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O Poderoso Chefão [em Portugues]

Электронная книга - «O Poderoso Chefão [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Numa reconstrução do mundo dos mafiosos, que imortalizou o personagem Don Corleone, Mario Puzo leva o leitor ao próprio coração da Máfia, revelando toda a violência, chantagem, terror e degradação que a caracterizam. Don Corleone é um dos cabeças da Máfia nova-iorquina, pessoa benevolente que obedece a um critério de justiça muito pessoal. Ele pode ser um amigo prógigo, mas se torna implacável na eliminação de obstáculos que contrariem seus objetivos. Movimentando personagens num mundo de violência, negócios, ódio e sexo, Mario Puzo consagrou-se com este livro que foi levado ao cinema com o mesmo sucesso, com Don Corleone interpretado por Marlon Brando.
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Quando o telefone tocou novamente, Hagen voltou a pôr todos os papéis na cesta. O diabo que agüentasse aquilo. Ele ia embora. Não lhe ocorreu, contudo, recusar a atender o telefonema. Quando a sua secretária lhe comunicou que era Michael Corleone, ele pegou o telefone com prazer. Sempre gostara de Mike.

— Tom — falou Michael Corleone — vou descer para a cidade com Kay amanhã. Há algo importante que quero comunicar ao velho antes do Natal. Será que ele estará em casa amanhã de noite?

— Certamente — respondeu Hagen. — Ele não vai sair da cidade até depois do Natal. Posso fazer algo por você?

Michael era tão reservado quanto o pai.

— Não — respondeu ele. — Penso que o verei no Natal, todo mundo estará fora, em Long Beach, certo?

— Certo — respondeu Hagen.

Achou graça quando Mike desligou o telefone sem mais nem menos.

Hagen ordenou a sua secretária que ligasse para a mulher e dissesse que iria para casa um pouco mais tarde, mas que lhe preparasse alguma ceia. Saindo do edifício, passou a caminhar rapidamente para o centro da cidade em direção ao Macy’s. Alguém interceptou-lhe o passo. Para.surpresa sua, viu que era Sollozzo.

Sollozzo tomou.o pelo braço e disse calmamente:

— Não se assuste, quero apenas falar com você.

Um carro estacionado no meio-fio, subitamente, teve a sua porta aberta. Sollozzo falou com insistência:

— Entre, quero falar com você.

Hagen puxou o braço livrando-se de Sollozzo. Não estava sobressaltado, apenas irritado.

— Não tenho tempo — retrucou.

Nesse momento, dois homens vieram por trás dele. Hagen sentiu uma fraqueza súbita nas pernas. Sollozzo disse brandamente:

— Entre no carro. Se eu quisesse matá-lo, você estaria morto agora. Confie em mim.

Sem qualquer sombra de confiança, Hagen embarcou no veículo.

Michael Corleone mentira para Hagen. Ele já estava em Nova York, e telefonara de um quarto do Hotel Pensilvânia a menos de dez quarteirões de distância. Quando ele desligou, Kay Adams jogou fora o seu cigarro e disse:

— Mike, que mentiroso você é.

Michael sentou.se ao lado dela na cama.

— Tudo por você, querida; se eu dissesse à minha família que nós estávamos na cidade teríamos de ir diretamente para lá. Então, não poderíamos sair para jantar, não poderíamos ir ao teatro e não poderíamos dormir juntos esta noite. Não na casa do meu pai, enquanto não somos casados.

Ele passou os braços em volta da moça e a beijou delicadamente nos lábios. A sua boca era doce, e ele delicadamente fê-la deitar-se na cama. Kay fechou os olhos, esperando que Michael lhe fizesse amor, e ele sentiu uma felicidade enorme. Passara os anos da guerra lutando no Pacífico, e naquelas ilhas malditas havia sonhado com uma garota como Kay Adams. Com uma beleza igual à dela. Um corpo frágil e bonito, branco como leite e eletrizado pela paixão. Ela abriu os olhos e depois puxou a cabeça dele para beijá-la. Amaram-se até chegar a hora do jantar e de ir para o teatro.

Depois do jantar, passaram pelos grandes magazines profusamente iluminados, cheios de fregueses que faziam as suas compras, e Michael perguntou:

— Que é que vou comprar para você como presente de Natal?

Ela achegou-se bem a ele.

— Quero apenas você — respondeu. — Você acha que o seu pai vai concordar que se case comigo?

Michael retrucou delicadamente:

— A questão não é realmente essa. Será que os seus pais vão concordar que você case comigo?

Kay deu de ombros.

— Não me importo com isso — respondeu.

— Até pensei em mudar o nome, legalmente — disse Michael — mas se algo acontecesse, isso realmente não adiantaria nada. Você tem certeza de que quer entrar para a família Corleone? — perguntou meio brincalhão.

— Sim — respondeu ela séria.

Eles se apertaram mutuamente. Haviam resolvido casar-se durante a semana do Natal, uma cerimônia civil tranqüila na pretoria com apenas dois amigos como testemunhas. Mas Michael insistira em que devia comunicar ao pai. Explicara que o velho não se oporia de maneira alguma desde que a coisa não fosse feita em segredo. Kay tinha suas dúvidas. Dissera que só poderia comunicar a seus pais depois do casamento.

— Certamente eles pensarão que estou grávida — disse ela.

Michael sorriu mostrando os dentes.

— Meus pais pensarão a mesma coisa — acrescentou ele.

O que nenhum deles mencionou foi o fato de que Michael teria de cortar seus laços íntimos com a família. Ambos compreendiam que Michael já havia feito isso até certo ponto e se sentiam culpados com respeito a esse fato. Planejavam terminar o curso, vendo-se um ao outro nos fins de semana e vivendo juntos durante as férias de verão. Isso lhes parecia uma vida feliz

A peça a que assistiam era um musical chamado Carousel, cuja história sentimental de um ladrão farofeiro os fez rir alegremente. Quando saíram do teatro, fazia frio. Kay aconchegou-se a ele e disse:

— Depois que a gente se casar, você vai bater-me e depois roubar uma estrela para me dar de presente?

Michael deu uma gargalhada.

— Vou ser professor de Matemática — declarou. — Em seguida, perguntou: — Você quer alguma coisa para comer antes de irmos para o hotel?

Kay balançou a cabeça. Olhou para ele expressivamente. Michael, como sempre, estava excitado pela ânsia dela de fazer amor. Riu para ela, e os dois se beijaram na rua fria. Michael sentia fome e resolveu pedir que mandassem sanduíches para o quarto.

No saguão do hotel, Michael empurrou Kay para a banca de jornais,  dizendo:

— Apanhe os jornais, enquanto pego a chave.

Ele teve de esperar numa pequena fila; o hotel estava ainda com falta de empregados, apesar de já ter terminado a guerra. Michael apanhou a chave do quarto e procurou Kay em volta, com os olhos, impacientemente. Ela estava a lado da banca, com os olhos fixos no jornal que segurava na mão. Ele se encaminhou na direção dela. Kay olhou para ele, com os olhos cheios de água.

— Oh, Mike! — exclamou ela. — Oh, Mike!

Michael tirou o jornal das mãos dela. A primeira coisa que viu foi uma fotografia do pai caído na rua, com a cabeça numa poça de sangue. Um homem estava sentado no meio-fio chorando como uma criança. Era seu irmão Freddie. Michael Corleone sentiu o corpo ficar gelado. Não havia pesar, nem medo, apenas raiva fria. Ele disse para Kay:

— Suba para o quarto.

Mas teve de tomá-la pelo braço e conduzi-la para o elevador. Subiram em silêncio. Ao chegarem ao quarto, Michael sentou-se na cama e abriu o jornal. As manchetes diziam:

VITO CORLEONE BALEADO.

SUPOSTO CHEFE DE EXTORSIONÁRIOS

GRAVEMENTE FERIDO.

OPERADO SOB FORTE PROTEÇÃO POLICIAL.

TEME-SE SANGRENTA GUERRA DE QUADRILHAS.

Michael sentiu fraqueza nas pernas. Disse para Kay:

— Ele não está morto, os canalhas não o mataram.

Leu a notícia novamente. Seu pai tinha sido baleado às cinco horas da tarde. Isso significava que, enquanto ele estava fazendo amor com Kay, jantando, deleitando-se no teatro, o seu pai estava à morte. Michael começou a sentir-se pesarosamente culpado.

— Vamos ao hospital agora? — perguntou Kay.

Michael balançou a cabeça.

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