A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Até pode já estar morto – acrescentou Sor Axell.
Stannis olhou-os com um ar aborrecido.
– São corvos treinados, para crocitarem comigo um de cada vez? Basta.
– Esposo, escute-me... – rogou a rainha.
– Por quê? Dois é diferente de três. Os reis sabem contar tão bem quanto os contrabandistas. Podem ir. – Stannis virou as costas a eles.
Melisandre ajudou a rainha a se levantar. Selyse saiu do aposento, hirta, com a mulher vermelha atrás. Sor Axell deixou-se ficar tempo suficiente para lançar a Davos um último olhar. Um olhar feio num rosto feio, pensou o contrabandista ao encará-lo.
Depois de os outros saírem, Davos pigarreou. O rei ergueu os olhos.
– Ainda está aqui?
– Senhor, a propósito de Edric Storm...
Stannis fez um gesto brusco.
– Poupe-me.
Davos persistiu.
– A sua filha tem aulas com ele e brinca todos os dias em sua companhia no Jardim de Aegon.
– Eu sei disso.
– O coração dela iria se quebrar se algo de mal...
– Também sei disso.
– Se ao menos o visse...
– Já o vi. Parece-se com Robert. Sim, e venera o pai. Deverei falar-lhe da frequência com que o seu querido pai lhe dirigia um pensamento? Meu irmão gostava bastante do fabrico de crianças, mas depois do nascimento eram um aborrecimento.
– Ele pergunta pelo senhor todos os dias, ele...
– Está me irritando, Davos. Não quero ouvir falar mais desse bastardo.
– O nome dele é Edric Storm, senhor.
– Eu sei o nome dele. Terá alguma vez existido um nome mais adequado? Proclama a sua bastardia, o seu elevado nascimento, e o tumulto que traz consigo. Edric Storm. Aí está, eu disse. Está satisfeito, senhor Mão?
– Edric... – começou.
– ... é um garoto! Poderia ser o melhor garoto que alguma vez respirou, que não teria importância. Meu dever é para com o reino. – A mão varreu a Mesa Pintada. – Quantos garotos vivem em Westeros? Quantas garotas? Quantos homens, quantas mulheres? A escuridão vai devorá-los todos, diz ela. A noite que não tem fim. Fala de profecias... um herói renascido no mar, dragões vivos chocados a partir de pedra morta... fala de sinais e jura que apontam para mim. Nunca pedi isso, assim como não pedi ser rei. Mas vou me atrever a não lhe dar ouvidos? – rangeu os dentes. – Não escolhemos o nosso destino. Mas temos... temos de cumprir o nosso dever, não é? Grande ou pequeno, temos de cumprir o nosso dever. Melisandre jura que me viu em suas chamas, enfrentando a escuridão com a Luminífera erguida bem alto. Luminífera! – Stannis soltou uma fungadela derrisória. – Cintila lindamente, admito, mas na Água Negra essa espada mágica não me serviu melhor do que qualquer aço banal. Um dragão teria virado essa batalha. Aegon esteve um dia onde estou agora, olhando para esta mesa. Pensa que lhe chamaríamos hoje Aegon, o Conquistador, se não tivesse tido dragões?
– Vossa Graça – disse Davos –, o preço...
– Eu conheço o preço! Na noite passada, olhando para aquela lareira, também vi coisas nas chamas. Vi um rei, com uma coroa de fogo na testa, ardendo... ardendo, Davos. Sua própria coroa consumiu sua carne e transformou-o em cinzas. Acha que preciso que Melisandre me diga o que isso significa? Ou você? – o rei mudou de posição e sua sombra caiu sobre Porto Real. – Se Joffrey morrer... o que é a vida de um garoto bastardo perante um reino?
– Tudo – disse Davos em voz baixa.
Stannis olhou-o, com as mandíbulas cerradas.
– Vá – disse o rei por fim – antes que consiga se levar de volta à masmorra.
Às vezes os ventos de tempestade sopram com tanta força que um homem não tem alternativa exceto guardar as velas.
– Sim, Vossa Graça. – Davos fez uma reverência, mas, aparentemente, Stannis já o tinha esquecido.
Quando saiu do Tambor de Pedra, fazia frio no pátio. Um vento fresco soprava do leste, fazendo os estandartes baterem ruidosamente ao longo das muralhas. Davos sentia o cheiro do sal no ar. O mar. Adorava aquele cheiro. Fazia-o desejar caminhar de novo por um convés, içar a sua vela e velejar para o sul, para ir até Marya e seus dois filhos pequenos. Agora pensava neles quase todos os dias e ainda mais durante a noite. Parte de si nada desejava mais ardentemente do que pegar Devan e ir para casa. Não posso. Ainda não. Agora sou um senhor e Mão do Rei, não posso falhar com ele.
Ergueu os olhos e fitou as muralhas. Em vez de merlões, um milhar de ornamentos grotescos e de gárgulas olhavam-no lá de cima, cada uma diferente de todas as outras; serpes, grifos, demônios, mantícoras, minotauros, basiliscos, mastins do inferno, cocatrizes, e um milhar de criaturas mais estranhas que brotavam das ameias do castelo como se tivessem nascido ali. E havia dragões por todos os lados. O Grande Salão era um dragão deitado sobre a barriga. Entrava-se por sua boca aberta. As cozinhas eram um dragão enrolado numa bola, com a fumaça e o vapor dos fornos saindo através de suas narinas. As torres eram dragões empoleirados nas muralhas, ou prontos para levantar voo; o Dragão de Vento parecia gritar em desafio, ao passo que a Torre do Dragão Marinho olhava serenamente por sobre as águas. Dragões menores enquadravam os portões. Garras de dragão emergiam das paredes para agarrar archotes, grandes asas de pedra abraçavam o ferreiro e o arsenal, e caudas formavam arcos, pontes e escadas exteriores.
Davos ouvia dizer com frequência que os feiticeiros de Valíria não cortavam e burilavam como os pedreiros vulgares, mas trabalhavam a pedra com fogo e magia como um oleiro trabalharia o barro. Mas agora duvidava. E se fossem dragões verdadeiros, de algum modo transformados em pedra?
– Se a mulher vermelha os trouxer à vida, o castelo ruirá, imagino. Que espécie de dragão está cheia de quartos, escadas e mobília? E de janelas. E de chaminés. E de fossas.
Davos virou-se para deparar com Salladhor Saan ao seu lado.
– Isso significa que perdoou a minha traição, Salla?
O velho pirata brandiu um dedo em sua direção.
– Perdoei, sim. Esqueci, não. Todo aquele bom ouro na Ilha da Garra que podia ter sido meu, fico velho e cansado só de pensar nele. Quando morrer empobrecido, minhas esposas e concubinas vão amaldiçoá-lo, Senhor das Cebolas. Lorde Celtigar tinha muitos belos vinhos que não estou saboreando, uma águia do mar que treinara para levantar voo de seu pulso e um berrante mágico para fazer sair lulas gigantes das profundezas. Muito útil seria esse berrante, para puxar para baixo os tyroshi e outras criaturas incômodas. Mas posso soprar esse berrante? Não, porque o rei fez de meu velho amigo sua Mão. – Deu o braço a Davos e disse: – Os homens da rainha não simpatizam com você, velho amigo. Estou ouvindo dizer que uma certa Mão tem andado fazendo seus próprios amigos. Isso é verdade, não?
Ouve coisas demais, velho pirata. É bom que um contrabandista conheça tão bem os homens como as marés, caso contrário não sobreviverá muito tempo contrabandeando. Os homens da rainha podiam continuar sendo fervorosos seguidores do Senhor da Luz, mas o povo de Pedra do Dragão estava voltando aos deuses que tinha conhecido a vida inteira. Diziam que Stannis estava enfeitiçado, que Melisandre o afastara dos Sete para se curvar perante um demônio qualquer feito de sombras, e que... o pior de todos os pecados... ela e seu deus lhe tinham falhado. E havia cavaleiros e fidalgos que tinham os mesmos sentimentos. Davos tinha ido atrás deles, escolhendo-os com o mesmo cuidado como antes escolhia as suas tripulações. Sor Gerald Gower tinha lutado intrepidamente na Água Negra, mas depois foi ouvido dizendo que R’hllor devia ser um deus fraco, se permitia que seus seguidores fossem escorraçados por um anão e um morto. Sor Andrew Estermont era primo do rei e tinha servido como seu escudeiro anos antes. O Bastardo de Nocticantiga comandou a retaguarda que permitiu que Stannis chegasse à segurança das galés de Salladhor Saan, mas adorava o Guerreiro com uma fé tão feroz quanto ele mesmo. Homens do rei, não homens da rainha. Mas não seria boa ideia gabar-se deles.