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O outro lado de mim [em Português]

Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:

O livro traz detalhes inéditos, reveladores e sinceros, com as memórias do escritor Sidney Sheldon, um dos maiores bestsellers de toda a história, com mais de 300 milhões de livros vendidos, em 51 idiomas e em mais de 180 países. Todos os 18 romances do autor alcançaram a Lista dos Mais Vendidos. Sheldon assinou obras como 'O outro lado da meia-noite', 'A herdeira', 'A ira dos anjos', 'Juízo final', entre outros. O livro apresenta revelações sobre a vida do autor em Hollywood, ao lado de estrelas como Cary Grant, Marylin Monroe, Judy Garland, Frank Sinatra e Doris Day. 'O outro lado de mim' traz alguns detalhes sobre a vida pessoal do autor, como a infância em Chicago, em um ambiente familiar instável com as constantes discussões dos pais, a revelação de ser portador da psicose maníaco-depressiva, e muito mais.
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- Não quero dar nas vistas. O que é que achas se o puser no topo do telhado de minha casa, com uma meia dúzia de holofotes a apontarem para ele?

Riu-se.

- Acho uma excelente idéia!

- Sammy, tenho que te confessar que ganhá-lo foi um choque para mim.

- Eu sei. Ouvi o teu discurso. Respondeu, secamente. E, sentando-se, disse casualmente: A propósito, venho do escritório do Benny Thau. Benny Thau era o homem da MGM que fazia os negócios. Tens um contrato de sete anos. Deram-nos tudo o que pedimos.

Eu não queria acreditar.

- Mas isso é maravilhoso. O poder do Oscar.

- Uma das coisas em que cederam foi no teu pedido para poderes tirar três meses por ano em qualquer altura que desejar.

- Ótimo.

Queria estar livre para poder fazer outras coisas.

Mudara-me para uma pequena casa em Westwood. Tinha um quarto pequeno, um escritório pequeno, uma sala de estar pequena, uma cozinha pequena e duas casas de banho pequenas. A garagem era maior do que toda a casa. Tony Curtis e a sua lindíssima mulher, Janet Leigh, ambos os atores talentosos, viviam num apartamento a poucas portas de distância. Tinham carro, mas não tinham onde o estacionar.

Uma noite, durante um jantar, Tony perguntou-me:

- Estamos com problemas de estacionamento na nossa rua. Podemos alugar a tua garagem?

- Não a podem alugar, mas podem usá-la à vontade.

E, desse dia em diante, o carro deles passou a estar estacionado na minha garagem.

A minha casa era demasiado pequena para dar festas, mas eu não sabia disso, por isso dei imensas. Tive a sorte de conseguir encontrar um espetacular cozinheiro filipino que também servia ao bar e me limpava a casa. Desde que começara a trabalhar na MGM, conhecera uma série de gente interessante. Fiz um jantar com Ira Gershwin e a mulher, Lee. Kirk Douglas, Sid Caesar e Steve Allen também jantaram lá, acompanhados pelas respectivas caras metades. Era uma lista longa e maravilhosa. Jules Stein, dirigente da MCA, a mais poderosa agência de talentos de Hollywood, veio jantar mais do que uma vez com a mulher, Doris. Muitas vezes tivemos que nos sentar no chão porque não tinha cadeiras que chegassem, mas ninguém parecia importar-se.

Um dos homens mais interessantes que conheci foi Robert Schiffer, diretor de maquilhagem nos estúdios Disney. Era inglês e voara com a Royal Air Force durante a Segunda Grande Guerra. Tinha um iate e viajava por todo o mundo.

Em 1946, Schiffer estava a trabalhar num filme da Rita Hayworth. Ela estava prestes a iniciar um filme para Harry Cohn. Em vez disso, ela e Schiffer decidiram fugir juntos para o México. O filme foi suspenso até terminarem as suas férias românticas. Harry Cohn ia dando em doido porque não os conseguia localizar.

Todas as tardes de sábado, eu fazia um jogo de gin em minha casa, com uma dúzia de habituais. Jerry Davis, um produtor-argumentista, era um deles, assim como o realizador Stanley Donen, Bob Schiffer e vários outros. Elizabeth Taylor, na altura com os seus vinte anos, andava com Stanley, e todo o sábado aparecia para nos fazer o almoço enquanto jogávamos.

Elizabeth era baixa e sensual, com uns incríveis olhos violeta e um toque da magia que mais tarde veio a fazer dela uma lenda. Custa a acreditar que todo o sábado tinha esta beldade na minha cozinha a fazer sanduíches.

Cyd Charisse fora contratada pela MGM. Ela era sensual e talentosa. Entrara para o Ballet Russo aos treze anos e era uma espantosa bailarina. Saí algumas vezes com ela. Um sábado à noite tínhamos um encontro marcado quando ela me telefonou a cancelar.

- Passa-se alguma coisa? Perguntei. Foi evasiva.

- Na segunda feira explico-te melhor.

Não precisou fazê-lo. Saiu em todos os jornais. No fim de semana, casara-se com o famoso cantor Tony Martin. Cyd telefonou-me.

- Imagino que já tenhas visto as notícias.

- Vi, sim. Espero que tu e o Tony sejam muito felizes.

Tentei esquecer Cyd embrenhando-me no trabalho. Estava pronto para outro desafio.

Kenneth McKenna, diretor do departamento de guiões da MGM, chamou-me ao gabinete dele. McKenna andava pelos cinquenta e tal anos, era um homem direito que nem um fuso, um general de cabelo grisalho que geria o seu departamento como propriedade sua.

Não me cumprimentou.

- Tenho um trabalho para si, Show Boat.

Era um trabalho fantástico. Show Boat era um musical importante. Tinha uma partitura brilhante e um libreto maravilhoso. Eu adorava-o. Mas tinha um problema.

- Kenneth, acabei de fazer duas adaptações. Gostava de trabalhar em algo original.

Ele ergueu-se na cadeira.

- Você faz exatamente aquilo que eu lhe disser para fazer. Tem um contrato com este estúdio. Até lava o chão, se eu lho ordenar.

Nunca escrevi Show Boat. Nas semanas seguintes, andei demasiado ocupado a lavar o chão.

Para os meus três meses de folga desse ano, planeara uma viagem à Europa, e estava muito excitado com a perspectiva. Marcara uma passagem no Liberte, um navio francês que ouvira dizer que era fantástico.

Telefonei a Natalie, Marty, Richard e Joan para me despedir e voei até Nova Iorque para embarcar.

Entre os passageiros estava Charles MacArthur, que eu já conhecia.

Era um argumentista brilhante que juntamente com Ben Hecht, escrevera The Front Page, Jumboe Twentieth Century. Com ele encontrava-se a mulher, a proeminente atriz americana Helen Hayes.

Na primeira vez que Charles a vira numa festa ficara imediatamente fascinado. Pegara numa taça cheia de amendoins e oferecera-lha, dizendo:

- Como gostava que fossem diamantes.

Casaram-se pouco tempo depois. No ano seguinte, no aniversário dela, Charles deu-lhe uma pequena taça de diamantes e disse:

- Como gostava que fossem amendoins.

Os outros passageiros incluíam Rosalind Russel e o marido, o produtor Fred Brisson, e Elsa Maxwell, a famosa organizadora de festas. No primeiro dia no mar, Charles veio ter comigo:

- A Elsa Maxwell teve conhecimento que ganhaste um Oscar. Quer convidar-te para o jantar que dá hoje. Eu expliquei-lhe que tu não gostas de conviver.

- Charlie! Eu adoraria ir à festa dela! Ele sorriu.

- Tens que te fazer difícil. Vou dizer-lhe que ficaste de dar uma resposta.

Mais tarde, a própria Elsa Maxwell veio ter comigo e disse:

- Senhor Sheldon, vou dar um pequeno jantar esta noite. Tinha muito gosto que se juntasse a nós.

- Com muito prazer.

O jantar foi muito simpático e os convidados pareciam divertidos. No final da refeição, quando me levantei para sair, um criado abordou-me:

- Desculpe, senhor Sheldon. São três dólares para a mesa. Abanei a cabeça.

- Eu sou convidado da senhora Maxwell.

- Eu sei. São três dólares. Fiquei furioso.

Charlie tentou acalmar-me.

- Não me importo com a idéia, o que me incomoda é o dinheiro. Expliquei.

Charlie riu.

Sidney, a especialidade dela é juntar as pessoas. Ela nunca paga por nada.

Quando cheguei a Londres, me registrei no lendário hotel Savoy. Embora a guerra tivesse acabado a Inglaterra ainda sofria dos seus efeitos. Havia racionamento e faltava tudo.

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