O Olho do Mundo
- Автор: Джордан Роберт
- Серия: A Roda do Tempo #1
- Год: 2013
- Язык: португальский
- Переводчик: Fábio Fernandes
- Жанр: Фэнтези
Электронная книга - «O Olho do Mundo». Краткое содержание книги:
Аннотация
O Olho do MundoEle não estava mais dançando, mas tampouco parou. Subiu as escadas sem hesitação. Aquele era o lugar ao qual pertencia.
Volutas cobriam as portas maciças no alto das escadas, relevos tão intrincados e delicados que ele não conseguia imaginar uma faca com a lâmina fina o suficiente para se encaixar ali. Os portais se abriram, ele entrou, e então se fecharam com o ecoar de um trovão.
— Estávamos esperando por você — sibilou o Myrddraal.
Rand se levantou de um salto, tremendo e ofegando, o olhar fixo. Tam ainda dormia na cama. Lentamente sua respiração foi se normalizando. Achas um tanto consumidas ardiam na lareira, já com uma boa camada de brasas ao redor das grades de ferro; alguém havia estado ali para cuidar do fogo enquanto ele dormia. Um cobertor caíra quando ele acordara, e estava aos seus pés. A maca improvisada tinha desaparecido também, e os mantos dele e de Tam haviam sido pendurados na porta.
Ele enxugou o suor frio do rosto com a mão não muito firme e perguntou-se se nomear o Tenebroso em sonho atraía sua atenção do mesmo jeito que fazê-lo em voz alta.
O crepúsculo escurecia a janela; a lua estava bem alta no céu, redonda e gorda, e as estrelas vespertinas brilhavam sobre as Montanhas da Névoa. Ele havia dormido o dia inteiro. Esfregou um ponto dolorido na lateral do corpo. Aparentemente havia dormido com o cabo da espada espetando-o nas costelas. Com isso, um estômago vazio e a noite anterior, não era de surpreender que houvesse tido pesadelos.
Sua barriga roncou. Ele se levantou, enrijecido, e foi até a mesa onde a Senhora al’Vere havia deixado a bandeja. Puxou de lado o guardanapo branco. Apesar do tempo dormindo, o caldo de carne ainda estava morno, e o pão, crocante também. A mão da Senhora al’Vere era evidente; a bandeja havia sido trocada. Uma vez tendo decidido que você precisava de uma refeição quentinha, ela não desistia até a comida estar dentro de você.
Ele engoliu um pouco de caldo e mal conseguiu colocar carne e queijo entre dois pedaços de pão antes de meter tudo na boca. Dando grandes mordidas, ele voltou à cama.
A Senhora al’Vere aparentemente também cuidara de Tam. Ele havia sido despido, suas roupas agora estavam limpas e cuidadosamente dobradas na mesinha de cabeceira, e um cobertor fora puxado até seu queixo. Quando Rand tocou a testa do pai, Tam abriu os olhos.
— Aí está você, garoto. Marin disse que você estava aqui, mas eu não conseguia sequer me sentar para ver. Ela disse que você estava cansado demais para que ela o acordasse só para eu poder vê-lo. Nem mesmo Bran consegue fazê-la mudar de ideia quando ela se decide.
A voz de Tam estava fraca, mas seu olhar era límpido e firme. A Aes Sedai tinha razão, pensou Rand. Com descanso ele ficaria tão bem quanto antes.
— O senhor quer alguma coisa para comer? A Senhora al’Vere deixou uma bandeja.
— Ela já me alimentou… se é que se pode dizer isso. Não me deixou comer nada a não ser caldo. Como pode um homem evitar pesadelos com nada a não ser caldo na… — Tam tirou a mão de sob a coberta e tocou a espada na cintura de Rand. — Então não foi um sonho. Quando Marin me disse que eu estava doente, achei que eu houvesse… Mas você está bem. Isso é tudo o que importa. E a fazenda?
Rand respirou fundo.
— Os Trollocs mataram as ovelhas. Acho que mataram a vaca também, e a casa precisa de uma boa limpeza. — Ele conseguiu dar um sorriso fraco. — Tivemos mais sorte do que alguns. Eles queimaram metade da aldeia.
Contou a Tam tudo que havia acontecido, ou pelo menos a maior parte. Tam escutou com atenção e fez perguntas incisivas. Rand se viu tendo de contar sobre o retorno à casa da fazenda depois de esconder-se na floresta, e isso levou ao Trolloc que ele havia matado. Teve de contar que Nynaeve dissera que Tam estava morrendo para explicar por que a Aes Sedai havia cuidado dele em lugar da Sabedoria. Os olhos de Tam se arregalaram com isso, uma Aes Sedai em Campo de Emond. Mas Rand não viu necessidade de repassar cada passo da jornada da fazenda até ali, nem seus temores nem o Myrddraal na estrada. Certamente não os pesadelos enquanto dormia à beira da cama. E não via razão, em especial, para mencionar os devaneios de Tam durante a febre. Ainda não. A história de Moiraine, porém, não havia como evitar.
— Bem, essa é uma história digna de um menestrel — murmurou Tam quando Rand chegou ao fim. — O que os Trollocs iriam querer com vocês, rapazes? Ou o Tenebroso, que a Luz nos ajude?
— O senhor acha que ela estava mentindo? Mestre al’Vere disse que ela estava dizendo a verdade sobre apenas duas fazendas terem sido atacadas. E sobre a casa de Mestre Luhhan e a de Mestre Cauthon.
Tam ficou em silêncio por um momento antes de pedir:
— Diga-me o que ela falou. As palavras exatas que ela usou, veja bem. Exatamente como ela as disse.
Rand tentou se concentrar. Quem se lembra das palavras exatas que ouviu? Mordeu o lábio e coçou a cabeça, e pouco a pouco foi falando, o mais fielmente possível.
— Não consigo lembrar de mais nada — concluiu ele. — Não tenho certeza se alguma parte ela não contou um pouco diferente, mas de qualquer maneira é quase isso.
— Está bom o bastante. Tem de estar, não é? Sabe, rapaz, as Aes Sedai são traiçoeiras. Elas não mentem, não diretamente, mas a verdade que uma Aes Sedai lhe conta nem sempre é a verdade que você pensa. Tome cuidado quando estiver perto dela.
— Eu já ouvi as histórias — Rand retorquiu. — Não sou criança.
— Não é, não é mesmo. — Tam suspirou pesadamente, então deu de ombros, irritado. — Eu deveria ir com você, mesmo assim. O mundo fora dos Dois Rios não é nem um pouco parecido com Campo de Emond.
Era uma abertura para perguntar sobre as viagens de Tam e todo o resto, mas Rand não a aproveitou. Em vez disso, ficou boquiaberto.
— Assim, sem mais nem menos? Pensei que o senhor fosse ter mil razões para eu não ir. — Percebeu que estivera torcendo para que Tam tivesse mil razões, e das boas.
— Talvez não mil — disse Tam, resfolegando —, mas algumas me vieram à mente. Só que elas não têm importância. Se os Trollocs estão atrás de você, estará mais seguro em Tar Valon do que aqui. Só se lembre de manter-se sempre alerta. Aes Sedai fazem coisas por suas próprias razões, e nem sempre são as razões que você pensa.
— O menestrel disse uma coisa parecida — observou Rand, devagar.
— Então ele sabe do que está falando. Ouça com atenção, pense bem, e segure a língua. Este é um bom conselho para quaisquer assuntos além dos Dois Rios, especialmente lidando com Aes Sedai. E com Guardiões. Conte alguma coisa a Lan, e será o mesmo que ter contado a Moiraine. Se ele é um Guardião, está ligado a ela tão certamente quanto o sol nasceu esta manhã, e não vai guardar muitos segredos, se é que vai guardar algum.
Rand sabia pouco a respeito da ligação entre Aes Sedai e Guardiões, embora ela desempenhasse um grande papel em todas as histórias sobre Guardiões que ele já ouvira. Tinha algo a ver com o Poder, uma dádiva para o Guardião ou talvez alguma espécie de troca. Os Guardiões recebiam toda sorte de benefícios, de acordo com as histórias. Eles se curavam mais rapidamente que outros homens e resistiam mais tempo sem comida, água ou sono. Supostamente, podiam pressentir a presença de Trollocs, se estivessem perto o bastante, e de outras criaturas do Tenebroso também, o que explicava como Lan e Moiraine haviam tentado alertar a aldeia antes do ataque. Quanto ao que a Aes Sedai ganhava com isso, as histórias não contavam, mas ele não ia acreditar que elas não ganhassem nada.