As areias do tempo [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «As areias do tempo [em Português]». Краткое содержание книги:
Megan teve uma reunião com o primeiro-ministro Leopoldo Martínez 24 horas depois de chegar a Madrid. Ele convidou-a para almoçar no Palácio Moncloa.
- Agradeço por me receber tão prontamente - disse Megan. - Sei que é um homem ocupado.
Ele levantou a mão num gesto de protesto.
- Minha cara Senhorita Scott, quando a presidente de uma organização tão importante quanto a Scott Industries voa para meu país querendo me falar, só posso me sentir honrado. Por favor, diga-me em que posso ajudá-la.
- Para ser franca, vim até aqui para ajudá-lo. Ocorreu-me que temos algumas fábricas na Espanha, mas não estamos aproveitando todo o potencial que seu país tem a oferecer.
Martínez escutava agora com toda atenção, os olhos brilhando.
- É mesmo.
- A Scott Industries está pensando em instalar uma enorme fábrica de material eletrônico. Deve empregar entre mil e mil e quinhentas pessoas. Se for bem-sucedida, como esperamos, abriremos fábricas subsidiárias.
- E ainda não decidiu em que país deseja instalar essa fábrica?
- Isso mesmo. Pessoalmente, sou a favor da Espanha. Mas para ser franca, Excelência, alguns dos meus executivos não estão satisfeitos com a situação dos direitos civis aqui.
- É mesmo?
- É, sim. Acham que as pessoas que protestam contra as políticas do Estado são tratadas com muito rigor.
- Está pensando em alguém em particular?
- Para dizer a verdade, estou, sim. Jaime Miró.
Ele fitou-a em silêncio por um momento.
- Entendo. E se formos clementes com Jaime Miró, teríamos a fábrica de material eletrônicos e…
- E muito mais - assegurou Megan. - Nossas fábricas elevarão o padrão de vida em todas as comunidades em que se instalarem.
O primeiro-ministro franziu o rosto.
- Receio que haja um pequeno problema.
- Qual? Podemos negociar tudo.
- Trata-se de algo que não pode ser negociado, Senhorita Scott. A honra da Espanha não está à venda. Não pode nos subornar, comprar ou ameaçar.
- Pode ter certeza de que não estou…
- Chega aqui com suas esmolas e espera que ignoremos nossos tribunais para agradá-la? Pense bem, Senhorita Scott. Não precisamos de suas fábricas.
Piorei a situação, pensou Megan.
O julgamento durou seis semanas, num tribunal sobre forte guarda, fechado ao público.
Megan permaneceu em Madrid, acompanhando todos os dias as notícias do julgamento. Mike Rosen telefonava-lhe de vez em quando.
- Sei pelo que está passando, amiga. Acho que deveria voltar para casa.
- Não posso, Mike.
Ela tentou se encontrar com Jaime.
As visitas estavam terminantemente proibidas.
No último dia do julgamento, Megan prostrou-se diante do tribunal, perdida na multidão. Repórteres saíram correndo do prédio, e Megan deteve um deles.
- O que aconteceu?
- Ele foi considerado culpado de todas as acusações. E condenado à morte pelo garrote.
Capítulo 42
Às cinco horas da manhã marcada para a execução de Jaime Miró, uma multidão começou a concentrar-se diante da prisão central de Madrid. A Guarda Civil ergueu barricadas para manter a multidão crescente no outro lado da ampla rua, longe da entrada principal da prisão. Soldados e tanques bloqueavam os portões da prisão.
Lá dentro, no gabinete do diretor Gomez de la Fuente, ocorria uma reunião extraordinária. Ali estavam o primeiro-ministro Leopoldo Martínez, Alonzo Sebastián, o novo comandante do GOE, e os dois assistentes do diretor, Juanito Molinas e Pedro Arrango.
O diretor La Fuente era um homem corpulento, de meia-idade, expressão taciturna, que devotara sua vida a disciplinar criminosos que o governo entregara a seus cuidados. Molina e Arrango, seus inflexíveis assistentes, trabalhavam com ele há vinte anos.
O primeiro-ministro Martínez estava falando:
- Eu gostaria de saber que providências foram adotadas para evitar que haja problemas na execução de Miró.
O diretor de la Fuente respondeu:
- Estamos preparados para todas as emergências possíveis, Excelência. Como constatou ao chegar, foi colocada uma companhia inteira de soldados armados em volta da prisão. Seria preciso um exército para entrar aqui.
- E dentro da prisão?
- As precauções são ainda mais rigorosas. Jaime Miró encontra-se numa cela de segurança máxima no segundo andar. Os outros prisioneiros do andar foram temporariamente transferidos. Dois guardas estão na frente da cela de Miró, e há mais dois em cada extremidade do corredor. Ordenei que todos os presos permaneçam em suas celas até o término da execução.
- A que horas será?
- Ao meio-dia, Excelência. Adiei o almoço para a uma hora. Isso nos dará tempo suficiente para tirar o corpo de Miró daqui.
- Que planos fez para a disposição do corpo?
- Estou seguindo sua sugestão, Excelência. O sepultamento na Espanha poderia causar dificuldades ao governo, se os bascos convertessem a sepultura numa espécie de santuário. Entramos em contato com a tia dele na França. Ela vive numa pequena aldeia, nos arredores de Bayonne. Concordou em enterrá-lo lá.
O primeiro-ministro levantou-se.
- Excelente. - Ele suspirou. - Ainda acho que um enforcamento em praça pública seria mais apropriado.
- É possível, Excelência. Mas, nesse caso, eu não poderia mais ser responsável pelo controle da multidão lá fora.
- Acho que você tem razão. Não há sentido em atiçar a multidão mais do que necessário. O garrote é mais doloroso e mais lento. E se algum homem merece o garrote, é Jaime Miró.
- Com licença, Excelência - disse o diretor de la Fuente -, mas fui informado de que uma comissão de juízes está reunida para considerar o último apelo dos advogados de Miró. Se for aceito, o que devo…
O primeiro-ministro interrompeu-o:
- Não será aceito. A execução será realizada de acordo com o previsto.
A reunião estava encerrada.
Às sete e meia da manhã, o caminhão da padaria parou na frente dos portões da prisão.
- Entrega.
Um dos guardas da prisão examinou o motorista.
- Você não é novo?
- Sou, sim.
- Onde está Julio?
- Está doente, de cama.
- Por que não vai para junto dele, amigo?
- Como?
- Não há entregas esta manhã. Volte à tarde.
- Mas todas as manhãs…
- Nada entra, e apenas uma coisa vai sair. E agora dê marcha à ré, faça a volta e saia depressa daqui, antes que meus companheiros fiquem nervosos.
O motorista olhou para os soldados que o fitavam fixamente.
- Claro.
Ele observou o caminhão fazer a volta e desaparecer pela rua.
O comandante de guarda comunicou o incidente ao diretor. A história foi investigada e descobriu-se que o entregador regular estava no hospital, vítima de um atropelamento, tendo o responsável fugido.
Às oito horas da manhã, um carro-bomba explodiu no outro lado da rua, em frente à prisão, ferindo meia dúzia de pessoas. Em circunstâncias normais, os guardas deixariam seus postos para investigar e ajudar os feridos. Mas tinham ordens rigorosas. Permaneceram em seus postos, e a Guarda Civil foi chamada para cuidar da situação.
O incidente foi imediatamente comunicado ao diretor de la Fuente, que comentou:
- Eles estão ficando desesperados. Dispostos a qualquer coisa.
Às nove e quinze da manhã, um helicóptero sobrevoou a área da prisão. Pintada nos lados estavam as palavras La Prensa, o maior jornal da Espanha.
Dois canhões anti-aéreos haviam sido instalados no telhado da prisão. O tenente no comando acenou uma bandeira de sinalização, avisando para o aparelho se afastar. O helicóptero continuou a sobrevoar o local. O tenente pegou um telefone de campanha.
- Diretor, temos um helicóptero sobrevoando a prisão.