A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
Sor Cleos Frey partiu naquela mesma tarde, escoltado por Vylarr e cem guardas Lannister de manto vermelho. Os homens que Robb Stark enviara juntaram-se a eles no Portão do Rei, para a longa viagem rumo ao oeste.
Tyrion encontrou Timett na caserna, jogando dados com seus Homens Queimados.
– Venha ao meu aposento privado à meia-noite.
Timett lançou-lhe um olhar duro e zarolho, e um pequeno aceno com a cabeça. Não era homem de longos discursos.
Naquela noite, Tyrion banqueteou-se com os Corvos de Pedra e os Irmãos da Lua no Salão Pequeno, embora por uma vez tenha evitado o vinho. Queria se manter na posse de todas as suas faculdades.
– Shagga, em que lua estamos?
O franzir da testa de Shagga era uma coisa feroz.
– Negra, acho eu.
– No oeste, chamam de lua do traidor. Tente não se embebedar muito esta noite, e garanta que seu machado esteja afiado.
– O machado de um Corvo de Pedra está sempre afiado, e os machados de Shagga são os mais afiados de todos. Uma vez cortei a cabeça de um homem, mas ele só soube quando tentou escovar o cabelo. Porque, então, a cabeça caiu.
– É por isso que nunca escova o seu? – os Corvos de Pedra rugiram gargalhadas e bateram os pés, com Shagga fazendo mais barulho do que todos os outros.
À meia-noite, o castelo estava silencioso e escuro. Certamente alguns homens de manto dourado nas muralhas viram-no saindo da Torre da Mão, mas ninguém ergueu a voz. Ele era a Mão do Rei, e aonde ia era assunto seu.
A fina porta de madeira quebrou-se com um crac trovejante sob o salto da bota de Shagga. Pedaços voaram para dentro, e Tyrion ouviu um arquejo feminino de medo. Shagga desfez a porta com três poderosos golpes do seu machado e abriu caminho a chutes por entre as ruínas. Timett o seguiu, e depois entrou Tyrion, caminhando com cuidado por entre as lascas de madeira. A lareira tinha ardido até restarem apenas alguns carvões em brasa, e as sombras no quarto de dormir eram pesadas. Quando Timett arrancou as pesadas cortinas da cama, a criada nua sentou-se com grandes olhos brancos.
– Por favor, senhores – suplicou –, não me façam mal – afastou-se de Shagga, corada e temerosa, tentando cobrir seus encantos com as mãos, mas faltando-lhe uma.
– Vá – disse-lhe Tyrion. – Não é você que queremos.
– Shagga quer esta mulher.
– Shagga quer todas as putas desta cidade de putas – queixou-se Timett, filho de Timett.
– Sim – disse Shagga, impassível. – Shagga dava-lhe um filho forte.
– Se ela quiser um filho forte, saberá quem procurar – Tyrion interveio. – Timett, leve-a lá para fora… com gentileza, por favor.
O Homem Queimado puxou a moça da cama e quase a arrastou pelo aposento. Shagga ficou vendo-os partir, desolado como um cachorrinho. A moça tropeçou na porta estilhaçada, e saiu para o átrio, ajudada por um empurrão firme de Timett. Por cima de sua cabeça, os corvos crocitavam.
Tyrion arrancou o macio cobertor da cama, descobrindo o Grande Meistre Pycelle.
– Diga-me, a Cidadela aprova que se deite com as moças de servir, meistre?
O velho estava tão nu como a moça, embora fosse uma visão marcadamente menos atraente. Por uma vez, seus olhos de pálpebras pesadas estavam escancarados.
– Q-que significa isto? Sou um velho, seu servo leal…
Tyrion içou-se para cima da cama.
– Tão leal que enviou apenas uma de minhas cartas a Doran Martell. A outra entregou à minha irmã.
– N-não – Pycelle guinchou. – Não, é uma falsidade, juro, não fui eu. Varys, foi Varys, a Aranha, eu avisei…
– Será que todos os meistres mentem tão mal assim? Eu disse a Varys que ia dar ao Príncipe Doran meu sobrinho Tommen para criar. Disse a Mindinho que planejava casar Myrcella com Lorde Robert no Ninho da Águia. Não disse a ninguém que tinha oferecido Myrcella aos Dorne… Essa verdade encontrava-se apenas na carta que confiei ao senhor.
Pycelle agarrou-se a um canto do cobertor.
– As aves se perdem, as mensagens são roubadas ou vendidas… Foi Varys. Há coisas que poderia lhe dizer sobre esse eunuco que gelariam seu sangue…
– Minha senhora prefere meu sangue quente.
– Não se iluda, para cada segredo que o eunuco murmura ao seu ouvido, retém sete. E Mindinho, esse…
– Sei tudo sobre Lorde Petyr. É quase tão indigno de confiança quanto você. Shagga, corte seu membro viril e o dê às cabras.
Shagga levantou o enorme machado de lâmina dupla.
– Não há cabras, Meio Homem.
– Vire-se com o que houver.
Rugindo, Shagga saltou. Pycelle soltou um guincho e molhou a cama, fazendo a urina jorrar em todas as direções quando tentou se encolher e ficar fora de alcance. O selvagem o agarrou pela ponta da revolta barba branca e cortou três quartos dela com um único golpe de machado.
– Timett, acha que nosso amigo será mais cooperativo sem essa barba atrás da qual se esconde? – Tyrion usou um pedaço do lençol para limpar a urina das botas.
– Ele vai contar a verdade em breve – a escuridão enchia o poço vazio do olho queimado de Timett. – Consigo cheirar o fedor do seu medo.
Shagga atirou um punhado de cabelo nas esteiras, e agarrou a barba que restava.
– Fique quieto, meistre – Tyrion pediu. – Quando Shagga se irrita, suas mãos tremem.
– As mãos de Shagga nunca tremem – ecoou o enorme homem num tom indignado, empurrando a grande lâmina em forma de crescente contra o queixo trêmulo de Pycelle e cortando mais um emaranhado de pelos.
– Há quanto tempo espiona para minha irmã? – Tyrion perguntou.
A respiração de Pycelle era rápida e superficiaclass="underline"
– Tudo o que fiz foi pela Casa Lannister – uma película de suor cobria a larga cúpula da cabeça do velho, e madeixas de cabelo branco aderiam à sua pele enrugada. – Sempre… durante anos… o senhor seu pai, pergunte-lhe, fui sempre seu servo fiel… fui eu quem pediu a Aerys para abrir os portões…
Aquilo pegou Tyrion de surpresa. Não era mais do que um menino feio em Rochedo Casterly quando a cidade caiu.
– Então o Saque de Porto Real também foi obra sua?
– Pelo reino! Uma vez morto Rhaegar, a guerra estava terminada. Aerys era louco; Viserys, novo demais; Príncipe Aegon, um bebê de colo, mas o reino necessitava de um rei… Rezei para que fosse seu pai, mas Robert era forte demais, e Lorde Stark movimentou-se muito depressa…
– Pergunto a mim mesmo quantos já traiu. Aerys, Eddard Stark, eu… Rei Robert também? Lorde Arryn, Príncipe Rhaegar? Onde começa, Pycelle? – Tyrion sabia onde acabava.
O machado arranhou o pomo de adão de Pycelle e atingiu a suave pele trêmula sob o queixo, raspando os últimos pelos.
– Você… não estava aqui – o homem arquejou quando a lâmina subiu até suas bochechas. – Robert… os seus ferimentos… se os tivesse visto e cheirado, não teria nenhuma dúvida…
– Ah, eu sei que o javali fez o trabalho por você… mas se o animal tivesse deixado o trabalho meio feito, sem dúvida você o teria terminado.
– Ele era um rei deplorável… fútil, bêbado, libertino… Teria posto sua irmã de lado, sua própria rainha… Por favor… Renly estava conspirando para trazer a donzela de Jardim de Cima para a corte, para seduzir o irmão… É a verdade dos deuses…
– E o que conspirava Lorde Arryn?
– Ele sabia – Pycelle começou a responder. – Que… que…
– Eu sei o que ele sabia – Tyrion o interrompeu, sem muita vontade que Shagga e Timett também descobrissem.
– Ele ia enviar a esposa de volta para o Ninho da Águia, e o filho para ser criado em Pedra do Dragão… Pretendia agir…
– Portanto, envenenou-o primeiro.
– Não.
Pycelle debateu-se debilmente. Shagga rosnou e agarrou-o pela cabeça. A mão do homem dos clãs era tão grande que podia ter esmagado o crânio do meistre como uma casca de ovo. Tyrion deu um estalido com a língua.