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A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]

Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:

Jordan Belfort fez uma fortuna no mercado de ações americano nos anos 1990 e viveu uma vida de luxo, drogas, sexo e pura loucura. O problema foi que, para enriquecer dessa maneira, ele não seguiu apenas o bom caminho, e o FBI não deixou barato... Acusado de fraude de valores mobiliários, manipulação de ações, lavagem de dinheiro e outros inúmeros crimes financeiros que nem ele saberia citar, Jordan se viu obrigado a cooperar com a Justiça americana, dedurando amigos e antigos colegas para tentar se livrar de uma pena que poderia chegar a 30 anos de prisão – e arruinar de vez sua vida.
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
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Às 4 da manhã, desabei e ataquei a bolsa Luis Vuitton novamente. Então, 30 minutos mais tarde, eu estava dormindo, com Xanax borbulhando em meu sistema nervoso em quantidade suficiente para derrubar metade de Praga.

ÀS 7H30 DA MANHÃ, apenas três horas mais tarde, o telefone tocou. Era a recepção ligando para me acordar.

Eu pisquei, em seguida vomitei, e então levantei da cama para tomar um banho gelado de chuveiro. Depois, cheirei meio grama de cocaína, engoli um Xanax, para sufocar qualquer paranoia futura, e desci as escadas para o lobby. Senti uma pontada de culpa por estar cocainado na minha primeira reunião de negócios naquele simpático país, mas, depois da escapada da noite anterior para a fossa decadente do bairro da luz vermelha de Praga, não havia outra maneira de começar meu dia.

No térreo, no lobby, Marty Sumichrest, Jr., de 30 anos, nos cumprimentou calorosamente. Ele era alto, magro, de rosto pálido e usava óculos de aros de aço com lentes muito grossas. Ele vivia em algum lugar perto de Washington, DC, mas estava em Praga porque esperava levantar 10 milhões de dólares para sua empresa, a Czech Industries. Àquela altura, a empresa não era nada mais que uma casca vazia e inútil, mas ele nos garantiu que poderia usar o status de seu pai de “herói de guerra” do país para se insinuar nos mais altos escalões da estrutura de poder tcheca.

Nós trocamos as gentilezas da manhã e, em seguida, nos amontoamos em uma limusine horrenda chamada Skoda. Ela era negra, quadradona, toda batida e, é claro, não tinha ar-condicionado. O fedor de odor corporal era tão poderoso que poderia ter incapacitado um pelotão inteiro de fuzileiros navais. Eu olhei para o relógio: ainda eram 8h15 da manhã… Apenas 5 minutos tinham se passado, mas parecia uma hora. Olhei em volta dentro do carro e todos estavam a meio mastro: Danny estava branco como um fantasma; os lábios do Chef estavam retorcidos subversivamente; a peruca de Cabana parecia um animal morto.

Sentado no banco da frente, Marty se virou para nós.

– Praga é uma das únicas cidades da Europa que não foi destruída pelos nazistas – disse ele, orgulhoso. – A maior parte da arquitetura original ainda permanece – ele levantou a palma da mão em direção à janela, fez um gesto de arco da esquerda para a direita, como a dizer: “Eis aqui a maravilha e a beleza!” e então continuou: – Muitos a consideram a mais bela cidade da Europa, a Paris do Leste Europeu, por assim dizer. Praga tem sido o lar de muitos artistas, e de muitos poetas também. Eles vêm aqui para se inspirar, para se…

Santo Deus! Eu estava entediado até a morte, suando até a morte e cheirava a morte, tudo ao mesmo tempo! Como poderia ser? Eu senti desesperadamente muitas saudades de casa, de repente, como um menino que fora obrigado a ir para um acampamento e estava louco para voltar para casa.

– …E os tchecos têm sido sempre empreendedores. Foram os eslavos que deram má reputação a este país – Marty balançou a cabeça em desgosto. – Eles são idiotas, bêbados e preguiçosos com QI um pouco acima do nível de um idiota. Eles foram empurrados para nós pela União Soviética, mas agora estão de volta ao que pertencem: à Eslováquia. Escreva o que eu digo. Daqui a dez anos eles vão ter o menor PIB da Europa Oriental e nós teremos o maior – ele acenou com a cabeça orgulhosamente. – Pode escrever!

– Muito interessante – eu disse casualmente –, mas, se os tchecos são tão inteligentes assim, como é que eles ainda não descobriram o desodorante?

– O que você quer dizer? – perguntou Marty, estreitando os olhos.

– Não importa – respondi. – Eu estava apenas fazendo uma piada, Marty. O cheiro aqui é igual a lavanda…

Ele acenou com a cabeça, parecendo entender.

– Bem – acrescentou –, a primeira empresa que vamos visitar nesta manhã é a Motokov. Eles detêm os direitos de distribuição exclusivos da Skoda – e bateu com a mão no seu encosto de cabeça duas vezes – para que eles possam inundar o mundo com estes meninos maus!

– Hmmm – murmurou o Chef. – Eu aposto que as pessoas em toda a Europa Ocidental vão fazer filas enormes para comprar um Skoda. Na verdade, é melhor que o pessoal da Mercedes fique bem atento, senão logo vão estar mergulhados até os joelhos nas dívidas.

O filho do herói de guerra concordou com a cabeça.

– Como eu disse, a República Tcheca é cheia de oportunidades. Motokov é apenas um exemplo disso.

A SEDE CORPORATIVA da Motokov era um edifício de escritórios cinza, feito de concreto, que se erguia 23 andares acima das ruas de Praga. Infelizmente, a empresa precisava de apenas dois andares para suas operações. Mas os comunistas tinham acreditado fortemente na crença de que “quanto maior, melhor”, enxergando conceitos do tipo lucros e perdas como pequenas trivialidades, ou pelo menos como de importância secundária em relação à criação de empregos inúteis e mal remunerados para aplacar a força de trabalho bêbada da antiga Tchecoslováquia.

Pegamos um elevador revestido com painéis de linóleo até o 20º andar e caminhamos por um corredor longo e silencioso que parecia ter pouco oxigênio. Eu estava prestes a desmaiar quando chegamos a uma grande sala de reuniões, onde nos foram oferecidos assentos ao redor de uma enorme mesa feita de madeira barata e que era grande o suficiente para umas 30 pessoas. Mas apenas três representantes da Motokov estavam na sala; por isso, depois de termos tomado os assentos, ficamos tão distantes uns dos outros que era preciso quase gritar para ser ouvido do outro lado. Ah, esses comunistas, pensei.

Eu estava sentado em uma ponta da mesa, de frente para uma parede de vidro laminado que dava para a cidade de Praga. Àquela hora da manhã, naquele momento do mês de junho, o sol estava brilhando diretamente através da placa de vidro, aquecendo o ambiente com a temperatura do planeta Mercúrio. No chão havia três gerânios em vasos brancos de plástico. Eles estavam mortos.

Depois de alguns momentos dedicados às amenidades de apresentação, o presidente da Motokov tomou o centro do palco e começou a falar em inglês com forte sotaque. A empresa tinha sofrido muito devido à ruptura com a União Soviética, explicou. As leis antimonopólio tinham sido aprovadas, basicamente lançando-os para fora do negócio. Ele parecia ser um sujeito inteligente, um sujeito completamente afável, de fato, mas logo comecei a notar algo muito estranho nele. No início eu não conseguia perceber exatamente do que se tratava, mas então fui atingido pela constatação: ele era um pisca-pisca. Sim, ele era um pisca-pisca de qualidade internacional! A cada palavra que escapava de seus lábios, ele piscava os olhos, às vezes mais de uma vez.

– Então você vê – explicou o Pisca-pisca, com três rápidas piscadas –, sob as novas leis, os monopólios não são mais permitidos, o que nos coloca – pisca, pisca –, nós, da Motokov, em uma posição – pisca, pisca, pisca – difícil – pisca. – De certa forma, temos sido empurrados para muito perto da falência – pisca, pisca, pisca, pisca, pisca, pisca, pisca…

Aquilo parecia uma bela oportunidade, pensei, especialmente se seu objetivo é jogar dinheiro fora em um vaso sanitário tcheco!

Ainda assim, fiz o papel do convidado interessado e balancei a cabeça de modo solidário, ao que o Pisca-pisca piscou.

– Sim, nós estamos à beira da falência – continuou o Pisca-pisca. – Nós temos a sobrecarga da estrutura – pisca, pisca – de uma empresa de bilhões de dólares, mas que já não tem mais a autorização das vendas.

O Pisca-pisca soltou um suspiro profundo. Ele parecia estar na casa dos 40 anos e tinha a pele muito branca. Usava um tipo de camisa xadrez de manga curta e uma gravata de lã azul que o deixavam parecido com um contador de nível médio em um matadouro em Omaha.

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