A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Tormund, Terror dos Gigantes, ouviu as palavras e sorriu.
– O último dos gigantes de montanha, que um dia tudo possuiu – berrou em resposta através da neve.
Lança-Longa Ryk juntou-se a eles, cantando:
– Oh, o povo pequeno roubou-me as florestas, roubou-me os rios e os montes.
– E atravessou meus vales com uma grande muralha, e pescou meus peixes das fontes – responderam-lhe Ygritte e Tormund, em vozes adequadamente gigânticas.
Os filhos de Tormund, Toregg e Dormund, juntaram também suas vozes graves à canção, seguidos por Munda e todos os demais. Outros começaram a bater com as lanças em escudos de couro para marcar um ritmo grosseiro, até todo o bando de guerreiros estar cantando enquanto avançava.
Em salões de pedra fazem suas grandes fogueiras,
em salões de pedra forjam suas afiadas lanças.
Enquanto eu caminho sozinho nas montanhas,
sem nenhum companheiro além das lembranças.
Caçam-me sempre com cães à luz do dia,
Caçam-me sempre com archotes no escuro.
Pois os homens pequenos não poderão ver-se altos,
se caminharem gigantes no futuro.
Oooooo, sou o ÚLTIMO dos gigantes,
Por isso aprenda bem a minha canção.
Pois quando eu partir nascerá o silêncio,
e durante muito tempo as canções morrerão.
Havia lágrimas no rosto de Ygritte quando a canção terminou.
– Por que está chorando? – perguntou Jon. – Foi só uma canção. Há centenas de gigantes, acabei de vê-los.
– Oh, centenas – disse ela, furiosa. – Não sabe nada, Jon Snow. Você... JON!
Jon virou-se ao ouvir o súbito som de asas. Penas azul-acinzentadas encheram seus olhos, enquanto garras afiadas se enterravam em seu rosto. Uma dor rubra atravessou-o, súbita e violenta, enquanto asas batiam em volta de sua cabeça. Viu o bico, mas não houve tempo para levantar uma mão ou estendê-la para alguma arma. Jon cambaleou para trás, seu pé saltou do estribo, o garrano fugiu em pânico, e de repente estava caindo. E a águia ainda se agarrava ao seu rosto, com as garras rasgando-o enquanto a ave batia as asas, guinchava e bicava. O mundo virou de pernas para o ar, num caos de penas, carne de cavalo e sangue, e então o chão surgiu e esmagou-o.
Quando deu por si, estava caído sobre o rosto, com gosto de lama e sangue na boca, e Ygritte ajoelhava-se protetoramente sobre ele, com um punhal de osso na mão. Ainda ouvia asas, embora não visse a águia. Metade de seu mundo estava negra.
– Meu olho – disse, num pânico súbito, levando a mão ao rosto.
– É só sangue, Jon Snow. Ela errou o olho, só rasgou um pouco de sua pele.
Sentia o rosto latejar. Viu com o olho direito, enquanto esfregava o esquerdo para limpá-lo do sangue, que Tormund se encontrava perto deles, berrando. Então ouviram-se batidas de cascos, gritos, e o chocalhar de velhos ossos.
– Saco de Ossos – rugiu Tormund –, chame seu corvo infernal!
– O corvo infernal tá ali! – Camisa de Chocalho apontou para Jon. – Sangrando na lama como um cão sem fé! – A águia desceu, batendo as asas, e foi pousar no crânio rachado de gigante que servia de elmo ao guerreiro. – Venho por ele.
– Então venha buscá-lo – disse Tormund –, mas é melhor vir de espada na mão, porque é assim que vai encontrar a minha. Pode ser que ferva os seus ossos e use seu crânio para mijar. Ha!
– Quando eu furar você e deixar sair o ar, vai encolher até ficar menor do que aquela garota. Afaste-se, senão Mance vai ficar sabendo disso.
Ygritte levantou-se.
– O quê? É Mance que o quer?
– Foi o que eu disse, não foi? Ponha o cara sobre seus pés pretos.
Tormund franziu a testa para Jon.
– É melhor ir, se é Mance quem chama.
Ygritte ajudou-o a se levantar.
– Tá sangrando como um javali na matança. Olhe o que o Orell fez com o lindo rosto dele.
Será que uma ave pode odiar? Jon matara o selvagem Orell, mas uma parte do homem permanecia dentro da águia. Os olhos dourados olhavam-no com fria malevolência.
– Eu vou – disse. O sangue continuava a escorrer para dentro de seu olho direito, e a bochecha era uma explosão de dor. Quando a tocou, as luvas pretas se mancharam de vermelho. – Deixem-me apanhar o garrano. – O que queria não era o cavalo e sim Fantasma, mas não se via o lobo gigante em lugar nenhum. A essa altura, pode estar muito distante, dilacerando a goela de algum alce. Talvez isso fosse bom.
O garrano fugiu dele quando se aproximou, sem dúvida assustado pelo sangue que tinha no rosto, mas Jon acalmou-o com algumas palavras ditas em voz baixa, e algum tempo depois conseguiu aproximar-se o suficiente para pegar as rédeas. Ao montar, sentiu a cabeça rodopiar. Vou precisar tratar disso, pensou, mas não agora. Que o Rei-para-lá-da-Muralha veja o que a águia dele me fez. A mão direita abriu-se e fechou-se, e Jon estendeu-a para a Garralonga e pôs a espada bastarda ao ombro antes de dar meia-volta e seguir a trote para onde o Senhor dos Ossos o esperava com seu bando.
Ygritte também estava à espera, montada no cavalo com uma expressão feroz no rosto.
– Também vou.
– Suma. – Os ossos da placa de peito do Camisa de Chocalho tiniram. – Mandaram-me buscar o corvo-que-desceu e mais ninguém.
– Uma mulher livre leva o cavalo para onde quiser – disse Ygritte.
O vento estava soprando neve nos olhos de Jon. Sentia o sangue congelando em seu rosto.
– Ficamos conversando ou vamos embora?
– Vamos embora – disse o Senhor dos Ossos.
Foi um galope duro. Percorreram a coluna ao longo de mais de três quilômetros, por entre flocos de neve rodopiantes, depois cortaram através de um emaranhado de carroças de bagagem e atravessaram o Guadeleite no local onde o rio fazia uma grande curva para leste. Uma crosta de gelo fino cobria os baixios do rio; a cada passo, os cascos dos cavalos quebravam-na e atravessavam-na, até chegarem a águas mais profundas, dez metros mais adiante. A neve parecia cair ainda mais depressa na margem oriental, e os montes de neve acumulada também eram mais profundos. Até o vento é mais frio. E a noite estava caindo.
Mas mesmo através da neve soprada pelo vento, a forma do grande monte branco que pairava acima das árvores era inconfundível. O Punho dos Primeiros Homens. Jon ouviu o guincho da águia por cima de sua cabeça. Um corvo olhou-o do alto de um pinheiro marcial e lançou um cuorc quando ele passou. Teria o Velho Urso feito seu ataque? Em vez do estrondo do aço e do ruído seco das flechas levantando voo, Jon ouvia apenas o suave esmagamento da crosta gelada por baixo dos cascos do garrano.
Deram a volta em silêncio até a vertente sul, onde a subida era mais fácil. Foi aí que Jon viu o cavalo morto, estatelado no sopé do monte, meio enterrado na neve. Entranhas jorravam da barriga do animal como serpentes congeladas, e uma de suas patas tinha desaparecido. Lobos, foi o primeiro pensamento de Jon, mas não estava certo. Os lobos comiam os animais que matavam.
Mais garranos estavam espalhados pela encosta, com as patas retorcidas de um modo grotesco e olhos cegos fixos na morte. Os selvagens rastejavam sobre eles como moscas, despindo-os de selas, arreios, embrulhos e armaduras, e cortando sua carne com machados de pedra.
– Para cima – disse Camisa de Chocalho a Jon. – O Mance tá lá no alto.
Desmontaram junto à muralha anelar para se enfiarem através de um vão inclinado entre as pedras. A carcaça de um garrano felpudo e castanho estava empalada nos espigões afiados que o Velho Urso havia colocado dentro de todas as entradas. Ele estava tentando sair, não entrar. Não havia sinal de um cavaleiro.