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O Ceu estа Caindo [em Português]

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O Ceu estа Caindo [em Português]
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A mulher disse:

- Quinhentos rublos.

- Vou precisar trocar algum dinheiro - disse Dana. Depois.

- Não. Agora. Aceito dólares.

- Tudo bem. - Ela enfiou a mão na bolsa e pegou um punhado de notas.

A mulher fez que sim com a cabeça, estendeu a mão e puxou seis delas.

Acho que eu poderia ter comprado o hotel com isso. Dana olhou em volta e perguntou:

- Onde fica o elevador?

- Sem elevador.

- Oh. - Era óbvio que um carregador estava fora de questão. Dana pegou a mala e começou a subir a escada.

O quarto era ainda pior do que imaginava. Pequeno, bagunçado, as cortinas rasgadas e a cama desfeita. Como Boris ia entrar em contato com ela? Isso talvez seja um embuste, pensou Dana, mas por que alguém ia se dar todo aquele trabalho? Sentou-se na beira da cama e olhou pela janela embaçada, sem lavar, a cena da rua movimentada embaixo.

Fui uma maldita estúpida, pensou. Talvez fique sentada aqui durante dias e nada…

Ouviu uma leve batida na porta. Dana respirou fundo e Levantou-se. Ia desvendar o mistério agora ou descobrir que não havia mistério algum. Foi até a porta e abriu-a. Ninguém no corredor. No chão, um envelope. Dana pegou-o e levou-o para dentro. O pedaço de papel dizia: “Vdnkh 9:00 da noite”. Dana examinou-o, tentando fazer algum sentido daquilo. Abriu a maleta e pegou o guia de Moscou que comprara. Ali estava, VDNKh. O texto dizia: “Exposição das realizações econômicas da URSS”, e dava um endereço.

Às oito horas daquela noite Dana fazia sinal para um táxi.

- VDNKh… o parque? - Não sabia ao certo a pronúncia.

O motorista virou-se e olhou para ela.

- VDNKh? Tudo fechado.

- Oh.

- Ainda quer ir até lá?

- Sim.

O motorista encolheu os ombros e o táxi avançou.

O enorme parque ficava no setor nordeste de Moscou. Segundo o guia, as suntuosas exposições haviam sido planejadas como um monumento à glória soviética, mas quando a economia entrou em recessão cortaram-se os financiamentos e o parque se transformou num monumento decadente ao dogma soviético. Os grandiosos pavilhões desmoronavam e o parque estava deserto.

Saltou do táxi e pegou um punhado de dinheiro americano.

- Isso é…?

- Da. - Ele pegou as moedas e um momento depois desapareceu.

Dana olhou em volta. Estava sozinha no parque enregelante e varrido pelo vento. Dirigiu-se a um banco próximo e sentou-se à espera de Boris.

Lembrou-se de quando tinha esperado no Zoológico por Joan Sinisi. E se Boris…

Uma voz por trás assustou-a.

- Horoshiy vyecherniy.

Dana virou-se e seus olhos arregalaram-se de surpresa. Esperara Boris Shdanoff. Em vez dele, via o comissário Sasha Shdanoff.

- Comissário! Não esperava que…

- Você vai me seguir - disse ele de chofre. Sasha Shdanoff pôs-se a andar rapidamente pelo parque. Ela hesitou um instante, depois apertou o passo atrás dele. O comissário entrou num café de aparência rústica na borda do parque e sentou-se num reservado. Só havia um outro casal em todo o café.

Dana atravessou-o até o reservado e sentou-se diante de Sasha Shdanoff.

Uma garçonete desmazelada com um avental sujo aproximou-se.

- Da?

- Dva cofe, pozhalooysta - disse Shdanoff. Voltou-se de novo para Dana. - Eu não tinha certeza de que viria, mas você é muito persistente. Isso às vezes pode ser muito perigoso.

- Você disse no bilhete que poderia me dizer o que quero saber - Sim. - O café chegou. Ele sorveu um gole e ficou calado por um momento. - Quer saber se Taylor Winthrop e sua família foram assassinados.

O coração de Dana começou a bater mais rápido.

- Foram?

- Foram. - Isso chegou como um arrepiante sussurro.

Ela sentiu um estremecimento repentino.

- Quem…

Ele ergueu a mão para detê-la.

- Vou lhe contar, mas primeiro precisa fazer alguma coisa por mim.

Dana olhou para ele e perguntou, cautelosa.

- Tire-me da Rússia. Não estou mais seguro aqui.

- Por que simplesmente não vai para o aeroporto e embarca num avião?

Pelo que sei, viajar para o exterior não é mais proibido.

- Cara Srta. Evans, você é ingênua. Muito ingênua. É verdade que as coisas não são mais como nos velhos dias do comunismo, mas se eu tentasse fazer o que sugere eles me matariam antes mesmo de eu chegar ao aeroporto.

Estou correndo grande perigo. Preciso de sua ajuda.

Ela precisou de alguns instantes para absorver as palavras dele. Lançou-lhe um olhar desanimado.

- Não posso tirar você… não saberia por onde começar.

- Mas precisa. Precisa encontrar um meio. Minha vida está em perigo.

Dana ficou pensativa por um momento.

- Posso falar com o embaixador americano e…

- Não! - A voz de Sasha Shdanoff foi incisiva.

- Mas é o único meio…

- Seu embaixador tem ouvidos de traidor. Ninguém deve saber disso, além de você e de quem for ajudá-la. Seu embaixador não pode me ajudar.

De repente, sentiu-se deprimida. Não via nenhum meio possível de tirar clandestinamente da Rússia um comissário russo. Eu não conseguiria tirar nem sequer um gato deste país. E outro pensamento também a invadiu.

Toda essa coisa era na certa um ardil. Sasha Shdanoff não tinha informação alguma.

Usava-a para tentar chegar aos Estados Unidos. Aquela viagem de nada Lhe servira.

- Receio não poder ajudá-lo, comissário Shdanoff. Levantou-se, furiosa.

- Espere! Você quer prova? Eu lhe darei a prova.

- Que tipo de prova?

Ele levou um longo tempo para responder. Quando falou, disse as palavras devagar - Está me obrigando a fazer uma coisa que não tenho o menor desejo de fazer - Levantou-se. - Venha comigo.

Trinta minutos depois, subiam a escada pela entrada privada nos fundos dos escritórios de Shdanoff, no Departamento Internacional de Desenvolvimento Econômico.

- Eu poderia ser executado pelo que estou prestes a lhe dizer - disse Sasha Shdanoff quando chegaram. - Mas não me resta outra opção. - Fez um gesto de impotência. - Porque serei assassinado se ficar aqui.

Dana viu Shdanoff dirigir-se a um grande cofre embutido na parede. Girou a combinação de números, abriu o cofre e tirou um livro grosso. Levou-o para sua escrivaninha. Na capa do livro, lia-se em letras vermelhas: “Klassifitsirovann’gy”.

- Isto é informação classificada como altamente confidencial - disse o comissário Shdanoff a Dana. Ele abriu o livro.

Ela olhava-o atenta enquanto ele virava as páginas devagar. Cada página continha fotografias coloridas de bombardeiros, veículos de lançamento espacial, mísseis antibalísticos, mísseis ar-terra, armas automáticas, tanques e submarinos.

- Esse é o arsenal completo da Rússia. - Parecia enorme, mortal. - Nesse momento, a Rússia tem mais de mil mísseis balísticos intercontinentais, mais de duas mil ogivas atômicas e setenta bombardeiros estratégicos. - Ele apontava várias armas enquanto passava as páginas. - Este é o Awl…

Acrid… Aphid…

Anab… Archer.. Nosso arsenal nuclear rivaliza com o dos Estados Unidos.

- É muito, muito impressionante.

- As Forças Armadas russas passam por graves problemas, Srta. Evans.

Enfrentamos uma crise. Não há dinheiro para pagar os soldados, e o moral anda muito baixo. O presente oferece pouca esperança, e o futuro parece pior, por isso os militares estão sendo obrigados a se voltar para o passado.

- Eu… receio não entender como isso…

- Quando a Rússia era uma verdadeira superpotência, construíamos mais armas do que até mesmo os Estados Unidos. Essas armas estão guardadas aqui. Há dezenas de países famintos por elas. Valem bilhões.

Dana disse, paciente:

- Comissário, entendo o problema, mas…

- Este não é o problema.

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