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O Poderoso Chefão [em Portugues]

Электронная книга - «O Poderoso Chefão [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Numa reconstrução do mundo dos mafiosos, que imortalizou o personagem Don Corleone, Mario Puzo leva o leitor ao próprio coração da Máfia, revelando toda a violência, chantagem, terror e degradação que a caracterizam. Don Corleone é um dos cabeças da Máfia nova-iorquina, pessoa benevolente que obedece a um critério de justiça muito pessoal. Ele pode ser um amigo prógigo, mas se torna implacável na eliminação de obstáculos que contrariem seus objetivos. Movimentando personagens num mundo de violência, negócios, ódio e sexo, Mario Puzo consagrou-se com este livro que foi levado ao cinema com o mesmo sucesso, com Don Corleone interpretado por Marlon Brando.
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Ele a acompanhou com os olhos enquanto ela voltava para a sua cadeira e começou a tomar a sua bebida lentamente. Johnny não queria ver essa pequena artimanha novamente. Não estava disposto a isso naquela noite.

Demorou ainda uma hora para que Nino Valenti começasse a fraquejar. Ele primeiro se inclinou, cambaleou para trás e depois tombou da cadeira para mergulhar diretamente no assoalho. Mas o chefe da banca e o carteador-substituto ficaram alerta desde o primeiro movimento e o pegaram antes que ele atingisse o chão. Levantaram-no e conduziram-no através do reposteiro aberto que dava para o quarto de dormir do apartamento.

Johnny continuou a observar a garçonete que ajudava os outros homens a despir Nino e a enfiá-lo por baixo das cobertas. O chefe da banca contava as fichas de Nino e tomava nota no seu bloco de vales. Depois, guardou a mesa com as fichas do carteador. Então Johnny perguntou:

— Há quanto tempo isso vem acontecendo?

O chefe da banca deu de ombros.

— Esta noite foi mais cedo. A primeira vez chamamos o médico da casa e ele receitou algo para o Sr. Valenti e passou-lhe uma espécie de sermão. Depois Nino nos disse que não devíamos chamar o médico quando isso acontecesse, apenas pô-lo na cama e ele estaria bem na manhã seguinte. Assim, foi isso o que fizemos. Ele tem muita sorte, ganhou novamente esta noite, quase três mil dólares.

— Bem — retrucou Johnny Fontane — vamos chamar o médico da casa aqui esta noite, está bem? Chame-o na sala de jogo se for preciso.

Passaram-se quase 15 minutos para que Jules Segal chegasse ao apartamento. Johnny notou com irritação que o camarada não tinha a menor aparência de médico. Nessa noite usava uma camisa de pólo, azul, furadinha, com enfeite branco, e sapatos de camurça brancos, sem meias. Seu aspecto era engraçadíssimo, carregando a tradicional bolsa preta de médico.

— Você devia imaginar um meio de carregar o seu material numa bolsa de golfe de tamanho reduzido — disse Johnny.

Jules riu para Johnny sem compreender e respondeu:

— Ë, essa maleta médica é um verdadeiro trambolho. Assusta todo mundo. De qualquer forma, deviam pelo menos mudar a cor.

Dirigiu se ate onde Nino estava deitado na cama Quando abriu a bolsa, disse para Johnny:

— Obrigado por aquele cheque que você me enviou pelos meus serviços. Foi demais. Eu não merecia tanto.

— Que se dane se você não merecia — respondeu Johnny. — De qualquer modo, esqueça aquilo, já foi há muito tempo. Que é que há com Nino?

Jules estava fazendo um rápido exame da batida do coração, do pulso e da pressão sanguínea. Tirou uma agulha da bolsa e enfiou-a casualmente no braço de Nino e apertou o êmbolo. O rosto adormecido de Nino perdeu a palidez de cera, a cor voltou-lhe às faces, como se o sangue tivesse começado a bombear mais depressa.

— Diagnóstico muito simples — anunciou Jules animado. — Tive oportunidade de examiná-lo e fazer alguns testes, quando ele veio aqui a primeira vez e desmaiou. Fi-lo transferir para o hospital antes de voltar a si. Está com diabetes, estável, brando, adulto, que não é problema quando a pessoa toma cuidado, seguindo a medicação, a dieta e assim por diante. Ele insiste em não tomar conhecimento da doença. Além disso, está firmemente decidido a beber até morrer. O seu fígado está se arruinando e a sua cabeça vai no mesmo caminho. Agora mesmo ele se acha em estado de coma diabético brando. Meu conselho é que se deve interná-lo.

Johnny teve uma sensação de alívio. Não podia ser coisa muito séria, tudo o que Nino precisava fazer era cuidar de si mesmo.

— Você quer dizer num desses lugares em que fazem a pessoa deixar de beber completamente? — perguntou Johnny.

Jules foi até o bar no canto afastado da sala e serviu uma bebida para si mesmo.

— Não — respondeu ele. — Quero dizer recolhido. Você sabe, um hospício.

— Não seja engraçadinho — retrucou Johnny.

— Não estou brincando — afirmou Jules. — Não conheço profundamente esse negócio de psiquiatria, mas sei alguma coisa a respeito, é parte de minha profissão. O seu amigo Nino pode ser posto novamente em muito boa forma, a não ser que o seu fígado tenha piorado muito, o que não podemos saber enquanto não se fizer a sua autópsia. Mas a sua verdadeira doença é na cabeça. Em suma, ele não se importa de morrer, talvez até queira se matar. Enquanto não se curar isso, não há esperança para ele. Por isso é que digo, é preciso recolhê-lo a um hospital de doenças mentais para submetê-lo ao necessário tratamento psiquiátrico.

Bateram na porta, e Johnny foi atender. Era Lucy Mancini. Ela caiu nos braços de Johnny e beijou-o.

— Oh, Johnny, é tão bom ver você por aqui — disse ela.

— Já faz muito tempo que não nos vemos — declarou Johnny Fontane.

Ele notou que Lucy tinha mudado. Estava mais esbelta, suas roupas eram mais finas e ela as usava com mais elegância. O seu penteado assentava-lhe bem, era uma espécie de corte de cabelo de menino. Ela parecia mais jovem e melhor do que ele jamais a vira em toda a vida, e passou-lhe pela mente a idéia de que ela podia fazer-lhe companhia ali em Las Vegas. Seria um prazer ter a seu lado uma verdadeira mulher. Mas antes mesmo de concretizar o convite, Johnny se lembrou de que ela a garota do médico. Assim, isso estava fora de cogitação. Ele sorriu amável para ela e perguntou:

— Que é que faz vindo ao apartamento de Nino de noite, hem?

Lucy bateu-lhe no ombro.

— Ouvi dizer que Nino estava doente e que Jules tinha subido para cá. Eu queria apenas ver se podia ajudar. Nino está bem, não está?

— Certamente — respondeu Johnny. — Ele ficará logo bom.

— Ele está ruim como o diabo — disse Jules, esparramando-se no sofá. Sugiro que todos nós nos sentemos aqui para esperar que Nino volte a si. E então falaremos a ele da necessidade de interná-lo. Lucy, você gosta dele, talvez possa ajudar. Johnny, se você é de fato amigo dele, tem de ajudar também. Do contrário, o fígado do velho Nino estará dentro de pouco tempo em exposição no laboratório médico de alguma universidade.

Johnny sentiu-se ofendido com a atitude irreverente do médico. Quem diabo pensava ele que era? Ele ia começar a dizer isso quando ouviu a voz de Nino vindo da cama:

— Alô, companheiro velho, que tal um trago?

Nino estava sentado na cama. Sorriu para Lucy e disse:

— Alô, meu bem, venha cá abraçar o velho Nino.

Ele estava com os braços bem abertos. Lucy sentou-se na beirada da mina e deu-lhe um abraço. Bastante estranho era que Nino não parecia estar ruim agora, seu aspecto era quase normal.

Nino estalou os dedos.

— Vamos, Johnny, dê-me um trago. A noite ainda é uma criança. Onde diabo está a minha mesa de jogo?

Jules tomou um gole longo de seu próprio copo e falou para Nino:

— Você não pode beber. O seu médico lhe proíbe.

— Foda-se o meu médico! — urrou Nino.

Depois fez uma cara dramática de arrependimento.

— Alô, Julie, é você. Você é meu médico, está certo? Não me referi a você, companheiro velho. Johnny, traga-me uma bebida ou eu me levanto da cama e vou apanhá-la.

Johnny deu de ombros e caminhou na direção do bar.

Jules falou com indiferença.

— Estou dizendo que ele não deve beber.

Johnny sabia por que Jules o irritava. A voz do médico era sempre fria, as palavras nunca se acentuavam por mais terríveis que fossem, a voz era sempre baixa e controlada. Se ele dava um aviso, o aviso era apenas em palavras, a própria voz era neutra, como que descuidada. Foi isso que fez Johnny ficar bastante aborrecido e levar a Nino o copo de uísque. Antes de entregá-lo ao amigo, ele perguntou a Jules:

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