As areias do tempo [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «As areias do tempo [em Português]». Краткое содержание книги:
Pelo canto dos olhos, Jaime avistou um carro de polícia parar no outro canto da praça. Olhou na outra direção. Um segundo carro de polícia chegou. Seu coração começou a bater mais depressa. Era uma armadilha. Mas quem a promovera? Teria sido Paco, que enviara o recado, ou Amparo, que o transmitira? Ela o mandara para o parque. Mas por quê? Por quê?
Não havia tempo para se preocupar com isso agora. Tinha de escapar. Mas Jaime sabia que os guardas atirariam no momento que tentasse correr. Podia tentar um blefe, mas os guardas sabiam que ele estava ali.
Pense em alguma coisa! Depressa!
A um quarteirão dali, Megan seguia apressada para o parque.
Ao vê-lo, avaliou a situação num olhar. Avistou Jaime sentado num banco e os guardas se aproximando pelos dois lados.
A mente de Megan disparou. Não havia como Jaime escapar.
Ela estava passando por uma mercearia à sua frente, bloqueando a passagem, uma mãe empurrava um carrinho de bebê. A mulher parou, encostou o carrinho na parede da mercearia e entrou para fazer uma compra. Megan pegou o carrinho de bebê e atravessou a rua, entrando no parque.
Os polícias passavam agora pelos bancos, interrogando os homens ali sentados. Megan passou por um guarda. E gritou:
- Madre de Dios! Aí está você, Manuel! Estive à sua procura por toda a parte! Já não aguento mais! Prometeu pintar a casa esta manhã e vem sentar-se no parque como um milionário! Mamãe tinha razão! Você é um vagabundo que não presta para nada! Eu nunca devia ter casado com você!
Jaime levou menos de uma fração de segundo para reagir.
Levantou-se.
- Sua mãe é mesmo uma especialista em vagabundice. Casou com um. Se ela…
- Quem é você para falar? Se não fosse por mamãe, nosso filho passaria fome. Você nunca leva pão para casa…
Os guardas pararam, acompanhando a discussão.
- Se fosse minha mulher - murmurou um deles -, eu a mandaria de volta para a mãe.
- Estou cansado das suas reclamações, mulher! - berrou Jaime. - Já avisei antes! Quando chegarmos em casa vai aprender uma lição!
- Bom para ele - comentou um dos guardas.
Jaime e Megan começaram a deixar o parque, discutindo furiosamente, empurrando o carrinho de bebê. Os guardas tornaram a concentrar sua atenção nos homens sentados. - Seus documentos, por favor?
- Qual é o problema, senhor guarda?
- Não é da sua conta. Apenas mostre os documentos.
Por todo o parque, homens pegavam as carteiras e tiravam os documentos para provar quem eram. No meio da confusão, um bebê começou a chorar. Um dos guardas olhou. O carrinho de bebê fora abandonado na esquina. O casal que brigava desaparecera. Meia hora depois, Megan entrou pela porta da frente da casa. Amparo andava nervosamente de um lado para outro.
- Onde você esteve, Megan? Não deveria ter deixado a casa sem me avisar.
- Precisei sair para cuidar de um problema.
- Que problema? - indagou Amparo, desconfiada. - Não conhece ninguém aqui. Se você…
Jaime entrou, e o sangue esvaiou-se do rosto de Amparo. Mas ela rapidamente recuperou o controle.
- O que… o que aconteceu? Não foi ao parque?
- Por quê, Amparo? - murmurou Jaime.
Ela fitou-o nos olhos e compreendeu que estava tudo acabado.
- O que a fez mudar?
Ela sacudiu a cabeça.
- Eu não mudei. Você é que mudou. Perdi todas as pessoas que eu amava nessa guerra estúpida em que você luta. Estou cansada de tanto derramamento de sangue. É capaz de suportar a verdade a seu respeito, Jaime? É tão ruim quanto ao governo que combate. Pior, porque eles estão dispostos a fazer a paz, e você não. Pensa que está ajudando nosso País? Pois está destruindo-o. Assalta brancos, explode carros e assassina pessoas inocentes, acha que é um herói. Eu o amava e acreditava em você, mas… - A voz tremeu. - O derramamento de sangue precisa acabar.
Jaime adiantou-se, os olhos como gelo.
- Eu deveria matá-la.
- Não! - balbuciou Megan. - Por favor! Não pode fazer isso!
Felix entrara na sala e escutara a conversa.
- Meu Deus! Então é ela! O que vamos fazer com essa miserável!
- Teremos de levá-la e ficar de olho nela - respondeu Jaime. Ele pegou Amparo pelos ombros e disse suavemente: - Se tentar mais alguma coisa, juro que morrerá. - Empurrou-a para longe, virou-se para Megan e Felix. - Vamos sair daqui antes que os amigos dela apareçam.
Capítulo 35
- Teve Miró em suas mãos e deixou-o escapar?
- Coronel… com todo respeito… meus homens…
- Seus homens são uns idiotas. E se intitulam de polícias? São uma vergonha para seus uniformes!
O chefe de polícia ficou imóvel, encolhendo-se sob o desdém implacável do coronel Acoca. Não havia nada que ele pudesse fazer, pois o coronel era bastante poderoso para obter sua cabeça. Acoca ainda não acabara com ele.
- Eu o considero pessoalmente responsável. Providenciarei para que seja afastado do cargo.
- Coronel…
- Saia! Você me deixa enjoado.
O coronel Acoca fervilhava de frustração. Não houvera tempo suficiente para ele chegar a Vitoria e pegar Jaime Miró. Tivera de confiar a missão à polícia local, e eles haviam estragado tudo. Só Deus sabia para onde Miró seguira agora. O coronel aproximou-se do mapa aberto sobre uma mesa.
Eles estão indo para o país basco, é claro. O que pode ser Burgos, ou Logroño ou Bilbao ou San Sebastián. Vou me concentrar no nordeste. Terão de aparecer em algum lugar.
O coronel recordou a conversa com o primeiro-ministro naquela manhã.
- Seu tempo está se esgotando, coronel. Leu os jornais desta manhã? A imprensa mundial está fazendo com que pareçamos palhaços… Miró e as freiras nos converteram em alvo de riso.
- Primeiro-ministro, tem a minha garantia…
- O rei Juan Carlos ordenou-me que criasse uma comissão de inquérito oficial para investigar toda a questão. Não posso protelar por mais tempo.
- Adie o inquérito só por uns poucos dias. Pegaremos Miró e as freiras.
Houve uma pausa.
- Quarenta e oito horas.
Não era o primeiro-ministro que o coronel Acoca tinha medo de desapontar. Nem o rei. Era a OPUS DEI. Quando fora convocado à sala de um dos mais eminentes industriais da Espanha, as ordens que recebera eram expressas: "Jaime Miró está criando um clima prejudicial à nossa organização. Detenham-o. Será bem recompensado."
E o coronel Acoca conhecia a parte da conversa que não ocorrera: Fracasse e será punido. Agora, sua carreira estava em perigo. E tudo porque alguns polícias idiotas haviam deixado Miró escapar debaixo de seus narizes. Jaime Miró podia se esconder em qualquer parte. Mas as freiras… Uma onda de excitamento invadiu o coronel Acoca. As freiras! Elas eram a chave de tudo. Jaime Miró podia se esconder em qualquer lugar, mas as irmãs só podiam encontrar um santuário em outro convento. E quase certamente seria um convento da mesma ordem.
O coronel virou-se para estudar o mapa outra vez. E lá estava: Mendavia. Havia um convento da Ordem Cisterciense em Mendavia. "É para lá que estão indo", pensou Acoca, triunfante. "E eu também. Só que chegarei lá primeiro, e ficarei à espera deles."