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O Poderoso Chefão [em Portugues]

Электронная книга - «O Poderoso Chefão [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Numa reconstrução do mundo dos mafiosos, que imortalizou o personagem Don Corleone, Mario Puzo leva o leitor ao próprio coração da Máfia, revelando toda a violência, chantagem, terror e degradação que a caracterizam. Don Corleone é um dos cabeças da Máfia nova-iorquina, pessoa benevolente que obedece a um critério de justiça muito pessoal. Ele pode ser um amigo prógigo, mas se torna implacável na eliminação de obstáculos que contrariem seus objetivos. Movimentando personagens num mundo de violência, negócios, ódio e sexo, Mario Puzo consagrou-se com este livro que foi levado ao cinema com o mesmo sucesso, com Don Corleone interpretado por Marlon Brando.
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A palavra “argumentar” parecia muito melhor em italiano, rajunah, retrucar. A arte disso consistia em ignorar todos os insultos, todas as ameaças; apresentar a outra face. Hagen vira Don Corleone sentar-se a uma mesa de negociações durante oito horas, engolindo insultos, procurando convencer um homem forte, famoso e megalomaníaco a corrigir-se. No fim das oito horas, Don Corleone jogara as mãos num gesto desanimado e dissera para outros homens presentes: “Ninguém pode argumentar com esse sujeito”, e retirou-se altivamente da sala de reunião.

O homem forte tornou-se pálido de medo. Emissários foram enviados para trazer Don Corleone de volta à sala. Chegou-se a um acordo, mas dois meses depois o homem forte foi assassinado a tiros na barbearia que freqüentava.

Assim Hagen começou novamente, falando com a voz mais natural.

— Olhe o meu cartão — frisou ele. — Eu sou advogado. Cometi algum erro? Pronunciei alguma palavra de ameaça? Permita-me dizer que estou preparado para atender a qualquer condição que o senhor mencionar para que Johnny Fontane trabalhe nesse filme. Penso que já ofereci bastante por tão pequeno favor. Um favor que acho que é do seu próprio interesse conceder. Johnny me disse que o senhor admite que ele se sairia bem nesse papel. E permita-me acrescentar que esse favor jamais seria solicitado se isso não acontecesse. De fato, se o senhor está preocupado com o seu investimento, meu cliente poderia financiar o filme. Mas, por favor, deixe-me tornar bastante claro. Compreendemos que o seu não é não. Ninguém pode ou está procurando forçá-lo. Sabemos de sua amizade com o Sr. Hoover, posso acrescentar, e meu chefe o respeita por isso. Ele respeita imensamente essa relação de amizade.

Woltz estava rabiscando com uma pena enorme, de penacho vermelho. Ao ouvir falar em dinheiro, o seu interesse logo despertou, e ele parou de rabiscar.

— Este filme está orçado em cinco milhões — disse condescendentemente.

Hagen assoviou baixinho para mostrar que estava impressionado. Depois disse de modo bastante casuaclass="underline"

— Meu chefe tem alguns amigos que confiam em seu discernimento.

Pela primeira vez, Woltz parecia levar a coisa toda a sério. Analisou o cartão de Hagen.

— Nunca ouvi falar no senhor — disse ele — Conheço a maior parte dos grandes advogados de Nova York, mas quem diabo é o senhor?

— Trabalho para uma dessas honradas empresas — respondeu Hagen secamente. — Administro a conta dela. — Em seguida, se levantou dizendo: — Não vou tomar-lhe mais tempo. — Estendeu a mão, e Woltz apertou-a. Deu alguns passos em direção à porta e virou-se novamente para Woltz. — Compreendo que o senhor tem de lidar com uma porção de gente que finge ser mais importante do que realmente é. Em meu caso, acontece o contrário. Por que o senhor não procura investigar quem sou eu com nosso amigo comum? Se o senhor reconsiderar a questão, telefone-me para o hotel. — Fez uma pausa e prosseguiu: — Isso pode ser um sacrilégio para o senhor, mas meu cliente faz coisa que até o Sr. Hoover pode achar que está fora do seu alcance.

Hagen viu os olhos do produtor cinematográfico se contraírem. Woltz finalmente recebera o recado.

— A propósito, admiro muito os seus filmes — disse Hagen com a voz mais servil que podia emitir. — Espero que o senhor continue a executar tão bom trabalho. O nosso país precisa dele.

Mais tarde, naquele mesmo dia, Hagen recebeu um telefonema da secretária do produtor de que um carro o apanharia dentro de uma hora para levá-lo à casa de campo do Sr. Woltz para jantar. Ela informou que seria viagem de cerca de três horas, mas que o carro estava equipado com um bar e alguns hors d’oeuvres. Hagen sabia que Woltz fizera a viagem em seu avião particular e ignorava por que não havia sido convidado. A voz da secretária acrescentou delicadamente:

— O Sr. Woltz sugeriu que o senhor levasse a sua bagagem que ele o faria conduzir ao aeroporto pela manhã.

— Eu farei isso — respondeu Hagen Isso era outra coisa que dava o que pensar. Como Woltz sabia que tomaria o avião da manhã de volta a Nova York? Refletiu por um momento. A explicação mais provável era que Woltz tinha posto detetives particulares no seu encalço para obter todas as informações possíveis. Então Woltz certamente sabia que ele representava Don Corleone, o que queria dizer que ele sabia algo sobre Don Corleone, o que por sua vez significava que estava pronto levar a sério toda a questão. Algo devia ser feito, afinal de contas, pensou Hagen. E talvez Woltz fosse mesmo mais esperto do que lhe parecera naquela manhã.

A casa de campo de Jack Woltz se assemelhava a um fantástico cenário cinematográfico. Havia uma mansão típica de fazenda, imensos passeios ajardinados, rodeados por uma pista de terra escura para andar a cavalo, cocheiras e pasto para abrigar uma cavalhada. As sebes, os canteiros e os gramados eram então cuidadosamente tratados como as unhas de uma estrela de cinema.

Woltz recebeu Hagen numa varanda com paredes de vidro e ar.coridicionado. O produtor estava informalmente vestido com uma camisa de seda azul de colarinho aberto, slacks cor de mostarda, sandálias de couro macio. Enquadrado em todo esse conjunto luxuoso e colorido, o seu rosto costurado e duro tinha um ar assustador. Ele ofereceu a Hagen um cálice de martíni avantajado e serviu-se de outro que estava preparado na bandeja. Parecia mais amável do que horas antes. Pôs o braço no ombro de Hagen e disse:

— Temos um pouco de tempo antes do jantar, vamos dar uma olhada nos meus cavalos.

Enquanto caminhavam em direção às cocheiras, falou:

— Mandei investigá-lo, Tom; você devia dizer-me que o seu chefe é Corleone. Pensei que você fosse simplesmente algum chantagista de terceira classe que Johnny houvesse mandado para blefar-me. E eu não blefo. Não que eu queira inimigos, jamais acreditei nisso. Mas vamo-nos divertir agora. Podemos falar de negócios depois do jantar.

Surpreendentemente, Woltz demonstrou ser um anfitrião verdadeiramente atencioso Explicou seus novos métodos, inovações que ele esperava que tornariam a sua coudelaria a melhor da América. As cocheiras todas eram à prova de incêndio, saneadas ao máximo e guardadas por uma equipe especial de segurança de detetives particulares. Finalmente, Woltz conduziu-o a uma cocheira que tinha uma enorme placa de bronze afixada na parede externa, na qual estava escrito o nome KHARTOUM.

O cavalo que se achava dentro da cocheira, mesmo aos olhos inexperientes de Hagen, era um magnífico animal. O pêlo de Khartoum era negro, com exceção de uma mancha branca em forma de diamante em sua enorme fronte. Os grandes olhos castanhos cintilavam como maças douradas, o pêlo luzidio sobre o corpo musculoso parecia seda. Woltz disse com orgulho infanticlass="underline"

— O maior cavalo de corrida do mundo. Eu o comprei na Inglaterra, no ano passado, por seiscentos mil dólares. Aposto que nem mesmo os czares russos jamais pagaram tanto dinheiro por um único cavalo. Mas não vou pô-lo para correr, vou destiná-lo à reprodução. Farei construir a maior coudelaria que este país já teve.

Acariciou a crina do cavalo e pronunciou suavemente:

— Khartoum, Khartoum.

Havia realmente afeto em sua voz, e o animal correspondeu. Woltz continuou a falar:

— Sou um bom cavaleiro, você sabe, e a primeira vez que montei já tinha cinqüenta anos de idade. — Deu uma gargalhada. — Talvez uma de minhas avós na Rússia tenha sido raptada por um cossaco e eu tenho o sangue dele.

Coçou a barriga de Khartoum e disse com sincera admiração:

— Olhe a vara dele. Eu devia ter uma vara assim.

Voltaram para a mansão, a fim de jantar, o qual foi servido por três garçons sob a direção de um mordomo. Os talheres e a baixela eram de prata com filetes de ouro, mas Hagen achou a comida medíocre. Woltz obviamente vivia sozinho, e também obviamente não era homem que desse importância à comida. Hagen esperou até que ambos tivessem acendido enormes Havanas para perguntar a Woltz:

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