Guerra de estrelas [Ceux de Nulle Part - pt]
- Автор: Карсак Франсис
- Год: 1961
- Язык: португальский
- Год: EDI
- Переводчик: C. Eurico Costa
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «Guerra de estrelas [Ceux de Nulle Part - pt]». Краткое содержание книги:
O padre, virando-se para os presentes, perguntou: — Onde está Missan?
— Partiu na Luz — responderam todos. Estava terminada a cerimônia.
Segundo o costume, fiquei cinco dias em casa só com Assila.
Ainda que mostrasse no olhar a habitual impassibilidade dos Hiss, via-se que sofria. Senti então a superficialidade da minha assimilação. Vagueava melancolicamente, furioso contra este costume hiss, aborrecido e infeliz. Nada sabia da história, dos costumes e dos sentimentos dos Hiss. Passava o tempo e não me resolvia a deitar-me no quarto que era meu por direito. Reinava o silêncio. Assila, emudecida, estava sentada na sala comum. Fiz o mesmo, e assim passamos a noite.
Nunca senti com tanta intensidade o meu isolamento neste planeta estrangeiro como junto de Assila, durante essa noite de vigília.
De manhã, sem lágrimas nem soluços, me contou a vida daquele irmão, tão cheio de futuro, que, como onze membros da família, morrera na luta com os Milsliks. E se lamentava de não ter partido com ele, de não ter morrido também. Amara quase ferozmente aquele irmão, que honrava a raça — um futuro Sábio. Recordava-se dos seus amores, dos seus triunfos universitários, das suas brincadeiras de criança.
Agora tudo findara; só a frase secular ecoava: «Partiu na Luz!».
Ouvindo Assila, iam desaparecendo pouco a pouco as barreiras que me separavam dos Hiss. Qualquer mulher na Terra teria a mesma dor, diria as mesmas palavras; e, como quando enfrentei o Mislik, na cripta da ilha Sanssine, senti que a dor e a angústia são iguais em todo o universo.
Então, esquecendo que entre nós havia um abismo de milhões de anos-luz, soube encontrar palavras de consolação. Esta foi, decerto, uma das mais estranhas das minhas experiências. Depois, com o sobre-humano domínio de si próprios que caracteriza os Hiss, Assila tratou da nossa refeição.
Fiquei mais quatro dias com ela. Voltei depois para a Casa dos Estrangeiros da península de Essanthem. Todas as semanas lá voltava. Considerava já a casa como minha e Assila como uma parente muito próxima.
Presentemente, no meu quarto, encontram-se ainda, decerto, os meus livros, os meus apontamentos e todas as pequeninas coisas que colecionei durante a minha permanência em Ella. Tenho a certeza de que, muitas vezes, «minha irmã» Assila pergunta aos Sábios se eu regressarei em breve.
Entretanto tinham sido exterminados todos os Milsliks que estavam nos planetas Seis e Sete. Infelizmente era já tarde para salvar Kalvénault, que se apagava lentamente.
Alguns Milsliks que tinham se instalado num pequeno planeta do sistema EI— Toéa foram também exterminados, tão rapidamente que este sol nada chegou a perder do seu brilho.
Quanto a Asselor, depressa recuperou o seu espectro normal.
Nem os Sábios chegaram a compreender porquê.
Era uma felicidade que os Milsliks somente pudessem viver em contacto com os planetas Na realidade, no Espaço vazio só sobreviviam algumas horas. Como conseguiriam passar de estrela a estrela, de galáxia a galáxia? Profundo mistério!
Todas as tentativas para os localizar no ahun foram infrutíferas. Alguns Sábios hiss pensam que devem existir três ahuns distintos, utilizáveis respectivamente pelos Hiss, pelos Sinzus e pelos Milsliks.
Por mim, nada sei. Três ahuns diferentes, porém, parece-me demasiado.
Entre os Sábios começava já a ser elaborado o «grande projeto». Nenhum de nós sabia do que se tratava e Assza se mantinha impenetrável.
Entrementes, regressava a astronave sinzu, na frente duma esquadrilha de vinte e nove ksills. Aterraram em Inoss, perto da Casa dos Sábios. Pouco se demoraram; em breve partiram para Réssan, a fim de desembarcarem cinco mil sinzus, núcleo inicial da futura colônia de Ellarbor. Por singular deferência, Hélon, Akéion, Ulna e a equipagem do Tsalan puderam permanecer em Ella, planeta exclusivamente reservado aos Hiss.
Finalmente, Azzlem pôs-me ao corrente do «grande projeto»: tratava-se de enviar um ksill a explorar uma Galáxia Maldita, ou seja uma galáxia inteiramente colonizada por Milsliks, Fora escolhida uma, para lá do universo dos kaïens, gigantes de olhos pedunculares.
Me arrepiei todo: a expedição ao planeta Sete fora já de uma audácia incrível, mas atacar os Milsliks no seu ambiente me parecia rematada loucura, especialmente quando Azzlem me disse, cruamente, que contava comigo e com alguns Sinzus para o primeiro reconhecimento. Apesar das experiências anteriores, eu não estava ainda familiarizado com a idéia do ahun.
Nos dias seguintes o «grande projeto» parecia ter sido abandonado.
Voltei a minha vida habitual, trabalhando todo o dia no laboratório de biologia.
Souilik voltara de uma nova viagem ao ahun, acerca da qual se mostrava muito discreto. Soube, por Essine, que visitara o universo kaïen.
Durante algum tempo raramente o vi: ia de um universo a outro, cumprindo várias missões.
Por seu turno, o Tsalan partira também para Réssan; em Ella somente ficaram Akéion e Ulna, que trabalhavam comigo.
Aproveitamos então os dias de descanso obrigatório — três dias em cada mês elliano — para conhecer bem o planeta Ella.
Tomei contacto com a agricultura hiss, a qual, até então, não me despertara interesse algum.
Numa enorme zona, dum e doutro lado do equador, cultivam um cereal arbóreo de quase dez metros de altura, donde extraem a farinha com que fazem o pão.
Um pouco ao norte e ao sul desta zona crescem variadas plantas, a maioria de uso industrial, fornecendo produtos essenciais para o fabrico de sintéticos.
A parte restante do planeta é semi-selvagem, exceto nos aglomerados populacionais. Nas zonas polares estão concentradas as indústrias, com exceção das minas.
Os Hiss exploram também, ativa e intensamente, os oceanos, que cobrem sete décimos do planeta Têm ótimos viveiros de peixe e excelentes culturas submarinas.
A sua principal fonte de energia é a desintegração em grau muito mais elevado do que entre nós. Não átomos, como nós, mas sim os átomos do átomo. Poderemos chamar-lhes os infra-átomos.
A principal energia não é de natureza elétrica. Visitei as geradoras, dela me servi sempre, mas a seu respeito sei o mesmo que um senegalês sabe de eletricidade: nada.
Os Hiss são físicos extraordinários, e até Béranthon, grande sábio sinzu, confessava que a maioria das invenções hiss lhe eram desconhecidas e até incompreensíveis.
Deve se dizer, em abono dos Hiss, que não são ciosos do que inventam: as Universidades de Réssan estão abertas a todas as raças da Liga, em regime de intercâmbio.
Assisti uma vez a uma conferência sobre astronomia feita por um homem-inseto do Décimo Segundo Universo. Compreendi pouco, mas, em contrapartida, vi as mais maravilhosas fotografias do céu e dos planetas O conferencista parecia um louva— deus muito verde e falava desdobrando os braços, enormes; na assistência estavam quase todos os tipos «humanos» representados em Réssan.
Por essa altura terminaram as missões de Souilik, que, apesar disso, continuava quase invisíveclass="underline" passava os dias em misteriosos conciliábulos com o Conselho, pelo que eu continuava a privar somente com Ulna e seu irmão.
Um dia, quando trabalhávamos no laboratório de biologia comparada, Assza mandou nos chamar.
— Eis as armas de vocês — disse. — São pistolas térmicas, das mais aperfeiçoadas.
Nos entregou então três tubos, curtos, de metal, com coronhas muito grossas.
— O Conselho, de acordo com o ur-shémon, escolheu vocês para o reconhecimento da Galáxia Maldita. Irão num ksill especial, e Souilik irá também, mas até ao planeta Sswft, da estrela Grenss, do universo kaïen, onde ficará esperando. Se for necessário, relembrem-lhe esta ordem. Partirão dentro de oito dias.