Contato [pt]
- Автор: Саган Карл Эдуард
- Год: 1997
- Язык: португальский
- Переводчик: Fernando Pinto Rodrigues
- Жанр: Научная фантастика
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O livro conta a história de uma pesquisadora que utiliza radiotelescópios à procura de vestígios de vida inteligente fora da Terra. A trama avança quando um sinal é detectado. Com certeza a parte do livro que mais me intrigou foi as especulações sobre as conseqüências de sabermos que não estamos sozinhos. As regras da economia, religião e política internacional seriam seriamente modificadas na análise de Carl.
O livro nos faz pensar, e vale a pena a leitura.
Quando os investigadores chegaram à cena do desastre, mostrou-se incomunicativa. «Lamento não poder dizer-lhes muito. Nós três caminhávamos juntos na área de montagem e, de súbito, houve uma explosão e foi tudo pelos ares. Sinto não poder ajudar. Gostaria de poder.»
Disse claramente aos seus colegas que não queria falar do assunto e refugiou-se no seu apartamento durante tanto tempo que eles mandaram um grupo de reconhecimento saber dela. Tentou recordar todos os cambiantes do incidente. Tentou reconstituir a sua conversa antes de entrarem na área de montagem, o que ela e Drumlin tinham dito durante a viagem de automóvel a Missoula, o que Drumlin lhe parecera quando o tinha conhecido no princípio da sua carreira de pós-graduação. Pouco a pouco descobriu que houvera uma parte dela que desejara a morte dele — antes mesmo de se tornarem competidores para o lugar americano na Máquina. Odiava-o por tê-la diminuído na presença dos outros estudantes; nas aulas, por se ter oposto ao Projeto Argus, pelo que lhe dissera no momento seguinte à reconstituição do filme de Hitler. Desejara-lhe a morte. E agora ele morrera. Obedecendo a um certo raciocínio — que reconheceu imediatamente como tortuoso —, considerava-se culpada.
Ele teria estado, sequer, ali, se não fosse ela. Com certeza que sim, respondeu a si mesma; qualquer outra pessoa teria descoberto a Mensagem e Drumlin ter-lhe-ia saltado para cima. Por assim dizer. Mas não o teria ela — porventura através da sua própria insensibilidade científica — instigado a envolver-se mais profundamente no Projeto da Máquina? Passo a passo, examinou as possibilidades. Se eram desagradáveis, aprofundava-as com particular insistência; escondia-se ali alguma coisa. Pensou em homens, homens que por qualquer razão admirara. Drumlin. Valerian. Der Heer. Joss. Jesse… Staughton?… O seu pai.
— Doutora Arroway?
Sentiu-se gratamente arrancada à sua meditação por uma mulher loura e robusta, de meia-idade e vestido azul estampado. O seu rosto pareceu-lhe de certo modo familiar. A tarjeta identificativa, de pano, no busto farto, dizia: H. Bork, Goteborg. H
— Doutora Arroway, lamento a sua… a sua perda. O David disse-me tudo a seu respeito.
Claro! A lendária Helga Bork, companheira de mergulho autônomo de Drumlin em tantas e tão enfadonhas sessões de exibição de slides para estudantes pós-graduados. Quem, perguntou a si própria pela primeira vez, tirara aquelas fotografias? Convidaria um fotógrafo para os acompanhar nos seus encontros subaquáticos?
— Ele disse-me quanto eram íntimos, os dois.
Que está esta mulher a tentar dizer-me? Ter-lhe-á o Drumlin insinuado… Os olhos encheram-se-lhe de lágrimas.
— Desculpe, doutora Bork, neste momento não me sinto muito bem.
De cabeça baixa, a outra apressou-se a afastar-se.
Estavam no funeral muitos que ela desejava ver: Vaygay, Arkhangelsky, Gotsridze, Baruda, Yu, Xi, Devi… E Abonneba Eda, de quem se falava cada vez mais como do quinto membro da tripulação — se as nações tivessem uma ponta de bom senso, pensou Ellie, e se alguma vez houvesse uma coisa como uma Máquina completada. Mas a sua histamina social estava estourada e naquele momento ela não poderia suportar encontros demorados. Por um lado, receava o que fosse capaz de dizer. Quanto do que dissesse seria para bem do projeto e quanto para satisfazer as suas próprias necessidades? Os outros mostraram-se compassivos e compreensivos. No fim de contas, ela fora a pessoa que se encontrava mais perto de Drumlin quando o tubo de érbio o atingira e fizera em polpa.
CAPÍTULO XVI
Os anciãos do ozônio
O deus que a ciência reconhece deve ser um deus exclusivamente de leis universais, um deus de negócio grossista, e não retalhista. Não pode conciliar os seus processos com a conveniência dos indivíduos.