kraznys sorriu para seus companheiros.
– Não disse? Ela vai nos dar qualquer coisa.
Barba-Branca fitou-a, numa incredulidade chocada. Sua mão tremia agarrada ao bastão.
– Não. – Ajoelhou perante ela. – Vossa Graça, suplico-lhe, conquiste seu trono com dragões, não com escravos. Não pode fazer isso...
– Você é que não pode se atrever a me dar instruções. Sor Jorah, tire Barba-Branca de minha presença.
Mormont agarrou rudemente o velho por um cotovelo, colocou-o em pé com um puxão e levou-o para o terraço.
– Diga aos Bons Mestres que lamento essa interrupção – disse Dany à jovem escrava. – Diga-lhes que aguardo sua resposta.
Mas sabia qual seria a resposta; podia vê-la na cintilação dos olhos deles e nos sorrisos que grandemente se esforçavam para esconder. Astapor tinha milhares de eunucos, e ainda mais garotos escravos à espera de serem cortados, mas só havia três dragões vivos em todo o grande mundo. E os ghiscari anseiam por dragões. Como podiam não ansiar? Cinco vezes a Velha Ghis havia competido com Valíria quando o mundo era jovem, e cinco vezes havia caído, em derrota desoladora. Pois a Cidade Franca possuía dragões e o Império, não.
O mais velho dos Grazdan agitou-se no assento, e suas pérolas chocalharam baixinho.
– Um dragão à nossa escolha – disse, numa voz fina e dura. – O negro é maior e mais saudável.
– O nome dele é Drogon. – Ela assentiu.
– Todos os seus bens, exceto sua coroa e vestuário real, que lhe permitiremos manter. Os três navios. E Drogon.
– Feito – disse ela, no Idioma Comum.
– Feito – respondeu o velho Grazdan no seu denso valiriano.
Os outros serviram de ecos ao velho do debrum de pérolas.
– Feito – traduziu a jovem escrava – e feito, e feito, oito vezes feito.
– Os Imaculados aprenderão seu idioma selvagem bastante depressa – acrescentou Kraznys mo Nakloz, depois de tudo combinado –, mas até esse momento irá necessitar de um escravo para falar com eles. Aceite esta como presente, um penhor de um bom negócio.
– Aceitarei – disse Dany.
A jovem escrava transmitiu-lhe as palavras dele e a ele as de Dany. Se tinha alguma emoção sobre ser oferecida como penhor, teve o cuidado de não deixar transparecer.
Arstan Barba-Branca também domou a língua quando Dany passou por ele no terraço. Seguiu-a pela escadaria em silêncio, mas ela ouvia seu bastão de madeira rígida fazendo tap-tap nos tijolos vermelhos enquanto caminhavam. Não o censurava por sua fúria. O que fizera foi deplorável. A Mãe de Dragões vendeu o seu filho mais forte. Até a ideia a deixava nauseada.
Mas lá embaixo, na Praça do Orgulho, em pé sobre os quentes tijolos vermelhos entre a pirâmide dos negociantes de escravos e as casernas dos eunucos, Dany virou-se para o velho.
– Barba-Branca – disse –, quero seus conselhos, e nunca deve sentir medo de me dizer o que pensa... quando estivermos sozinhos. Mas nunca me questione na frente de estranhos. Entendido?
– Sim, Vossa Graça – disse ele, em tom infeliz.
– Não sou uma criança – disse-lhe ela. – Sou uma rainha.
– Mas até as rainhas podem errar. Os astapori enganaram-na, Vossa Graça. Um dragão vale mais do que qualquer exército. Aegon provou-o há trezentos anos, no Campo de Fogo.
– Eu sei o que Aegon provou. Pretendo também provar umas coisinhas. – Dany virou-se para a jovem escrava que estava obedientemente em pé ao lado de sua liteira. – Você tem nome, ou precisa tirar um novo todos os dias de dentro de um barril?
– Isso é só para os Imaculados – disse a moça. Então percebeu que a pergunta havia sido feita em Alto Valiriano. Seus olhos esbugalharam-se. – Oh.
– Seu nome é Oh?
– Não. Vossa Graça, perdoe esta pelo descontrole. O nome de sua escrava é Missandei, mas...