Contato [pt]
- Автор: Саган Карл Эдуард
- Год: 1997
- Язык: португальский
- Переводчик: Fernando Pinto Rodrigues
- Жанр: Научная фантастика
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O livro conta a história de uma pesquisadora que utiliza radiotelescópios à procura de vestígios de vida inteligente fora da Terra. A trama avança quando um sinal é detectado. Com certeza a parte do livro que mais me intrigou foi as especulações sobre as conseqüências de sabermos que não estamos sozinhos. As regras da economia, religião e política internacional seriam seriamente modificadas na análise de Carl.
O livro nos faz pensar, e vale a pena a leitura.
— Ah; ceticismo científico! — O rosto do abade iluminou-se num sorriso que Ellie achou absolutamente cativante; era inocente, quase infantil. — Para comunicar com uma pedra tem de se tornar muito menos… preocupado. Não deve pensar tanto, falar tanto. Quando digo que comunico com uma pedra, não estou a falar de palavras. Os cristãos dizem: «Ao princípio era o Verbo.» Mas eu estou a falar de uma comunicação muito mais anterior, muito mais fundamental do que essa.
— É só o Evangelho de S. João que fala do Verbo — observou Ellie… com certo pedantismo, pensou, assim que as palavras lhe saíram da boca. — Os evangelhos sinópticos anteriores não dizem nada a esse respeito. Trata-se, na realidade, de um acréscimo oriundo da filosofia grega. A que gênero de comunicação pré-verbal se refere?
— A sua pergunta é feita de palavras. Pede-me que utilize palavras para descrever o que não tem nada a ver com palavras. Deixe-me ver… Há uma estória japonesa chamada O Sonho das Formigas. Passa-se no Reino das Formigas. É uma estória comprida e não lha vou contar agora. Mas o que pretende dizer é o seguinte: para compreender a linguagem das formigas, uma pessoa tem de se tornar numa formiga.
— Linguagem das formigas é, na realidade, uma linguagem química — disse Lunacharsky, a olhar vivamente para o abade. — Elas depositam vestígios moleculares específicos para indicar o caminho que tomaram para encontrar comida. Para compreender a linguagem das formigas preciso de um cromatógrafo de gases ou de um espectômetro de massa. Não preciso de me tornar uma formiga.
— Talvez essa seja a única maneira que conheceis de vos tornardes uma formiga — comentou o abade, sem olhar para ninguém em particular. — Dizei-me, porque estudais os sinais deixados pelas formigas?
— Bem — respondeu Ellie —, creio que um entomólogo diria que é para compreender as formigas e a sociedade das formigas. Os cientistas sentem prazer em compreender.
— Essa é apenas outra maneira de dizer que eles amam as formigas.
Ellie reprimiu um pequeno calafrio.
— Sim, mas os que financiam os entomólogos dizem uma coisa diferente. Dizem que é para controlar o comportamento das formigas, para as fazer sair de uma casa que infestaram, por exemplo, ou para compreender a biologia do solo para a agricultura. Poderia fornecer uma alternativa aos pesticidas. Suponho que se pode dizer que há nisso algum amor pelas formigas — conjeturou Ellie.
— Mas é também no nosso interesse próprio — interveio Lunacharsky. — Os pesticidas são igualmente venenosos para nós.
— Por que estão a falar de pesticidas no meio de um jantar como este? — disparou Sukhavati, do outro lado da mesa.
— Sonharemos o sonho das formigas noutra ocasião — disse o abade docemente a Ellie, e repetiu aquele sorriso perfeito, imperturbado.
Calçados de novo com a ajuda de calçadeiras com um metro de comprimento, dirigiram-se para a sua pequena frota de automóveis, enquanto as criadas que tinham servido o jantar e a proprietária sorriam e se inclinavam cerimoniosamente. Ellie e Xi observaram o abade a entrar para uma limusine com alguns dos seus anfitriões japoneses.
— Perguntei-lhe se, visto poder falar com uma pedra, podia comunicar com os mortos — disse Xi.
— E que respondeu ele?
— Disse que com os mortos era fácil. As suas dificuldades eram com os vivos.
CAPÍTULO XVIII
Superunificação
Um mar alteroso!
Estendida por cima de Sado,
A Via Láctea.