A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]
- Автор: Белфорт Джордан
- Год: 2014
- Язык: португальский
- Год: Planeta
- ISBN: 9788542203134
- Жанр: Биографии и мемуары
Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
Ironicamente, dentro da sala de interrogatório, eu tinha ficado perturbadoramente confortável com o passar do dia. Perder-me no passado havia permitido que eu bloqueasse a dor do presente, sobretudo minha sensação de perda em relação à Duquesa. E apesar do fato de saber que estava dedurando, toda a informação que eu tinha fornecido era algo estritamente histórico, sobrevoando apenas ligeiramente os traços da ilegalidade e da marginalidade. Aquelas 97 pessoas em minha lista de vilões, ladrões e vigaristas ainda estavam razoavelmente seguras.
Mas então o Canalha estourou minha bolha.
Faltavam alguns minutos para as 5 da tarde quando Joel disse:
– Nós precisamos colocar essa aula de história em espera por um tempo. Nós estamos lutando contra o relógio com sua cooperação…
Então ele passou a explicar que meu papel como traídor poderia ser mantido em segredo por apenas um determinado período. Havia sinais reveladores quando alguém estava cooperando com o FBI, começando pelos registros do tribunal, que no meu caso seria algo visivelmente maçante. Em outras palavras, havia certas moções que deveriam ser encaminhadas quando o réu estava levando um caso para julgamento, moções essas que não seriam efetivadas se esse mesmo réu estivesse cantando na Court Street.
Em termos práticos, explicou o Canalha, haveria dois aspectos distintos para minha cooperação: a delação histórica e a delação proativa. Até então, eu tinha colaborado apenas na primeira modalidade. Agora, no entanto, o Canalha tinha me pedido para fazer uma ligação telefônica gravada a uma das almas que em breve estariam se lamentando em me atender, selecionada de minha lista de vilões, vigaristas e ladrões. E o Canalha tinha escolhido, entre todas as pessoas, meu leal e confiável contador, Dennis Gaito, também conhecido como Chef.
Dennis Gaito era, de fato, um chef, embora não no tradicional sentido da palavra. Era um apelido nascido do amor e do carinho, como resultado de sua natural propensão para “cozinhar” a contabilidade*. Ele era um homem calmo, tranquilo e controlado. Vivia para os melhores campos de golfe, charutos cubanos, bons vinhos, viagens de primeira classe conversas cultas, especialmente quando eram relacionadas a maneiras de foder o Imposto de Renda e a Comissão de Valores Mobiliários, o que parecia ser sua missão mais importante na vida.
Com 50 e poucos anos, o Chef vinha cozinhando os livros desde o começo dos anos 1970, quando eu ainda estava na escola, ganhando experiência sob os olhos atentos de Bob Brennan, um dos maiores supercorretores de ações de todos os tempos. O apelido de Bob era Demônio de Olhos Azuis, uma referência a seus olhos de aço azuis, suas diabólicas estratégias de negociação e o sangue gelado que corria por suas veias, que os boatos diziam ser dois graus mais frios que o nitrogênio líquido.
O Demônio de Olhos Azuis foi o fundador da First Jersey Securities, que no final dos anos 1970 e início dos anos 1980 tinha sido uma operação de penny stocks** com um alcance e uma escala sem precedentes. O Chef tinha sido contador do Olhos Azuis, assim como seu principal confidente. Como equipe, foram lendários, deixando um rastro de fraudes em ações. E, ao contrário da maioria dos caras que operavam nesse mercado de centavos, o Demônio de Olhos Azuis saiu com todo o dinheiro, quase um quarto de bilhão deles.
Aí residia o problema: o Demônio de Olhos Azuis tinha fugido com o dinheiro. Ele tinha enganado os reguladores a cada passo do caminho, e não havia nada que o Canalha desejasse mais que a cabeça do Olhos Azuis em uma bandeja.
Só então a voz de Monsoir me trouxe de volta ao presente.
– Essa trânsito está horrível! – declarou. – Vai ser um milagre se chegarmos a Brookville. Voxê não acha, chefe?
– Monsoir – eu disse suavemente –, acontece que você é um motorista muito bom. Você nunca fica doente, nunca se perde, e, por ser muçulmano e tudo, acho que não pode beber! – balancei a cabeça em admiração. – É por isso que eu tenho três palavras amáveis para você.
– Ah, é, chefe, e quais são?
– Vai se foder!
Depois de grunhir, apertei um botão no console e assisti à cabeça do balbuciante paquistanês desaparecer atrás de uma divisória coberta de feltro. Fiquei olhando para aquele azul profundo por uns bons segundos, e então meus olhos se iluminaram com três letras douradas, um N, um J e um B, que significavam Nadine e Jordan Belfort. As letras tinham sido bordadas no feltro, em fios de ouro 18 quilates, escritas em estilo gótico. “Que palhaçada de merda!”, pensei. Que despesa inútil e imprudente. Que excesso ridículo! Tudo era tão sem sentido agora…
Minha mente foi rugindo de volta para o Demônio de Olhos Azuis e o Chef. Na verdade, eu não tinha realmente me envolvido com ele, então não podia implicá-lo em qualquer crime, pelo menos não diretamente. Com o Chef, no entanto, era uma história diferente. Nós dois tínhamos preparado mil esquemas juntos, tantos que era demais para contar. Ironicamente, eu havia decidido excluí-lo de minhas atividades suíças, com medo, na época, de que seu relacionamento com o Demônio de Olhos Azuis pudesse trazer algum problema para mim.
Infelizmente, quatro anos mais tarde – o que quer dizer, há algumas horas, o Canalha e TOC tinham concluído que essa exclusão era uma coisa difícil de engolir. Ela não fazia sentido, o Canalha tinha argumentado.
– Por que você manteve o Chef fora disso? – perguntou ele, cético. – Você incluiu seu contador em tudo o mais e o deixou fora desse esquema? Isso não bate, a menos, é claro, que você o tenha incluído e esteja apenas tentando protegê-lo!
Com isso, o Canalha tinha retirado uma pilha de registros antigos relativos a uma viagem que eu tinha feito para a Suíça no verão de 1995, e, não por coincidência, à qual o Chef tinha me acompanhado. Ainda mais incriminador foi o fato de que, depois de termos partido da Suíça, em vez de voarmos de volta para os Estados Unidos tínhamos feito uma breve parada atrás da antiga Cortina de Ferro, na Tchecoslováquia. De acordo com registros do Canalha, ficamos lá por menos de 18 horas, literalmente voando para dentro e para fora. Alguma coisa nisso não cheirava bem ao Canalha; afinal, por que razão nós faríamos isso, exceto se fosse para deixar dinheiro, abrir uma conta secreta ou preparar um esquema? Qualquer que fosse o esquema, o Canalha sabia que eu estava escondendo alguma coisa, e queria saber o que era.
Enquanto isso, eu só podia coçar a cabeça. O Canalha estava tão por fora que suas conclusões eram incompreensíveis. Bem, como não tinha nenhuma outra escolha, relatei a excursão em detalhes, começando pela Suíça e explicando que meu único propósito de ir para lá tinha sido fazer um controle de danos. Eu estava tentando descansar da mais recente série de desastres horríveis, a soma dos quais tinha me feito pousar na sala em que eu estava sentado. Esse desastre específico tinha a ver com a morte prematura da encantadora tia da Duquesa, Patricia, a qual, sem o conhecimento de minha esposa, eu tinha recrutado para ser o coração do meu esquema de lavagem de dinheiro.
Eu tinha convencido a tia favorita de minha esposa, uma professora britânica aposentada de 65 anos de idade que nunca tinha desobedecido a uma única lei em toda a sua vida, a desobedecer mais de mil delas em um único movimento, agindo como meu preposto suíço. No momento em que ela concordou, comecei escondendo milhões de dólares em contas numeradas ligadas a seu nome. Então, sem aviso, ela morreu de derrame, levando esses milhões para o limbo.
No começo, pensei que sua morte me causaria grandes problemas, o mais óbvio dos quais seria que meu dinheiro ficaria amarrado no submundo do sistema bancário suíço para toda a eternidade. Mas eu estava errado, porque os suíços eram peritos em tais assuntos. Para eles, a morte de um preposto nomeado era algo muito positivo, uma coisa para a qual se devia abrir uma garrafa de champanhe. Afinal, o melhor preposto é o preposto morto, pelo menos foi isso que disse meu curador suíço, Roland Franks1, um afável gorducho com um apetite voraz por doces e um dom espiritual para a criação de documentos falsos, que apoiariam uma noção de negação plausível. Quando perguntei a meu Mestre Falsificador o porquê daquela afirmação, ele encolheu os ombros gordos e disse: