A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– O pai sabe que se casou com aquele carpinteiro? – perguntou à irmã.
– Não mais do que Sigrin – ela encolheu os ombros. – Esgred foi o primeiro navio que ele construiu. Deu-lhe o nome da mãe. Dificilmente conseguiria dizer de qual das duas ele gosta mais.
– Cada palavra que me disse foi uma mentira.
– Cada palavra não. Lembra-se de quando lhe disse que gosto de ficar por cima? – Asha sorriu.
Isso só o irritou mais.
– Toda aquela conversa sobre ser uma mulher casada e recém-engravidada…
– Ah, essa parte é bem verdadeira – Asha pôs-se em pé de um salto. – Rolfe, aqui – gritou para um dos dançarinos dos dedos, erguendo uma mão. Ele a viu, rodopiou, e de repente um machado levantou voo da sua mão, com a lâmina cintilando enquanto rodopiava à luz dos archotes. Theon teve tempo apenas para se sobressaltar antes de Asha roubar o machado do ar e atirá-lo à mesa, quebrando seu tabuleiro ao meio e respingando o conteúdo sobre o manto dele. – Este é o senhor meu esposo – a irmã de Theon enfiou a mão no vestido e puxou um punhal de entre os seios. – E este é o meu querido bebê de peito.
Theon Greyjoy não conseguiria imaginar sua cara naquele momento, mas subitamente percebeu que o Grande Salão ressoava com gargalhadas, todas à sua custa. Até o pai sorria, malditos fossem os deuses, e tio Victarion ria em voz alta. A melhor resposta que conseguiu arranjar foi um esgar enjoado. Veremos quem vai rir quando tudo isso chegar ao fim, cachorra.
Asha arrancou o machado da mesa e voltou a atirá-lo aos dançarinos, por entre assobios e sonoros vivas.
– Faria bem em prestar atenção ao que lhe disse sobre a escolha de uma tripulação – um servo ofereceu-lhes uma bandeja; ela apunhalou um peixe salgado e o comeu diretamente da ponta da adaga. – Se tivesse se incomodado em aprender alguma coisa a respeito de Sigrin, nunca teria se enganado. Um lobo durante dez anos, e desembarca aqui pensando que reina sobre as ilhas, mas não conhece nada nem ninguém. Por que os homens iriam lutar e morrer por você?
– Sou seu legítimo príncipe – Theon respondeu rigidamente.
– Segundo as leis das terras verdes, pode ser que seja. Mas nós aqui fazemos nossas próprias leis, ou será que se esqueceu?
De cara fechada, Theon virou-se para contemplar o tabuleiro que derramava líquido à sua frente. Não tardava, poderia ter guisado caindo no seu colo. Gritou por um servo que limpasse tudo aquilo. Esperei poder voltar para casa durante metade da minha vida, e para quê? Troça e desprezo? Aquela não era a Pyke de que se lembrava. Mas lembraria mesmo? Era tão novo quando o levaram como refém.
O banquete foi uma coisa bastante pobre, uma sucessão de guisados de peixe, pão preto e cabra sem tempero. A coisa mais saborosa que Theon encontrou para comer foi uma torta de cebola. Cerveja e vinho continuaram a fluir bem depois do último dos pratos ter sido levado.
Lorde Balon Greyjoy levantou-se da Cadeira de Pedra do Mar:
– Terminem as suas bebidas e venham até meu aposento privado – ordenou aos que o acompanhavam no estrado. – Temos planos a traçar – deixou-os sem mais uma palavra, flanqueado por dois dos seus guardas. Os irmãos seguiram-no pouco depois. Theon levantou-se para ir atrás deles.
– Meu irmãozinho está com pressa de ir embora – Asha ergueu o corno e gesticulou por mais cerveja.
– O senhor nosso pai está esperando.
– E tem estado, há muitos anos. Não lhe fará mal nenhum esperar um pouco mais… Mas, se teme a sua ira, corra atrás dele, vá. Não deve ter problemas em alcançar nossos tios – ela sorriu. – Afinal, um deles está bêbado de água do mar, e o outro é um grande boi castrado cinza, tão obtuso que provavelmente se perderá.
Theon voltou a se sentar, aborrecido.
– Não corro atrás de homem nenhum.
– De homem nenhum, mas de todas as mulheres?
– Não fui eu quem agarrou o seu pau.
– Não tenho um, lembra? Mas foi bem rápido em agarrar todas as outras partes de mim.
Theon sentiu o sangue subindo ao rosto.
– Sou um homem com os apetites de um homem. Que tipo de criatura desnaturada é você?
– Apenas uma tímida donzela – a mão de Asha dardejou sob a mesa e deu um apertão no seu sexo. Theon quase saltou da cadeira. – O quê? Não quer que o conduza para o porto, irmão?
– O casamento não é para você – decidiu Theon. – Quando eu governar, acho que a mandarei para as irmãs silenciosas – ficou em pé e foi embora, um pouco desequilibrado, em busca do pai.
Chovia quando chegou à ponte oscilante que levava à Torre do Mar. Seu estômago estava agitado e batendo como as ondas lá embaixo, e o vinho tinha deixado seus pés pouco firmes. Theon rangeu os dentes e agarrou-se bem à corda ao longo da travessia, fazendo de conta que era o pescoço de Asha que estava apertando.
O aposento privado estava muito úmido e cheio de correntes de ar como sempre. Enterrado em seu roupão de pele de foca, seu pai encontrava-se sentado à frente do braseiro, ladeado pelos irmãos. Victarion falava de ventos e marés quando Theon entrou na sala, mas Lorde Balon fez-lhe sinal para que se calasse.
– Já fiz meus planos. É hora que os ouçam.
– Eu tenho algumas sugestões…
– Quando eu precisar do seu conselho, vou pedi-lo – respondeu seu pai. – Chegou-nos uma ave de Velha Wyk. Dagmer está a caminho com os Drumm e os Stonehouse. Se o deus nos der bons ventos, zarparemos quando eles chegarem… Você zarpará. Quero que dê o primeiro golpe, Theon. Levará oito dracares para norte…
– Oito? – seu rosto ficou vermelho. – O que posso esperar conseguir com apenas oito dracares?
– Deverá assolar a Costa Rochosa, saqueando as aldeias de pescadores e afundando qualquer navio que possa encontrar. Pode ser que faça com que alguns dos senhores do norte saiam das suas muralhas de pedra. Aeron vai acompanhá-lo, bem como Dagmer Boca Rachada.
– Que o Deus Afogado abençoe nossas espadas – o sacerdote se manifestou.
Theon sentiu-se como se lhe tivessem dado um tabefe. Estavam mandando que fizesse trabalho de salteador, queimando os casebres dos pescadores e estuprando suas feias filhas, e mesmo assim parecia que Lorde Balon não confiava nele o suficiente até para fazer isso. Já era ruim o bastante ter de aguentar as sobrancelhas franzidas e as reprimendas do Cabelo-Molhado. Com Dagmer Boca Rachada junto, seu comando seria puramente nominal.
– Asha, minha filha – prosseguiu Lorde Balon, e Theon virou-se para ver que a irmã tinha entrado em silêncio na sala. – Você leva trinta dracares com homens escolhidos para lá da Ponta do Dragão Marinho. Desembarque nas planícies de maré a norte de Bosque Profundo. Marche rapidamente, e o castelo pode cair antes mesmo que saibam que está atacando.
Asha sorriu como um gato diante do leite.
– Sempre quis um castelo – ela respondeu, com voz doce.
– Então tome um.
Theon teve de morder a língua. Bosque Profundo era a fortaleza dos Glover. Com Robett e Galbart guerreando no sul, estaria fracamente defendido, e uma vez tomado o castelo, os homens de ferro teriam uma base segura no coração do norte. Devia ser eu o enviado para tomar Bosque Profundo. Ele conhecia Bosque Profundo, tinha visitado os Glover várias vezes com Eddard Stark.
– Victarion – disse Lorde Balon ao irmão –, o ataque principal caberá a você. Quando meus filhos tiverem dado seus golpes, Winterfell terá de responder. Deverá encontrar pouca oposição enquanto subir a Lança de Sal e o Rio Febre. Na nascente estará a menos de vinte milhas de Fosso Cailin. O Gargalo é a chave do reino. Já dominamos os mares ocidentais. Uma vez que estivermos na posse de Fosso Cailin, o filhote não será capaz de reconquistar o Norte… E, se for suficientemente louco para tentar, seus inimigos selarão a extremidade sul do talude nas suas costas, e Robb, o Rapaz, se verá encurralado como uma ratazana numa garrafa.