A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
E havia gente ainda mais feroz do que Varamyr, vinda das regiões mais setentrionais da floresta assombrada, dos vales escondidos das Presas de Gelo e de lugares ainda mais estranhos: os homens da Costa Gelada, que seguiam em bigas feitas de ossos de morsa, puxadas por matilhas de cães selvagens; os terríveis clãs do rio de gelo, dos quais se dizia que se banqueteavam com carne humana; os habitantes das cavernas, com o rosto pintado de azul, roxo e verde. Jon contemplara com os próprios olhos os homens de Cornopé, que avançavam a trote, em coluna, sobre pés nus que tinham solas duras como couro fervido. Não tinha visto snarks nem grumequins, mas, até onde sabia, Tormund poderia ter alguns para comer no jantar.
Jon calculava que metade da tropa dos selvagens passara toda a vida sem ver a Muralha, nem que fosse de relance, e, entre esses, a maioria não sabia uma palavra do Idioma Comum. Não importava. Mance Rayder falava o Idioma Antigo, até cantava nele, dedilhando o seu alaúde e enchendo a noite com música estranha e selvagem.
Mance tinha passado anos reunindo aquela vasta e lenta tropa, falando aqui com uma mãe de clã e ali com um magnar, conquistando uma aldeia com palavras simpáticas, outra com uma canção e uma terceira com o gume da espada, fazendo a paz entre Harma Cabeça de Cão e o Senhor dos Ossos, entre os Cornopés e os Corredores da Noite, entre os homens-morsa da Costa Gelada e os clãs canibais dos grandes rios de gelo, fundindo uma centena de punhais diferentes numa única grande lança, apontada ao coração dos Sete Reinos. Não tinha coroa nem cetro, nem vestes de seda e veludo, mas para Jon estava claro que Mance Rayder era mais rei do que se assim fosse chamado.
Jon tinha se juntado aos selvagens por ordem de Qhorin Meia-Mão.
– Cavalgue com eles, coma com eles, lute com eles – dissera-lhe o patrulheiro, na noite antes de morrer. – E observe. – Mas, com toda a sua observação, pouco aprendera. Meia-Mão suspeitava que os selvagens tinham subido às desoladas e estéreis Presas de Gelo em busca de alguma arma, de algum poder, de algum terrível feitiço para derrubar a Muralha... mas, se tinham encontrado algo assim, ninguém andava se vangloriando abertamente do fato, nem o mostrava a Jon. E Mance Rayder tampouco tinha lhe confidenciado qualquer um de seus planos, qualquer parte de sua estratégia. Desde aquela primeira noite, quase não vira o homem, exceto a distância.
Vou matá-lo, se tiver de ser. A ideia não dava a Jon nenhuma alegria; não haveria honra em tal morte, e significaria também a sua. Mas não podia deixar que os selvagens abrissem uma brecha na Muralha, que ameaçassem Winterfell e o Norte, as terras acidentadas e os Regatos, Porto Branco e a Costa Pedregosa, até mesmo o Gargalo. Havia oito mil anos que os homens da Casa Stark viviam e morriam para proteger seu povo contra tais atacantes e piratas... e, bastardo ou não, era o mesmo sangue que corria em suas veias. Além disso, Bran e Rickon ainda estão em Winterfell. Assim como Meistre Luwin, Sor Rodrik, a Velha Ama, Farlen, o mestre dos canis, Mikken, em sua forja, e Gage, junto aos fornos... todos os que conheci, todos os que amei. Se Jon tinha de matar um homem por quem tinha meia admiração e do qual quase gostava para salvar aqueles que amava dos caprichos de Camisa de Chocalho, Harma Cabeça de Cão ou Magnar de Thenn, era isso que pretendia fazer.
Apesar de tudo, rezava aos deuses do pai para que o poupassem dessa tarefa tão desoladora. A tropa movia-se lentamente, sobrecarregada que estava com todos os rebanhos, crianças e pequenos tesouros dos selvagens, e as neves tinham tornado o progresso ainda mais lento. A maior parte da coluna estava agora para lá do sopé dos montes, escorrendo ao longo da margem ocidental do Guadeleite como mel numa manhã fria de inverno, seguindo o curso do rio em direção ao coração da floresta assombrada.
E Jon sabia que em algum lugar mais adiante, perto, o Punho dos Primeiros Homens se erguia por sobre as árvores, abrigando trezentos irmãos negros da Patrulha da Noite, armados, montados e à espera. O Velho Urso tinha enviado outros batedores além do Meia-Mão, e decerto Jarman Buckwell ou Thoren Smallwood já teriam retornado com a informação sobre aquilo que vinha descendo das montanhas.
Mormont não fugirá, pensou Jon. É velho demais e chegou longe demais. Atacará, e que se danem os números. Um dia, em breve, ouviria o som de berrantes de guerra e veria uma coluna de cavaleiros caindo sobre eles com esvoaçantes mantos negros e aço frio nas mãos. Trezentos homens não podiam esperar matar cem vezes mais, claro, mas Jon achava que não precisariam fazer isso. Ele não precisa matar mil homens, apenas um. Mance é tudo que os mantém juntos.
O Rei-para-lá-da-Muralha estava fazendo tudo o que podia, mas os selvagens mantinham-se irremediavelmente indisciplinados, e isso tornava-os vulneráveis. Aqui e ali, na serpente com léguas de comprimento que era a sua linha de marcha, havia guerreiros tão bons como quaisquer membros da Patrulha, mas cerca de um terço deles encontrava-se agrupado nas duas extremidades da coluna, na vanguarda de Harma Cabeça de Cão e na retaguarda selvagem, com os seus gigantes, auroques e lançadores de fogo. Outro terço seguia com o próprio Mance, perto do centro, defendendo carroças, trenós e carros puxados por cães que levavam a maior parte das provisões e dos abastecimentos da tropa, tudo que restara da colheita do verão anterior. O resto, dividido em pequenos bandos sob o comando de homens como o Camisa de Chocalho, Jarl, Tormund Terror dos Gigantes e Chorão, servia como batedores, forrageiros e “chicotes”, galopando sem cessar ao longo da coluna, para mantê-la em movimento de uma forma mais ou menos ordenada.
E ainda mais relevante era que só um em cem selvagens se encontrava montado. O Velho Urso vai atravessá-los como um machado atravessa mingau de aveia. E quando isso acontecesse, Mance os perseguiria com suas forças centrais, tentando minimizar a ameaça. Se caísse na luta que se seguiria, Jon estimava que a Muralha estaria a salvo durante mais cem anos. Caso contrário...
Abriu e fechou os dedos queimados de sua mão da espada. A Garralonga estava pendurada na sela, com o botão de pedra esculpida em forma de cabeça de lobo e o macio punho de couro ao alcance da mão.
A neve caía com força quando alcançaram o bando de Tormund, várias horas depois. Fantasma partiu ao longo do caminho, misturando-se à floresta ao farejar uma presa. O lobo gigante voltaria quando acampassem para passar a noite, o mais tardar à alvorada. Por mais longe que andasse, Fantasma sempre voltava ... e o mesmo, ao que parecia, fazia Ygritte.
– Então – gritou a garota quando o viu – já acredita em nós, Jon Snow? Viu os gigantes em seus mamutes?
– Ha! – gritou Tormund, antes de Jon conseguir responder. – O corvo está apaixonado! Quer casar com um!
– Com um gigante? – Lança-Longa Ryk riu.
– Não, com um mamute! – berrou Tormund. – Ha!
Ygritte trotou para o lado de Jon enquanto este reduzia o passo do garrano. Ela dizia ser três anos mais velha do que ele, embora fosse quinze centímetros mais baixa; qualquer que fosse a sua idade, a garota era uma coisinha rija. Cobra das Pedras chamara-a de “esposa de lança” quando a tinham capturado no Passo dos Guinchos. Não era casada e sua arma favorita era um pequeno arco curvado feito de chifre e represeiro, mas “esposa de lança” ajustava-se a ela mesmo assim. Lembrava a Jon um pouco sua irmã, Arya, embora esta fosse mais nova e provavelmente mais magra. Era difícil dizer se Ygritte era magra ou gorda, com todas as peles que usava.
– Conhece “O último dos gigantes”? – sem esperar resposta, Ygritte continuou: – É preciso uma voz mais grave do que a minha para cantá-la como deve ser. – E então cantou: – Ooooooh, sou o último dos gigantes, o meu povo do mundo partiu.