Contato [pt]
- Автор: Саган Карл Эдуард
- Год: 1997
- Язык: португальский
- Переводчик: Fernando Pinto Rodrigues
- Жанр: Научная фантастика
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O livro conta a história de uma pesquisadora que utiliza radiotelescópios à procura de vestígios de vida inteligente fora da Terra. A trama avança quando um sinal é detectado. Com certeza a parte do livro que mais me intrigou foi as especulações sobre as conseqüências de sabermos que não estamos sozinhos. As regras da economia, religião e política internacional seriam seriamente modificadas na análise de Carl.
O livro nos faz pensar, e vale a pena a leitura.
— Ou o contrário.
— Mas é isso que quer dizer, não é? Há uma espécie qualquer de ética e não interferência em planetas primitivos. Eles sabem que de vez em quando alguns dos primitivos poderiam utilizar o metropolitano…
— E eles estão muito seguros dos primitivos — disse Ellie, a continuar o pensamento —, mas não podem estar absolutamente seguros. Por isso, deixam-nos viajar apenas nos metropolitanos que vão para os lugarejos no meio do mato. Os construtores devem ser uma malta muito cautelosa. Mas, sendo assim, por que motivo nos mandaram um comboio suburbano, e não um expresso?
— Provavelmente é muito difícil construir um túnel expresso — opinou Xi, baseado em anos de experiência de escavações, e Ellie pensou no Túnel Honshu-Hokkaido, um dos orgulhos da engenharia civil da Terra, com os seus cinqüenta e um quilômetros de comprimento.
Algumas das curvas eram agora muito acentuadas. Ela lembrou-se do seu Thunderbird e depois receou agoniar-se. Decidiu lutar o mais tempo que pudesse contra esse mal estar. O dodecaedro não dispunha dos tradicionais saquinhos para o enjôo aéreo.
De repente encontraram-se numa reta e depois o céu apresentou-se coberto de estrelas. Para onde quer que olhasse havia estrelas, não a ninharia de alguns milhares ainda ocasionalmente reconhecidas a olho nu por observadores da Terra, mas uma imensa multitude — algumas, parecia, quase a tocarem as suas vizinhas mais próximas — a cercá-la em todas as direções, muitas delas coloridas de amarelo, azul ou vermelho — em especial de vermelho. O céu fulgurava com sóis vizinhos. Ellie conseguiu distinguir uma imensa nuvem espiralada de poeira, um disco de acreção a fluir aparentemente para um buraco negro de proporções espantosas, do qual saíam clarões de radiação, como relâmpagos de calor numa noite de Verão. Se aquilo era o centro da Galáxia, como ela suspeitava, devia estar banhado de radiação sincrotrônica. Desejou que os extraterrestres se tivessem lembrado quanto os humanos eram frágeis.
E, como se nadasse para o seu campo de visão, à medida que o dodecaedro rotacionava, aproximava-se… um prodígio, uma maravilha, um milagre. Alcançaram-no quase antes de se aperceberem. Enchia metade do céu. Voavam já por cima dele. Na sua superfície havia centenas, talvez milhares, de portais iluminados, cada um de forma diferente. Muitos eram poligonais, ou circulares, ou com um corte transversal elíptico; alguns tinham apêndices salientes ou uma seqüência de círculos excêntricos sobrepostos. Ela percebeu que eram portos de atracação, milhares de diferentes portos de atracação — uns tendo apenas, talvez, metros de tamanho, enquanto outros tinham inequivocamente quilômetros de diâmetro, ou mais. Cada um eles, concluiu, era a réplica, o molde de uma máquina interestelar como aquela. Grandes criaturas em grandes máquinas tinham imponentes portos de entrada. Pequenas criaturas, como nós, tinham pequenos portos. Era um critério democrático, sem qualquer indício de civilizações particularmente privilegiadas. A diversidade dos portos sugeria poucas distinções sociais entre as diversas civilizações, mas implicava uma diversidade de seres e culturas de tirar o fôlego. Falassem da Grand Central Station! — pensou.
A visão de uma Galáxia povoada, de um universo transbordante de vida e inteligência, deu-lhe vontade de chorar de alegria.
Aproximavam-se de um porto iluminado de amarelo que, como Ellie conseguiu ver, tinha a forma exata do dodecaedro em que viajavam. Observou um porto de atracação próximo, onde uma coisa do tamanho do dodecaedro e com a forma aproximada de uma estrela-do-mar estava a encaixar-se suavemente no seu molde. Olhou para a esquerda e para a direita, para cima e para baixo, para a curvatura quase imperceptível daquela grande estação situada no que calculava ser o centro da Via Láctea. Que orgulho para a espécie humana ser finalmente convidada para ali! Há esperança para nós, pensou. Há esperança!
— Bem, não é Bridgeport.
Disse as palavras em voz alta, quando a manobra de atracação se completou num silêncio perfeito.
CAPÍTULO XX
Grand Central Station
Todas as coisas são artificiais, pois a natureza é a arte de Deus.