As areias do tempo [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «As areias do tempo [em Português]». Краткое содержание книги:
Ellen observava e lia sobre como as esposas dos amigos de Milo se vestiam, e tratava de imitá-las. Estava determinada a se tornar a esposa apropriada para Milo Scott, e conseguiu. Mas não aos olhos de Byron e Susan. E, pouco a pouco, sua ingenuidade transformou-se em cinismo. "Os ricos e poderosos não são tão maravilhosos assim", pensou. "Tudo o que querem é se tornar mais ricos e mais poderosos."
Ellen era muito protetora em relação a Milo, mas havia pouco que pudesse fazer para ajudá-lo. A Scott Industries era um dos poucos conglomerados de capital fechado do mundo, e todas as ações pertenciam a Byron. O irmão caçula era um empregado assalariado, e Byron nunca o deixava esquecer isso. Tratava-o de maneira vergonhosa. Milo era encarregado de todos os trabalhos sujos, e nunca recebia qualquer crédito pelo que fazia.
- Por que atura isso, Milo? Não precisa dele. Podemos ir embora. E você pode montar seu próprio negócio.
- Eu não poderia deixar a Scott Industries. Byron precisa de mim.
Com o passar do tempo, porém, Ellen veio a compreender o verdadeiro motivo. Milo era um fraco. Precisava de alguém forte para se apoiar. Ela sabia que ele nunca teria coragem suficiente para largar a companhia. "Muito bem", pensou, irritada. "Um dia a companhia lhe pertencerá. Byron não pode viver para sempre. E Milo é o único herdeiro."
Foi um golpe para Ellen quando Susan Scott anunciou que estava grávida. "O bebê vai herdar tudo."
Quando a criança nasceu, Byron declarou:
- É uma menina, mas eu lhe ensinarei como administrar a companhia.
"O miserável", pensou Ellen, o coração doído por Milo.
O único comentário de Milo foi:
- Não é uma criança linda?
CAPÍTULO 16
O piloto do Lockheed Lodestar estava preocupado.
- Uma frente de tempestade aproxima-se. A situação não me agrada. - Acenou com a cabeça para o co-piloto. - Assuma o comando. - Então deixou a carlinga e foi para a cabine de passageiros.
Havia cinco passageiros a bordo, além do piloto e co-piloto: Byron Scott, o brilhante e dinâmico fundador, e principal executivo da Scott Industries; sua atraente esposa, Susan; a filha de um ano, Patricia; Milo Scott, o irmão caçula de Byron; e a esposa de Milo, Ellen. Voavam num dos aviões da companhia, de Paris rumo a Madrid. Levar a criança fora um impulso de último minuto de Susan.
- Detesto ficar longe de minha filha por tanto tempo - ela disera a Byron.
- Tem medo que ela nos esqueça? - zombou ele. - Está bem, vamos levá-la conosco.
Com o término da Segunda Guerra Mundial, a Scott Industries expandia-se rapidamente no mercado europeu. Em Madrid, Byron Scott analisaria as possibilidades de construir uma nova usina siderúgica.
O piloto aproximou-se de Byron.
- Com licença, senhor. Estamos nos aproximando de nuvens tempestuosas. A situação pela frente não parece boa. Devemos voltar?
Byron Scott olhou pela pequena janela. Voavam por uma massa de nuvens cinzentas, riscadas, a intervalos de poucos segundos, por relâmpagos.
- Tenho uma reunião em Madrid esta noite. Pode contornar a tempestade?
- Vou tentar. Se não for possível, então teremos de voltar.
Byron assentiu.
- Está certo.
- Podem apertar os cintos, por favor?
O piloto voltou apressado para a carlinga.
Susan não ouviu a conversa. Pegou a criança no colo, arrependida, subitamente, por tê-la trazido. "Preciso dizer a Byron para mandar o piloto voltar", pensou.
- Byron…
Foram apanhados de repente pela tempestade, e o avião começou a se sacudir, à mercê das rajadas de vento. Os movimentos tornaram-se mais violentos. A chuva batia nas janelas. A tempestade acabara com toda a visibilidade. Os passageiros tinham a sensação de que viajavam num mar de algodão revolto.
Byron acionou o sistema de intercomunicação.
- Onde estamos, Blake?
- Oitenta quilômetros a noroeste de Madrid, sobre a cidade de Ávila.
Byron tornou a olhar pela janela.
- Esqueceremos Madrid por esta noite. Vamos voltar e sair logo daqui.
- Entendido.
A decisão veio uma fração de segundo tardia. Enquanto o piloto começava a fazer a volta, o pico de uma montanha surgiu abruptamente à sua frente. Não houve tempo para evitar a colisão.
Houve um estrondo e o céu explodiu, enquanto o avião deslizava pela encosta da montanha, espatifando-se, fragmentos da fuselagem e asas espalhando-se por um elevado platô.
Depois da colisão houve um silêncio anormal, que durou pelo que parecia uma eternidade. Foi rompido pelo crepitar das chamas, que começaram a envolver o trem de aterragem do avião.
- Ellen…
Ellen Scott abriu os olhos. Estava deitada sob uma árvore.
O marido inclinava-se por cima dela, batendo de leve em seu rosto. Ao ver que estava viva, Milo Scott exclamou:
- Graças a Deus!
Ellen sentou-se, tonta, a cabeça latejando, cada músculo no corpo dolorido. Olhou em redor, contemplando os destroços do que fora outrora um avião, repleto de corpos humanos. Estremeceu.
- E os outros? - balbuciou Ellen, a voz rouca.
- Estão mortos.
Fitou o marido, aturdida.
- Oh, Deus, não!
Ele assentiu, o rosto contraído em dor.
- Byron, Susan, a criança, os tripulantes… todos.
Ellen Scott tornou a fechar os olhos e disse uma oração silenciosa. "Por que Milo e eu fomos poupados?" Era difícil pensar com nitidez. "Precisamos descer à procura de socorro. Mas é tarde demais. Estão todos mortos." Era impossível acreditar.
Estavam cheios de vida apenas poucos minutos antes.
- Pode se levantar?
- Eu… eu creio que sim.
Milo ajudou a esposa a ficar de pé. Houve uma vertigem terrível, e ela ficou parada, à espera que passasse. Milo virou-se e olhou para o avião. As chamas se tornaram mais intensas.
- Vamos sair daqui, Ellen. O avião vai explodir a qualquer momento.
Afastaram-se depressa e ficaram observando os destroços arderem. Um instante depois houve uma explosão dos tanques de combustível, as chamas envolveram o avião por completo.
- É um milagre estarmos vivos - murmurou Milo.
Ellen olhou para o avião em chamas. Alguma coisa pressionava-lhe a mente, mas não conseguia pensar com nitidez.
Algo sobre a Scott Industries. E de repente ela soube.
- Milo?
- O que é? - perguntou ele, com o pensamento distante.
- É o destino. - O fervor em sua voz fez com que ele se virasse.
- Como?
- A Scott Industries… pertence a você agora.
- Eu não…
- Milo, Deus a deixou para você - falava Ellen com veemência. - Você viveu a vida toda à sombra de seu irmão mais velho. - Ela conseguia coordenar as idéias agora, sem se preocupar com a dor de cabeça.
As palavras saíam numa enxurrada que lhe sacudia todo o corpo.
- Você trabalhou para Byron durante vinte anos, na construção da companhia. É tão responsável pelo sucesso quanto ele, mas Byron… alguma vez lhe deu crédito por isso? Não. Foi sempre a sua companhia, seu sucesso, seus lucros. Pois agora você… você finalmente tem a oportunidade de fazer as coisas sozinho.
Milo ficou horrorizado.
- Ellen… os corpos estão… como pode pensar a esse respeito…?
- Sei de tudo. Mas não os matamos. É a nossa vez, Milo. Podemos finalmente agir. Não há ninguém vivo para reivindicar a companhia, só nós. A companhia é nossa! Sua!
De repente os dois ouviram o choro de uma criança. Ellen e Milo Scott se entreolharam, incrédulos.
- É Patrícia! Ela está viva! oh, Deus!
Encontraram a criança perto de alguns arbustos. Por algum milagre, nada sofrera.
Milo pegou-a, aninhou-a no colo, com carinho.
- Calma, está tudo bem, querida - sussurrou. - Vai acabar tudo bem.
Ellen estava a seu lado, com uma expressão chocada.
- Você… você disse que ela havia morrido.
- Deve ter sido lançada para fora do avião e ficou inconsciente.