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O Poderoso Chefão [em Portugues]

Электронная книга - «O Poderoso Chefão [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Numa reconstrução do mundo dos mafiosos, que imortalizou o personagem Don Corleone, Mario Puzo leva o leitor ao próprio coração da Máfia, revelando toda a violência, chantagem, terror e degradação que a caracterizam. Don Corleone é um dos cabeças da Máfia nova-iorquina, pessoa benevolente que obedece a um critério de justiça muito pessoal. Ele pode ser um amigo prógigo, mas se torna implacável na eliminação de obstáculos que contrariem seus objetivos. Movimentando personagens num mundo de violência, negócios, ódio e sexo, Mario Puzo consagrou-se com este livro que foi levado ao cinema com o mesmo sucesso, com Don Corleone interpretado por Marlon Brando.
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— Sonny já descobriu para onde Sollozzo vai me levar? — perguntou Michael.

Clemenza deu de ombros.

— Ainda não. Sollozzo está sendo muito cauteloso. Mas não se preocupe com o fato de que ele possa fazer-lhe algum mal. O intermediário fica em osso poder até você voltar são e salvo. Se alguma coisa acontecer a você, o intermediário pagará.

— Por que diabo ele se expõe a tamanho risco? — indagou Michael.

— Ele vai receber uma enorme recompensa — respondeu Clemenza. — Urna pequena fortuna. Além disso, é um homem importante das Famílias. Ele sabe que Sollozzo não pode deixar que lhe aconteça algo. A sua vida não vale a vida do intermediário para Sollozzo. Muito simples. Você voltará perfeitamente são e salvo. Nós é que sofreremos o diabo depois.

— Será que a situação ficará assim tão ruim? — perguntou Michael.

— Muito ruim — respondeu Clemenza. — Significa uma guerra total com a Família Tattaglia contra a Família Corleone. Quase todas as outras formarão ao lado dos Tattaglia. O Departamento Sanitário vai encontrar um bocado de cadáveres nesse inverno. — Ele deu de ombros. Essas coisas têm de acontecer uma vez em cada dez anos ou coisa parecida. Elimina o sangue ruim. Além disso, se deixarmos que eles dominem nas coisas pequenas, dentro em pouco vão querer tomar conta de tudo. Temos de pará-los no começo. Tal como deviam ter parado Hitler em Munique, nunca deviam tê-lo deixado fazer aquilo, pois assim estavam criando uma enorme confusão.

Michael ouvira o pai dizer a mesma coisa antes, só que isso foi em 1939, antes de a guerra ter realmente começado. Se as Famílias dirigissem o Departamento de Estado, jamais teria havido a II Guerra Mundial, pensou ele com um sorriso forçado.

Voltaram de carro para a alameda e para a casa de Don Corleone, onde Sonny ainda mantinha o seu quartel-general. Michael não sabia por quanto tempo Sonny poderia permanecer encurralado no território seguro da alameda. Finalmente, ele teria de arriscar a sair. Encontraram Sonny tirando um cochilo no divã. Na mesa do café estavam os restos de seu almoço tardio: sobras de bife, migalhas de pão e uma garrafa de uísque pela metade

O escritório do pai, geralmente limpo, começava a tomar o aspecto de um quarto desarrumado. Michael sacudiu o irmão para acordá-lo e perguntou:

— Por que não deixa de viver como vagabundo e manda limpar esta sala?

Sonny bocejou:

— Quem diabo é você, o inspetor do quartel? Mike, ainda não recebemos informações sobre o lugar para o qual eles pretendem levar você, esses patifes do Sollozzo e do McCluskey. Se não descobrirmos isso, como diabo vamos fazer chegar a arma a você?

— Não posso levá-la comigo? — perguntou Michael. — Talvez não me revistem, e se me revistarem talvez não encontrem se formos bastante espertos. E mesmo que a encontrem... isso não será nada de mais. Apenas a tirarão de mim e não me farão nenhum mal.

Sonny balançou a cabeça.

— Não — falou. — Temos de fazer disso um golpe seguro no patife do Sollozzo. Lembre-se, atire primeiro nele se você puder. McCluskey é mais lerdo e mais estúpido. Você terá bastante tempo para acertar nele. Clemenza lhe falou para você deixar cair a arma?

— Um milhão de vezes — respondeu Michael.

Sonny levantou-se do sofá e espreguiçou-se.

— Como vai a sua cara, garoto?

— Muito mal — respondeu Michael. O lado esquerdo do seu rosto doía horrivelmente.

Ele apanhou a garrafa de uísque que estava em cima da mesa e bebeu diretamente dela. A dor abrandou.

— Calma, Mike, agora não é hora de tomar-se lerdo com bebida — advertiu Sonny.

— Por Deus, Sonny, pare de bancar o irmão mais velho — retrucou Michael. — Estive lutando contra sujeitos mais duros do que Sollozzo e em piores condições. Onde diabo estão os seus morteiros? Por acaso ele tem cobertura aérea? Artilharia pesada? Minas terrestres? Ele é apenas um bom filho da puta com um figurão da polícia como companheiro. Desde que alguém tome a decisão de matá-los, não há problema. Isso é a parte difícil, tomar a decisão. Nunca saberão o que os atingiu.

Tom Hagen entrou na sala. Cumprimentou-os com um aceno de cabeça e foi diretamente ao telefone falsamente mencionado no catálogo. Chamou algumas vezes e depois balançou a cabeça para Sonny.

— Nem um sussurro — disse ele. — Sollozzo está mantendo o segredo tanto quanto possível.

O telefone tocou. Sonny atendeu-o e levantou a mão como que para fazer sinal de silêncio, embora ninguém estivesse falando. Ele tomou algumas notas num bloco, depois disse:

— Está bem, ele estará lá — e desligou o telefone.

Sonny estava rindo.

— Este filho da puta do Sollozzo, ele é de fato uma coisa. Eis o trato. Hoje, às oito da noite, ele e o Capitão McCluskey apanham Mike em frente do bar de Jack Dempsey, na Broadway, e vão a algum lugar para conversar. Mike e Sollozzo falam em italiano de modo que o polícia irlandês não saiba sobre que diabo estão falando. Ele até me diz que não se preocupe, sabe que McCluskey não conhece uma palavra de italiano, a não ser o seu soldi , e já investigou sobre você, Mike, e sabe que você entende o dialeto siciliano.

— Sou bem intratável, mas não falaremos muito — disse Michael seca mente.

— Não deixaremos Mike ir enquanto não tivermos o intermediário. Está combinado? — lembrou Tom Hagen.

Clemenza acenou com a cabeça afirmativamente.

— O intermediário está em minha casa jogando cartas com três dos meus homens. Eles esperam um telefonema meu para deixá-lo ir embora.

Sonny voltou a afundar-se na poltrona de couro.

— Agora, como é que vamos descobrir o lugar do encontro? Tom, temos informantes junto à Família Tattaglia, como é que eles não nos comunicaram ainda?

Hagen deu de ombros;

— Sollozzo é realmente um bocado esperto. Está conservando isso no maior segredo possível, tanto que não vai usar nenhum homem como cobertura. Ele pensa que o capitão será bastante e que a segurança é mais importante do que armas. Ele tem razão também. Teremos de seguir a pista de Mike e esperar que tudo corra da melhor maneira.

Sonny balançou a cabeça.

— Não, qualquer pessoa pode perder uma pista quando os outros realmente querem que tal ocorra. Isso é a primeira coisa que eles investigarão.

Já eram cinco horas da tarde. Sonny, preocupado, continuou:

— Talvez fosse melhor que Mike fizesse explodir todos os que estivessem no carro quando este viesse apanhá-lo.

Hagen balançou a cabeça.

— E se Sollozzo não estiver no carro? Revelamos assim a nossa intenção para nada. Com os diabos, temos de descobrir para onde Sollozzo vai levá-lo.

— Talvez a gente deva começar procurando imaginar por que ele está fazendo um segredo tão grande — atalhou Clemenza.

— Porque é vantagem — disse Michael impacientemente. — Por que deve ele deixar a gente saber alguma coisa se pode evitá-lo? Além disso, ele sente o cheiro de perigo. Deve estar alerta como o diabo mesmo com aquele capitão da polícia a seu lado.

Hagen estalou os dedos.

— Esse detetive, esse tal de Phillips. Por que você não telefona para ele, Sonny? Talvez ele possa descobrir onde diabo se pode encontrar o capitão. Vale a pena tentar. McCluskey pouco se importará que quem quer que seja saiba aonde ele foi.

Sonny pegou o telefone e discou um número. Falou baixinho e, em seguida, desligou.

— Ele vai chamar depois — disse ele.

Esperaram durante quase outros trinta minutos e finalmente o telefone tocou. Era Phillips. Sonny tomou nota de alguma coisa no seu bloco e em seguida desligou. O seu rosto estava apreensivo.

— Acho que conseguimos descobrir — disse. .— O Capitão McCluskey tem sempre de comunicar onde pode ser encontrado. Das oito às dez da noite, ele estará no Luna Azure, lá no Bronx. Alguém sabe onde é?

— Eu sei — respondeu Tessio com segurança. — É ótimo para nós. Um pequeno lugar familiar com reservados grandes onde as pessoas podem falar em particular. Boa comida. Todo mundo lá cuida apenas de si. Ótimo. — Em seguida, inclinou-se sobre a escrivaninha de Sonny e dispôs pontas de cigarros como figuras de mapa, explicando: — Aqui é a entrada, Mike, quando você terminar, saia e dobre à esquerda, depois vire a esquina. Eu o localizarei e o porei sob os meus faróis e o apanharei com o carro em movimento. Se você tiver alguma dificuldade, grite e eu tentarei entrar e fazer você sair. Clemenza, você tem de trabalhar depressa. Mande alguém lá para esconder a arma. Eles têm uma privada antiga com um espaço entre a caixa de descarga e a parede. Faça seu homem colocar a arma ali atrás. Mike, depois que o revistarem no carro e verificarem que você está desarmado, não se preocuparão muito com você. No restaurante, espere um pouco antes de pedir desculpas por ter de ir à privada. Não, melhor ainda, peça licença para ir. Primeiro finja que está com vontade de urinar, é muito natural. Eles não podem pensar nada. Mas quando voltar, não perca tempo. Não se sente à mesa novamente, comece a atirar. E não dê chance. Na cabeça, dois tiros em cada um, e caia fora tão depressa quanto lhe permitirem as pernas.

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