A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Nunca o tive nos braços, a não ser quando morreu – disse Brienne em voz baixa enquanto caminhavam por entre o crescente caos. A voz soava como se fosse se quebrar a qualquer instante. – Num momento estava rindo, e de repente havia sangue por todo lado… Senhora, não compreendo. Você viu, você…?
– Vi uma sombra. Pensei a princípio que fosse a sombra de Renly, mas era a do irmão.
– Lorde Stannis?
– Senti-o. Não faz sentido, sei disso.
Fazia sentido suficiente para Brienne.
– Vou matá-lo – declarou a moça alta e simples. – Com a espada do meu senhor, vou matá-lo. Juro. Juro. Juro.
Hal Mollen e o resto de sua escolta esperavam com os cavalos. Sor Wendel Manderly coçava-se para saber o que estava acontecendo.
– Senhora, o acampamento enlouqueceu – exclamou ao vê-las. – Lorde Renly, ele está… – parou de súbito, com os olhos fitos em Brienne e no sangue que a ensopava.
– Morto, mas não por nossas mãos.
– A batalha… – começou Hal Mollen.
– Não haverá batalha – Catelyn montou, e a escolta adotou uma formação ao seu redor, com Sor Wendel à esquerda e Sor Perwyn Frey à direita. – Brienne, trouxemos montarias suficientes para o dobro de nós. Escolha uma e venha conosco.
– Eu tenho meu próprio cavalo, senhora. E a minha armadura…
– Deixe-os. Temos de estar bem longe antes que pensem em nos procurar. Estávamos ambas com o rei quando ele foi morto. Isso não será esquecido – sem uma palavra, Brienne virou-se e fez o que lhe era pedido. – Vamos – ordenou Catelyn à escolta depois de todos terem montado. – Se alguém tentar nos parar, abatam-no.
À medida que os longos dedos da alvorada se abriam em leque pelos campos, a cor voltava ao mundo. Onde havia homens cinzentos, montados em cavalos cinzentos e armados com lanças de sombras, cintilavam agora as pontas de dez mil lanças numa frieza prateada, e na miríade de bandeiras agitando-se Catelyn viu o desabrochar do vermelho, rosa e laranja, a riqueza de azuis e marrons, a chama do dourado e do amarelo. Todo o poderio de Ponta Tempestade e Jardim de Cima, o poderio que tinha sido de Renly uma hora antes. Pertencem agora a Stannis, compreendeu, mesmo que eles próprios ainda não saibam disso. Para onde mais devem se voltar, se não para o último Baratheon? Stannis conquistou a todos com um único golpe maligno.
Eu sou o rei legítimo, declarara ele, com o maxilar cerrado, duro como ferro, e seu filho não é menos traidor do que meu irmão aqui. O seu dia também chegará.
Um arrepio percorreu sua espinha.
Jon
O monte projetava-se por cima do denso emaranhado de floresta, erguendo-se solitário, repentinamente deixando ver suas alturas varridas pelo vento de quilômetros ao redor. Os patrulheiros diziam que os selvagens o chamavam de Punho dos Primeiros Homens. Jon pensou que realmente se parecia com um punho, atravessando a terra e a floresta, com as vertentes nuas e marrons encimadas por pedras.
Cavalgou até o topo com Lorde Mormont e os oficiais, deixando Fantasma lá embaixo, entre as árvores. O lobo gigante tinha fugido três vezes enquanto subiam, regressando relutantemente em duas delas ao som do assobio de Jon. Na terceira, o Senhor Comandante perdeu a paciência e exclamou:
– Deixe-o ir, rapaz. Quero alcançar o cume antes do anoitecer. Procure o lobo mais tarde.
O caminho era íngreme e pedregoso, e o cume era coroado por um muro de pedras desprendidas dos rochedos, cuja altura chegava à altura do peito. O grupo foi forçado a dar uma grande volta para oeste até encontrar uma brecha suficientemente larga para que os cavalos passassem.
– Esta é uma boa posição, Thoren – proclamou o Velho Urso, quando enfim atingiram o topo. – Dificilmente encontraremos melhor. Faremos aqui o acampamento para esperar pelo Meia-Mão – o Senhor Comandante saltou da sela, desalojando o corvo do ombro. Queixando-se sonoramente, a ave levantou voo.
A vista do topo do monte era abrangente, mas o que atraiu os olhos de Jon foi o muro circular, as pedras cinzentas desgastadas, com suas manchas brancas de líquens e suas barbas de musgo verde. Dizia-se que o Punho tinha sido um forte anelar dos Primeiros Homens, na Idade da Alvorada.
– Um lugar velho e forte – disse Thoren Smallwood.
“Velho”, gritou o corvo de Mormont, batendo as asas em círculos ruidosos em volta da cabeça dos homens. “Velho, velho, velho.”
– Cale-se – rosnou Mormont para a ave. O Velho Urso era orgulhoso demais para admitir fraqueza, mas Jon não se deixava enganar. O esforço de acompanhar os homens mais novos estava custando caro.
– Esta elevação será fácil de defender se for necessário – notou Thoren enquanto levava o cavalo ao longo do anel de pedras, com o vento agitando seu manto forrado de zibelina.
– Sim, este lugar servirá – o Velho Urso ergueu uma mão para o vento, e o corvo aterrissou em seu antebraço, arranhando com as garras a cota de malha negra.
– E a água, senhor? – Jon quis saber.
– Atravessamos um riacho no sopé do monte.
– Uma longa subida para beber água – Jon observou –, e fora do anel de pedra.
Thoren rebateu:
– É preguiçoso demais para subir um monte, rapaz?
Lorde Mormont interveio:
– Não é provável que encontremos outro local tão forte como este. Vamos transportar água e nos assegurar de estarmos bem abastecidos.
Jon sabia que não devia discutir. E, assim, a ordem foi dada e os irmãos da Patrulha da Noite montaram o acampamento por trás do anel de pedra que os Primeiros Homens tinham construído. Tendas negras nasceram como cogumelos depois da chuva, e cobertores e camas de campanha cobriram o terreno nu. Intendentes amarraram os garranos em longas fileiras, e lhes deram água e alimento. Lenhadores levaram seus machados até as árvores, à luz da tarde que se escoava, a fim de colher madeira suficiente para a noite. Vinte construtores puseram-se a limpar a vegetação rasteira, cavar latrinas e desatar os feixes de estacas endurecidas pelo fogo que tinham trazido.
– Quero ver todas as aberturas do muro entrincheiradas e com estacas antes de a noite cair – ordenou o Velho Urso.
Depois de armar a tenda do Senhor Comandante e de cuidar dos cavalos, Jon Snow desceu o monte em busca de Fantasma. O lobo gigante veio de imediato, num silêncio total. Num momento, Jon caminhava a passos largos por entre as árvores, assobiando e gritando, sozinho no verde, com pinhas e folhas caídas sob os pés; no seguinte, o grande lobo gigante branco andava a seu lado, alvo como a neblina da manhã.
Mas, quando chegaram ao forte anelar, Fantasma voltou a se mostrar renitente. Avançou com cautela para farejar a abertura nas pedras e depois recuou, como se não tivesse gostado do cheiro que sentiu. Jon tentou agarrá-lo pelo cangote e arrastá-lo à força para dentro do anel, o que não era tarefa fácil; o lobo pesava tanto quanto ele, e era muito mais forte.
– Fantasma, qual é o seu problema? – o lobo não era de se mostrar tão perturbado. Por fim, Jon teve de desistir: – Faça como quiser. Vai, pode caçar – os olhos vermelhos ficaram observando-o enquanto abria caminho por entre as pedras cobertas de musgo.
Deviam estar em segurança ali. O monte tinha uma posição dominante, e as vertentes norte e oeste formavam precipícios e eram apenas um pouco mais suaves para leste. No entanto, à medida que o ocaso se aprofundava e a escuridão deslizava pelos espaços vazios entre as árvores, a sensação de mau agouro cresceu dentro de Jon. Esta é a floresta assombrada, disse a si mesmo. Talvez haja fantasmas aqui, o espírito dos Primeiros Homens. Um dia, este lugar lhes pertenceu.