Contato [pt]
- Автор: Саган Карл Эдуард
- Год: 1997
- Язык: португальский
- Переводчик: Fernando Pinto Rodrigues
- Жанр: Научная фантастика
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O livro conta a história de uma pesquisadora que utiliza radiotelescópios à procura de vestígios de vida inteligente fora da Terra. A trama avança quando um sinal é detectado. Com certeza a parte do livro que mais me intrigou foi as especulações sobre as conseqüências de sabermos que não estamos sozinhos. As regras da economia, religião e política internacional seriam seriamente modificadas na análise de Carl.
O livro nos faz pensar, e vale a pena a leitura.
Foi dilacerante. Ela não queria ir. Tentou fitar a fronde de palmeira. Tentou fazer mais perguntas.
— Que quer dizer com «ir para casa»? Quer dizer que vamos emergir algures no sistema solar? Como desceremos para a Terra?
— Verás — respondeu-lhe ele. — Será interessante.
Passou-lhe o braço pela cintura e conduziu-a na direção da porta aberta da câmara de vácuo.
Era como na hora de ir para a cama. Podia ser engraçada, podia fazer perguntas inteligentes, e talvez eles a deixassem ficar levantada até um bocadinho mais tarde. Costumava dar resultado, pelo menos um pouco.
— A Terra agora está ligada com isto cá em cima, não é verdade? Em ambos os sentidos. Se nós podemos voltar para casa, vocês podem descer até nós num ápice. Sabe, isso deixa-me tremendamente nervosa. Por que não se limitam a cortar a ligação? Comecemos por aí.
— Lamento, Presh — respondeu ele, como se ela já tivesse ultrapassado descaradamente a hora de se deitar: as oito horas. Lamentaria ele isso, ou o fato de não estarem preparados para desatarraxar o túnel? — Durante algum tempo, pelo menos, o caminho estará aberto apenas para trânsito de entrada. Mas não esperamos usá-lo.
Ela gostaria que a Terra estivesse isolada de Vega. Preferia uma margem de cinqüenta e dois anos entre comportamento inaceitável na Terra e a chegada de uma expedição punitiva. A ligação pelo buraco negro era inquietante. Eles podiam chegar quase instantaneamente, talvez apenas em Hokkaido, ou talvez em qualquer ponto da Terra. Era uma transição para aquilo a que Hadden chamara micro-intervenção. Fossem quais fossem as garantias que eles dessem, agora observar-nos-iam mais amiúde. Tinham-se acabado as espreitadelas para uma olhadela, a fim de ver como as coisas iam, com intervalos de alguns milhões de anos.
Aprofundou mais o seu mal-estar. Como as circunstâncias se tinham tornado… teológicas. Ali estavam seres que viviam no céu, seres enormemente sabedores e poderosos, seres preocupados com a nossa sobrevivência, seres com um conjunto de perspectivas quanto ao modo como deveríamos comportar-nos. Repudiavam semelhante papel, mas era evidente que podiam aplicar recompensa e castigo, vida e morte, aos insignificantes habitantes da Terra. Em que é isto diferente, perguntou-se, da antiga religião? A resposta acudiu-lhe imediatamente ao espírito: era uma questão de prova. Nas suas videotapes, nos dados que os outros tinham adquirido, haveria evidência real da existência da estação, do que lá se passava, do sistema de trânsito dos buracos negros. Haveria cinco histórias independentes e mutuamente corroborativas, apoiadas por provas físicas convincentes. Isto era um fato, não música de ouvido e mistificação.
Voltou-se para ele e deixou cair a fronde. Em silêncio, ele baixou-se e devolveu-lha.
— Foi muito generoso da sua parte responder a todas as minhas perguntas. Posso responder a algumas que queira fazer?
— Obrigado. Respondeste a todas as nossas perguntas a noite passada.
— Acabou-se? Nenhuns mandamentos? Nenhumas instruções para os provincianos?.
— As coisas não funcionam assim, Presh. Agora és crescida. Estás entregue a ti própria.
Ele inclinou a cabeça, envolveu-a naquele seu sorriso, e ela lançou-se-lhe nos braços, com os olhos de novo cheios de lágrimas. Foi um abraço demorado. Por fim sentiu-o a soltar-lhe carinhosamente os braços. Eram horas de ir para a cama. Pensou levantar o indicador e pedir-lhe ainda mais um minuto. Mas não quis decepcioná-lo.
— Adeus, Presh. Dá saudades à tua mãe.
— Cuide de si — respondeu em voz fraca.
Lançou um último olhar à praia do centro da Galáxia. Um casal de aves marinhas, talvez procelárias, estava suspenso numa coluna de ar em ascensão. Mantinham-se no ar quase sem um bater de asas. Mesmo à entrada da câmara de vácuo voltou-se e chamou-o.
— Que diz a vossa Mensagem? O um em pi?
— Não sabemos — respondeu ele, um pouco tristemente, e deu alguns passos na sua direção. — Talvez seja uma espécie de acidente estatístico. Ainda estamos a estudar o assunto.
A brisa tornou-se mais forte e despenteou-a de novo.
— Bem, dêem-nos uma apitadela quando descobrirem frisou.
CAPÍTULO XXI
Causalidade
Como moscas para rapazes traquinas somos nós para os deuses
Eles matam-nos por divertimento.