Um Estranho No Espelho [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2008
- Язык: португальский
- Переводчик: ANA LUCIA DEIRO CARDOSO
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Um Estranho No Espelho [em Português]». Краткое содержание книги:
Riu e acrescentou:
─ E quando tenho uma ereção, meu chapa, é como colocar um cartaz no Hollywood Boulevard.
Na noite em que saíram pela primeira vez, Toby pegou Jill em casa e disse:
─ Temos uma mesa reservada no Chasen.
Estava certo de que seria uma aventura para ela.
─ Oh!
Havia uma nota de desapontamento em sua voz. Ele piscou.
─ Você prefere ir a outro lugar?
Era sábado, mas Toby sabia que poderia conseguir mesa em qualquer lugar: no Perino's, no Ambassador, no Derby.
─ É só dizer.
Jill hesitou e disse:
─ Você vai rir.
─ Não, não vou.
─ Ao Tommy's.
Toby submetia-se a uma massagem ao lado da piscina, sob os cuidados de um dos Mac, enquanto Clifton Lawrence lhe fazia companhia.
─ Você não acreditaria ─ contava Toby entusiasmado. ─ Ficamos vinte minutos naquela espelunca de lanchonete. Sabe onde é o Tommy's? No centro de Los Angeles. Só bêbados vão ao centro de Los Angeles. Ela é louca. Eu pronto a torrar cem dólares de champanha e tudo o mais com ela e a noite acaba me custando dois dólares e quarenta centavos. Queria levá-la ao Pip's depois. Sabe aonde fomos? Fomos andar pela praia de Santa Monica. Meu Gucci ficou cheio de areia. Ninguém passeia pela praia à noite. Os mergulhadores assaltam a gente ─ sacudiu a cabeça, admirado. ─ Jill Castle. Você acredita nela?
─ Não ─ respondeu Clifton secamente.
─ Não quis vir à minha casa para um cochilo, de modo que pensei em dar a trepada no apartamento dela, certo?
─ Certo.
─ Errado. Não me deixou passar da porta. Ganhei um beijo no rosto e voltei para casa sozinho. Agora, que espécie de noite é essa para Charlie-Superstar?
─ Vai vê-la de novo?
─ Ficou demente? Pode apostar seu doce traseiro como vou!
Desde então, Toby e Jill se encontraram quase todas as noites. Quando ela se recusava a vê-lo porque estava ocupada ou tinha compromisso cedo na manhã seguinte, ele ficava desesperado. Telefonava-lhe uma dúzia de vezes por dia.
Levou-a aos mais elegantes restaurantes e aos clubes particulares mais fechados da cidade. Por sua vez, Jill levou-o ao velho passeio de tábuas na praia de Santa Monica, ao Trancas Inn, ao pequeno restaurante pertencente a uma família francesa, o Taix, ao Papa De Carlos e a todos os lugares estranhos frequentados por uma aspirante a atriz sem dinheiro. Toby não se importava com os lugares, desde que Jill estivesse junto.
Era a primeira pessoa que conhecera capaz de fazer desaparecer seu sentimento de solidão.
Toby quase temia ir para a cama com Jill agora, receando que a magia pudesse desaparecer. Contudo, desejava-a mais do que desejara qualquer outra mulher em sua vida. Certa vez ao fim de uma noite, enquanto Jill lhe dava um leve beijo de boa noite. Toby passou a mão entre suas pernas e disse:
─ Por Deus, Jill, vou enlouquecer se não tiver você.
Ela se afastou e disse com firmeza:
─ Se é isso o que você quer, pode comprar em qualquer parte da cidade por vinte dólares.
Bateu a porta no rosto dele. Mais tarde, encostou-se na porta tremendo, com medo de ter ido longe demais. Passou a noite em claro, preocupada.
No dia seguinte Toby lhe enviou uma pulseira de diamantes e Jill percebeu que estava tudo bem. Devolveu o presente com um bilhete cuidadosamente pensado: "Seja como for, obrigada. Você faz com que eu me sinta maravilhosa".
─ Custou-me três mil ─ disse Toby a Clifton com orgulho. ─ E ela me devolve! ─ Balançou a cabeça incrédulo. ─ Que se pode pensar de uma garota assim?
Ele poderia ter dito exatamente o que pensava, mas limitou-se a comentar:
─ Não resta dúvida de que ela é fora do comum, caro rapaz.
─ Fora do comum! ─ exclamou Toby. ─ Toda garota desta cidade agarra o que pode deitar as mãos em cima. Jill é a primeira moça que conheço que não dá a mínima para coisas materiais. Você me culpa por estar louco por ela?
─ Não ─ disse Clifton.
Mas começava a se preocupar. Sabia tudo sobre Jill e se perguntava se não devia ter falado antes.
─ Eu não me oporia se você quisesse aceitar Jill como cliente ─ falou Toby. ─ Aposto que ela poderia se tornar uma grande estrela.
Clifton escapou com habilidade, mas firmemente:
─ Não, obrigado, Toby. Uma superestrela nas mãos é suficiente ─ respondeu rindo.
Naquela noite, Toby repetiu esse comentário a Jill.
Depois da fracassada tentativa com Jill, Toby teve o cuidado de não abordar mais aquele assunto. Na realidade, orgulhava-se dela por recusá-lo; todas as outras moças com quem saíra haviam se comportado como capachos. Jill, não. Quando Toby fazia algo que ela achava errado, ela lhe dizia. Certa noite ele ofendeu um homem que o aborrecia pedindo autógrafos. Mais tarde, Jill lhe disse:
─ Quando você é sarcástico no palco, Toby, é engraçado, mas aquele senhor ficou ofendido.
Toby voltou e pediu desculpas ao homem.
Jill disse que achava que Toby bebia demais e que isso não lhe fazia bem. Toby passou a beber menos. Fez um comentário casual sobre suas roupas e ele mudou de alfaiate. Toby permitia que ela lhe dissesse coisas que ele não toleraria de ninguém no mundo. Ninguém jamais ousava dar-lhe ordens ou criticá-lo.
Com exceção, é claro, de sua mãe.
Jill recusava-se de aceitar dinheiro ou presentes caros, mas Toby sabia que ela não podia ter muito dinheiro e seu comportamento corajoso fez com que ele se sentisse ainda mais orgulhoso dela. Certa noite, no apartamento de Jill, enquanto Toby esperava que ela acabasse de se preparar para jantar, ele notou uma pilha de contas na sala. Toby pôs todas no bolso e no dia seguinte mandou que Clifton as pagasse. Sentiu-se vitorioso, mas queria fazer algo de grande por ela, algo importante.
E de súbito compreendeu o que seria.
─ Sam, vou lhe fazer um tremendo favor!
"Cuidado com estrelas que trazem presentes", pensou Sam Winters maldosamente.
─ Você tem andado louco à procura de uma garota para o filme de Keller, certo? ─ perguntou Toby. ─ Bem, arranjei a garota para você.
─ Alguém que eu conheça? ─ perguntou Sam.
─ Você a conheceu na minha casa. Jill Castle.
Sam lembrava-se de Jill, rosto e corpo lindos, cabelos negros. Velha demais para o papel da adolescente no filme de Keller. Mas se Toby Temple queria que fosse testada para o papel, Sam faria sua vontade.
─ Mande-a vir falar comigo esta tarde ─ disse.
Sam cuidou para que o teste de Jill Castle fosse bem trabalhado. Designou um dos melhores camaramen do estúdio e encarregou o próprio Keller da direção do teste.
No dia seguinte, Sam examinou o copião. Como pensara, Jill era madura demais para o papel da adolescente. Fora isso, não era má, mas faltava-lhe carisma, a magia que emana da tela.
Ligou para Toby Temple.
─ Examinei o teste de Jill esta manhã, Toby. Ela fotografa bem e sabe dizer as falas, mas não é grande atriz. Poderia ganhar um bom dinheiro em papéis secundários, mas, se está decidida a ser estrela, acho que está no negócio errado.
Naquela noite Toby apanhou Jill para levá-la a um jantar em homenagem a um famoso diretor inglês recém-chegado a Hollywood. Ela queria muito ir.
Jill abriu a porta para Toby e, no momento que ele entrou, percebeu que havia algo errado.
─ Você tem notícias do meu teste ─ disse ela.
Ele assentiu, hesitante.
─ Conversei com Sam Winters.
Disse a ela a opinião de Sam, tentando suavizar o choque.
Jill ficou parada ouvindo sem dizer uma palavra. Estivera tão certa. O papel parecera tão bom. Vinda de lugar nenhum, surgiu-lhe a lembrança da taça de ouro na vitrina da loja. A garotinha sofrera com a dor do desejo e da perda; agora, ela experimentava a mesma sensação de desespero.