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Um Capricho dos Deuses [em Português]

Электронная книга - «Um Capricho dos Deuses [em Português]». Краткое содержание книги:

Nesta intrincada rede de ardil e mentiras, tecida com maestria, o leitor e fisgado na primeira pagina. Cientista politica especializada em Leste Europeu, Mary Ashley e convidada para ser embaixadora dos Estados Unidos na Romenia. De inicio, ela fica reticente em aceitar a proposta, mas quando seu marido morre em um estranho acidente, ela vai para Romenia na tentativa de aplacar sua dor com o afastamento. Distante e solitaria em uma terra estranha, Mary vive emocionante aventura para ser uma boa embaixadora e ao mesmo tempo se manter viva ela logo percebe que existe uma trama para assassina-la...
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— Pensando bem — acrescentou Mary —, não estou com fome neste momento. Eu... eu comerei alguma coisa mais tarde.

— Permita que eu lhe mostre a casa — sugeriu Jerry Davis.

Mary seguiu-o, aliviada.

Era uma linda casa, agradável e encantadora, ao estilo antigo. No térreo havia um vestíbulo, uma biblioteca cheia de livros, uma sala de música, uma sala de estar e uma sala de jantar grande, com uma cozinha e despensa ao lado. Todos os cômodos estavam bem mobiliados. Havia um terraço por toda a extensão da casa, além da sala de jantar, que dava para um enorme parque.

Quase nos fundos do terreno havia uma piscina coberta, com uma sauna e vestiário.

— Temos a nossa própria piscina! — exclamou Tim. — Posso dar um mergulho?

— Mais tarde, querido. Vamos nos instalar primeiro. A pièce de résistance no primeiro andar era o salão de

baile, perto do jardim. Era imenso. Havia candelabros de cristal Baccarat nas paredes, forradas com um papel felpu-do. Jerry Davis disse:

— É aqui que se realizam as festas da embaixada. Observe isto. — Ele apertou um botão na parede. Houve um rangido e o teto começou a se abrir no centro, até que o céu se tornou visível. — O mecanismo pode ser operado também manualmente.

— Mas é sensacional! — exclamou Tim.

— É conhecido como "a loucura do embaixador" — acrescentou Jerry Davis. — Faz muito calor para abrir no verão e é frio demais no inverno. Só usamos em abril e setembro.

— Mesmo assim é sensacional — insistiu Tim. Enquanto o ar frio invadia o salão de baile, Jerry Davis tornou a apertar o botão e o teto fechou.

— Vou mostrar agora os aposentos lá em cima. Eles subiram a escada atrás de Jerry Davis para um

grande hall central, com dois quartos separados por um banheiro completo. Mais adiante, pelo corredor, ficava o quarto principal, com uma sala de descanso, um quarto de vestir e um banheiro completo, depois um quarto menor com banheiro e uma sala de costura. Havia um terraço no telhado, com uma escada independente. Jerry Davis informou:

— No terceiro andar estão os aposentos dos criados, uma lavanderia e uma área para guardar coisas. No porão há uma adega e a área de refeições e descanso dos criados.

— É... é enorme — murmurou Mary.

As crianças corriam de um aposento para outro.

— Qual é o meu quarto? — perguntou Beth.

— Você e Tim podem escolher.

— Se quiser, pode ficar com este — ofereceu Tim. — É cheio de enfeites. As garotas gostam dessas coisas.

O quarto principal era adorável, com uma cama enorme, dois sofás na frente de uma lareira, uma poltrona, uma penteadeira com um espelho antigo, um armário, um banheiro suntuoso e uma vista espetacular do jardim.

Delia e Carmen já haviam arrumado a bagagem de Mary. Era cima da cama estava o malote diplomático que o embaixador Viner lhe pedira que trouxesse para a Romênia. Devo levá-lo para a embaixada amanhã de manhã, pensou Mary. Foi até a cama, pegou o malote e examinou-o. Os lacres vermelhos haviam sido rompidos e grudados de novo, de maneira desajeitada. Quando aconteceu isso?, especulou Mary. No aeroporto? Aqui? E quem fez isso?

Sabina entrou no quarto.

— Está tudo satisfatório, senhora?

— Está, sim. Nunca tive antes uma secretária social. Não sei exatamente quais são as suas funções.

— Meu trabalho é cuidar para que sua vida transcorra sem problemas, senhora embaixadora. Trato dos seus compromissos sociais, jantares, almoços e assim por diante. Também providencio para que a casa seja bem administrada. Com tantos criados, sempre há problemas.

— Tem razão — murmurou Mary, distraída.

— Deseja alguma coisa para esta tarde?

Poderia me falar sobre os lacres violados, pensou Mary. Em voz alta, ela disse:

— Não, obrigada. Acho que vou descansar um pouco. Sentia-se subitamente esgotada.

Mary ficou acordada durante a maior parte daquela primeira noite, dominada por uma solidão profunda e fria, misturada com um crescente excitamento pelo início de seu novo trabalho.

Tudo depende de mim agora, Edward. Não tenho mais ninguém em quem me apoiar. Eu gostaria que você estivesse aqui comigo, dizendo-me para não ter medo, dizendo-me que não vou fracassar. Não devo fracassar, querido.

Quando finalmente pegou no sono, ela sonhou com Mike Slade dizendo: "Detesto amadores. Por que não volta para casa?"

A embaixada americana em Bucareste, na Soseaua Kiseleff, 21, é um prédio branco de dois andares, semigótico, patrulhado por um guarda uniformizado, de capote cinza e quepe vermelho. Um segundo guarda fica na parte de dentro, numa cabine de segurança, ao lado do portão. Há uma porta-cocheira para os carros passarem e degraus de mármore rosa que levam ao saguão.

O saguão é todo ornamentado. Tem um piso de mármore, dois aparelhos de um circuito fechado de televisão numa mesa, guardada por um fuzileiro naval, e uma lareira com uma tela de proteção, na qual está pintado um dragão soprando fumaça. Os corredores estão revestidos com os retratos de presidentes dos Estados Unidos. Uma escada em curva leva ao segundo andar, onde estão localizados os escritórios e uma sala de conferências.

Um fuzileiro estava esperando por Mary.

— Bom dia, senhora embaixadora — cumprimentou ele. — Sou o sargento Hughes. Todos me chamam de Gunny.

— Bom dia, Gunny.

— Estão à sua espera na sala de conferências. Eu a acompanharei até lá.

— Obrigada.

Mary seguiu-o para uma sala de recepção no segundo andar, onde uma mulher de meia-idade estava sentada atrás de uma mesa. Ela se levantou.

— Bom dia, senhora embaixadora. Sou Dorothy Sto-ne, sua secretária.

— Como vai?

— Há uma verdadeira multidão à sua espera lá dentro. Dorothy abriu a porta, e Mary entrou na sala. Havia

nove pessoas sentadas em torno de uma enorme mesa de reuniões. Todos se levantaram quando a viram. Ficaram observando-a, e Mary sentiu uma onda de hostilidade quase palpável. A primeira pessoa que ela reconheceu foi Mike Slade. Pensou no sonho que tivera.

— Vejo que chegou aqui sã e salva — disse Mike. — Deixe-me apresentá-la a seus chefes de departamentos. Este é Lucas Janklow, conselheiro administrativo; Eddie Maltz, conselheiro político; Patrícia Hatfield, conselheira econômica; David Wallace, chefe da administração; Ted Thompson, especialista em assuntos agrícolas. Já conheceu Jerry Davis, seu conselheiro de assuntos públicos. Este é David Victor, conselheiro comercial. E também já conhece o coronel Bill McKinney.

— Sentem-se, por favor — disse Mary.

Ela foi para a cadeira à cabeceira da mesa e contemplou o grupo. A hostilidade vem em todas as idades, tamanhos e formatos, pensou.

Patrícia Hatfield tinha um corpo gordo e rosto atraente. Lucas Janklow, o membro mais moço da equipe, parecia e se vestia como um americano de família tradicional. Os outros eram mais velhos, cabelos grisalhos, calvos, magros, gordos. Vai levar algum tempo para definir a todos. Mike Slade estava dizendo:

— Todos nós estamos servindo a seu critério. Pode nos substituir a qualquer momento.

Isso é mentira, pensou Mary, furiosa. Tentei substituir você, mas não consegui.

A reunião durou quinze minutos. A conversa foi irrelevante. Mike Slade finalmente anunciou:

— Dorothy providenciará reuniões separadas para todos com a embaixadora ainda hoje. Obrigado.

Mary sentia-se ressentida porque ele assumira o comando. E perguntou, quando ficou a sós com Slade:

— Qual deles é o agente da CIA adido à embaixada? Ele fitou-a em silêncio por um momento e depois disse:

— Por que não vem comigo?

Slade saiu da sala. Mary hesitou por um instante e depois foi atrás. Seguiu-o por um corredor comprido, passando por uma sucessão de salas pequenas. Ele parou diante de uma porta em que um fuzileiro montava guarda. O fuzileiro deu um passo para o lado e Slade abriu a porta. Virou-se e gesticulou para que Mary entrasse.

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